Como o Belenenses parou a transição ofensiva do Benfica

O jogo entre Benfica e Belenenses foi muito interessante a vários níveis. Um dos aspectos em destaque foi a forma, como a equipa de Silas neutralizou a transição ofensiva do Benfica, momento fundamental sob o comando de Lage.


O Belenenses sendo uma equipa que quer ter a bola, era fundamental preparar o instante da sua perda. É sabido que o Benfica deixa frequentemente os dois avançados na frente, e não raras vezes, um ala. Junta aos movimentos de ruptura dos avançados, a capacidade de colocar a bola nas costas da primeira linha de pressão do adversário, onde essencialmente Rafa e Pizzi podem receber e ter espaço para conduzir, consequência do trabalho dos colegas da frente.


E como contrariou o Belenenses esta dinâmica? Partiu de uma espécie de 3x4x3, com 2 médios à frente dos 3 centrais, e os 3 jogadores mais adiantados a jogarem em 2-1 no meio. Diogo Viana e Zakarya asseguravam largura. Para começar,  não atacou com muitos à frente da linha da bola, mesmo quando chegavam perto do último terço, existiam muitas preocupações com o momento de perda de bola. Aos 3 da frente juntava-se um ala e um dos dois médios (André Santos e Eduardo Silva) avançava somente pela certa. Esta distribuição permitiu ter gente atrás da linha da bola e ficar mais perto de ter superioridade numérica durante os ataques rápidos do Benfica.


Um ponto essencial na estratégia de Silas foi o comportamento da última linha. Optou sempre por recuar em transição defensiva. Os 3 centrais eram rápidos a baixar e tornaram complicado a bola entrar nas suas costas. Normalmente estavam sempre acompanhados de pelo menos um médio e/ou um ala garantido superioridade numérica. A preocupação do Belenenses em preencher a última linha foi notória, pois quando faltava algum elemento, os médios baixavam e juntavam-se aos defesas.


O Benfica habituado a acelerar nesta fase do jogo sentiu-se sempre desconfortável com esta abordagem, e consequentemente acumulou perdas de bola nesta fase do jogo e más decisões do portador.


Obviamente com um recuo tão acentuado da linha defensiva, o Belenenses permitiu que ao adversário jogar entre linhas, no entanto, o Benfica chegava a esta zona com os avançados e um ou dois alas, pouco gente se compararmos com a equipa de Silas. É verdade que conseguiu fazer a bola andar, e até progredir pelo meio, no entanto, além da inferioridade posicional, as decisões de quem tinha a bola, habituado a desequilibrar neste momento, fizeram com que o Benfica fosse inofensivo em transição. De notar, que os jogadores azuis ultrapassados na primeira fase da transição eram rápidos a baixar, reagrupando a equipa já próximo da sua área

No lance abaixo, o Belenenses perde a bola com 4 jogadores na frente, o Benfica consegue jogar nas costas da 1ª pressão, Rafa tem espaço para conduzir, já que, os 6 jogadores do Belenenses atrás da linha da bola baixam deliberadamente, e quando travam à frente da sua área estão em clara inferioridade numérica


Exemplo da preocupação que o Belenenses deu à última linha, expressa nesta subida de Sasso (central) no momento em que a bola é perdida. Jonas recebe nas costas da primeira linha de pressão, e Eduardo Silva junta-se aos centrais. Bola vai fora e volta dentro com a linha defensiva do Belenenses a recuperar bola.

Já na segunda parte, Pizzi a receber novamente nas costas da 1ª linha de pressão. Diogo Viana vai ao meio pressionar, Eduardo Silva baixa e acaba por se juntar à linha defensiva. Bola vai da esquerda à direita, para depois voltar à esquerda mas Belenenses sempre com lance controlado. Quando Grimaldo cruza, bola é interceptada por quem lhe sai à pressão, Belenenses confortável dentro da sua área

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2 Comentários

  1. O Silas esteve mesmo muito bem.
    Naturalmente o Benfica teve momentos em que encostou completamente o Belenenses e nessas alturas os mais incautos acharam que o Silas meteu o autocarro, mas não, o Silas estudou bem o Benfica. Se não tem jogado assim, provavelmente era goleado. O Silas pensou e tentou e acabou por ter sorte mas também mérito.

    É provavel que o Seferovic esteja quase de regresso, mas seria muito importante o Lage conseguir uma alternativa. Uma equipa grande não pode depender tanto de um jogador para conseguir pôr em prática uma ideia de ataque à profundidade. Sei que há pouco tempo para treinar e que os diferentes jogadores têm diferentes características, mas o treinador já sabe o plantel que tem e sabe o impacto que tem a dependência de um jogador além da importância das nuances no lado adaptativo do modelo. Tem que encontrar ou “fabricar” soluções.

  2. O Belém de Silas não travou o Benfica! foi o próprio Benfica que se travou a sí próprio, se o resultado fosse 2-0, será que o titulo era igual e fazia sentido? A meu ver o Belém jogou como uma autêntica equipa pequena no Estádio da Luz, maneira essa de jogar que em nada valoriza o Futebol que se pratica em Portugal.

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