Simbiose: Ideia do TREINADOR – Qualidades dos JOGADORES (Parte II)

Seguimos nesta saga… aqueles que perderam a Parte I, podem dar uma olhadela aqui.

O respeito pelas características dos jogadores será sempre tido em conta, mais ainda à medida que o treinador os vai conhecendo, como é óbvio. Mas não poderá haver qualquer tipo de negociação no que aos grandes princípios diz respeito, a continuidade/manutenção destes é a garantia de estabilidade e por isso de crescimento individual e colectivo. Essa ordem, dada pela operacionalização da ideia, permite que os jogadores joguem uns em função dos outros e que se vão conhecendo entre eles também (dentro dessa ordem), de forma a poderem antecipar uma série de coisas que no jogo se reflectem em mais tempo e mais espaço para poderem ser eles (segundo as suas melhores características) mais vezes.

Resumidamente, também temos o recrutamento dos jogadores que se enquadram melhor naquilo que é o estilo de jogo da equipa e na ideia do treinador. Esta é uma parte fundamental para encurtar o tempo desta adaptação, de forma a que o treinador não tenha que perder tanta energia a convencer um jogador que não se quer deixar guiar e também para que o jogador se sinta mais “confortável” na forma de jogar da sua nova equipa o mais rápido possível. O “deixar-se guiar” é muito importante, assim como a capacidade do treinador convencer os jogadores, mas sem a primeira é certo que a segunda será uma tarefa impossível. O treinador e a sua ideia como um conector dos jogadores (com as suas qualidades) e da forma como eles entendem que o jogo deve ser jogado. Ainda que estejamos sempre num segundo plano, porque a decisão final é sempre do jogador (e assim deve permanecer, porque o jogador tem que ser sempre proactivo na resolução dos problemas que o jogo coloca), nós treinadores temos que assumir a tarefa de levar a cabo a nossa ideia e através dela darmos um sentido comum a todas as “cabeças” da equipa.

Por outro lado, quem está num contexto onde recrutar para acrescentar valor ao plantel (de acordo com o estilo de jogo que se pretende) é impensável, então, é ainda mais importante conhecer bem os jogadores que se tem, para assim perceber os que melhor se enquadram para encurtar o tempo de criação do jogar que se almeja, muitas vezes isto requer mudanças de estatutos dentro da equipa, algo que é difícil e leva tempo, dada a sensibilidade necessária para proceder a este tipo de alterações na dinâmica “social” da equipa.

A importância de conhecer os jogadores que temos e essencialmente aquilo que eles são dentro do jogo que a nossa equipa joga (no presente), que não é o mesmo com uma semana de treinos ou com 4 meses, por isso é necessário ir percebendo que mudando o contexto (com o crescimento/a melhoria da forma de jogar) muda também aquilo que o jogador dá. A sua adaptação (individual) e a aproximação da equipa a determinado estilo, pode “torná-los” jogadores mais capazes de acrescentar qualidade ao jogo. É importante ir conhecendo e moldando, dando sempre espaço para que as qualidades que diferenciam uns jogadores dos outros possam sobressair e fazer crescer o jogar da equipa.

São os grandes princípios que dão semelhanças às diferentes equipas que o mesmo treinador vai treinando ao longo da sua carreira. Por outro lado a mudança de jogadores (com a mudança de equipa por parte desse mesmo treinador ou pelas eventuais contratações) também nos fazem identificar detalhes diferentes. Exemplos:

– tendências na forma como servem para golo;

– numa equipa maior acentuação do jogo interior do que noutra.

A estabilidade dos princípios (no percurso do treinador) tem que ser entendido como algo essencial. Não é uma teimosia, é uma necessidade, é uma crença, é um sentimento, são valores e só quando assim é se torna possível contagiar toda a gente no sentido de criar algo que nos une a todos. Mas nunca os grandes princípios interferem nas características dos jogadores, pode acontecer que o estilo promova mais uns jogadores em do que outros, mas ao mesmo tempo é capaz de permitir que as individualidades acrescentem qualidade/imprevisibilidade/diversidade/criatividade à forma de jogar da equipa.

Continua…

João Baptista
Sobre João Baptista 19 artigos
A paixão por Futebol conduziu-o até à FCDEF (Universidade do Porto), onde o Professor Vítor Frade viria a ser uma grande influência na busca constante da essência do jogo e do treino. Com passagens por FC Porto B, FC Porto (Dragon Force), Valadares Gaia FC (feminino), AD Sanjoanense e EF Hernâni Gonçalves, desde 2016 que se encontra na China, de momento num projecto de formação ao serviço do Zhichun FC. A página/o blog "Bola na Árvore" são reflexões de quem vai à procura da essência do jogo, da formação, do treino e da vida que se manifesta no futebol... na busca incessante vai-se aprendendo.

2 Comentários

  1. Outra vez aqui fala-se de tudo menos de futebol.
    Jà estou farto do lexico oriundo da cibernetica/informatica e de ouvir constantemente palavras como por exemplo “processos, “operacionalisaçao”, “enquadrar”,”conector” para escrever sobre o desporto da liberdade.
    Antigamente, era preciso duma literatura para evocar o futebol.
    A tal ideologia portuguesa universitaria invadiu-nos desta linguagem pobre que condiciona os pensamentos sobre o futebol como dum desporto qualquer.
    A sua visao do futebol restringida a uma organisaçao do caos e de quantificaçao de dados padece da essencia principal do futebol : a liberdade.
    Os universitarios do desporto, ceguinhos de orgulho e satisfeitos de regurgitar a sua aprendizagem , jà nem reparam numa evidencia que està sempre em frente dos olhos: o futebol joga-se com a bola no pé.
    Sim, e entao? Entao, està tudo aqui.
    A bola nunca està presa, està sempre em liberdade.
    Nos desportos de bola presa como o andebol ou o basquetebol que sao desportos fechados, inventaram-se regras para perder a bola : limitaram-se os campos, criou-se uma zona proibida ou limitada no tempo, e ataques no limite de tempo.
    O futebol é tao libre que os campos de jogo tiveram que ser maiores para estender todas as suas belas formas .
    O Raguebi? O campo também é grande mas a limitaçao é enorme, nao se pode fazer passes em frente.
    E o hoquei em campo que tem a bola libre e um campo com medias dimensoes ? Nao tem fora de jogo e sobretudo, o taco mantem a distancia entre o corpo e a bola ; jà nao hà dança e pouca finta.
    E o futsal, entao ? Campo pequeno e sem fora de jogo. O fora de jogo regenera sempre os espaços.
    Em muitos desportos, os posicionamentos nunca mudam ( andebol, raguebi, voleibol, etc) e os esquemas tipos da tal aplicaçao « coach id », jà podem refletir a natureza desses desportos porque as linhas da bola nunca mudarao muito da realidade.
    Ao contrario, no futebol, nao hà modelo fixe nem morfologias tipos consoante as posiçoes ( excepto os centrais) e nao hà finitude das possibilidades nas linhas de passe.
    A outra diferença notavél do futebol com outros desportos: o centro de gravidade é no meio. ( o raguebi é uma progressao de territorio tipo guerreira).
    Bola libre num grande espaço certo muito limitado graças ao fora de jogo ,mas que permite também a regeneraçao doutros espaços, nao pode conter o jogo nas grandes areas(como por exemplo no hoquei em campo que tem bola libre) e este se condensa no meio.
    é a segunda grande especifidade do futebol depois da liberdade : o futebol é um jogo do meio.
    E do que falam os universitarios para diferenciar-se dos outros desportos que alternam fases ofensivas e defensivas: agregaram as noçoes de organisaçao e transiçao. Noçoes que nao refletem as duas grandes especifidades do futebol.
    E no LE, nunca se escreva sobre essas especifidades e afinal o futebol nunca é evocado; està ficando a ser a mesma miseria de posts sobre organisaçao, transiçao, identidade do treinador, decisoes, processos etc. A semantica jà pouca interessa e confunde-se estrategias e tacticas mas està tudo bem à mesma; sou eu o burro bem chato e siguam adiante.

  2. Outra vez aqui fala-se de tudo menos de futebol.
    E como vem sido habito, o lexico oriundo da cibernetica/informatica invade a maioria dos textos do LE nos ultimos tempos . As palavras como por exemplo “processos, “operacionalisaçao”, “enquadrar”,”conector” jà fazem parte do ADN do LE para escrever sobre o desporto da liberdade.
    Noutros tempos e noutras caligrafias , era preciso duma literatura para evocar o futebol.
    A tal ideologia portuguesa universitaria irriguou-vos com esta linguagem pobre que condiciona os vossos pensamentos sobre o futebol . O pior é que o futebol é estudado como se fosse qualquer desporto.
    A visao do futebol restringida a uma organisaçao do caos e de quantificaçao de dados padece da essencia principal do futebol : a liberdade.
    Os universitarios do desporto, ceguinhos de orgulho e satisfeitos de regurgitar a sua aprendizagem , jà nem reparam numa evidencia que està sempre em frente dos olhos: o futebol joga-se com a bola no pé.
    Sim, e entao? Entao, tudo està aqui.
    A bola nunca està presa, està sempre em liberdade.
    Nos desportos de bola presa como o andebol ou o basquetebol que sao desportos fechados, inventaram-se regras para perder a bola : limitaram-se os campos, criou-se uma zona proibida ou limitada no tempo, e ataques no limite de tempo.
    O futebol é tao libre que os campos de jogo tiveram que ser maiores para estender todas as suas belas formas .
    O Raguebi? O campo também é grande mas a limitaçao é enorme, nao se pode fazer passes em frente.
    E o hoquei em campo que tem a bola libre e um campo com medias dimensoes ? Nao tem fora de jogo e sobretudo, o taco mantem a distancia entre o corpo e a bola ; jà nao hà dança e pouca finta.
    E o futsal, entao ? Campo pequeno e sem fora de jogo. O fora de jogo regenera sempre os espaços.
    Em muitos desportos, os posicionamentos nunca mudem ( andebol, raguebi, voleibol, etc) e quando se vê esquemas tipos da tal aplicaçao « coach id », jà podem refletir a natureza desses desportos porque as linhas da bola nunca mudarao muito da realidade.
    Ao contrario, no futebol, nao hà modelo fixe nem morfologias tipos consoante as posiçoes ( excepto os centrais) e nao hà finitude das possibilidades nas linhas de passe.
    A outra diferença notavél do futebol com outros desportos: o centro de gravidade é no meio. ( o raguebi é uma progressao de territorio tipo guerreira).
    Bola libre num grande espaço certo muito limitado graças ao fora de jogo ,mas que permite também a regeneraçao doutros espaços, nao pode conter o jogo nas grandes areas(como por exemplo no hoquei em campo que tem bola libre) e este se condensa no meio.
    é a segunda grande especifidade do futebol depois da liberdade : o futebol é um jogo do meio.
    E do que falam os universitarios para diferenciar-se dos outros desportos que alternam fases ofensivas e defensivas: agregaram as noçoes de organisaçao e transiçao. Noçoes que nao refletem as duas grandes especifidades do futebol.
    E no LE, nunca se escreve sobre essas especifidades e afinal o futebol nunca é evocado. Os textos somente tratam da organisaçao, transiçao, identidade do treinador, decisoes, processos etc. ; a semantica jà pouca interessa e confunde-se estrategias e tacticas .
    Com um bocado de sorte, este comentario que difere da teoria aqui divulgada serà publicado para dar outra vez luz a uma outra visao do futebol.

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