De Braga à Luz – A Luta pelo Título com o Benfica na Liderança

A deslocação do Porto a Braga e a recepção do Benfica ao Tondela anteviam-se bastante complicadas para os dois grandes candidatos ao titulo. E assim foi. FC Porto e Benfica sentiram inúmeras dificuldades para vencer duas das equipas mais competentes do campeonato: Braga e Tondela.

“A meio da primeira-parte começamos a sentir algum nervosismo, a perder a bola com facilidade e a forçar a entrada por dentro. (…) O facto de insistirmos bastante no jogo interior e o mau posicionamento dos dois médios permitiu que, a nossa transição defensiva não fosse tão eficaz.”

Bruno Lage

Na Luz, o Benfica venceu por 1-0 um muito competente no momento defensivo CD Tondela que, em transição ofensiva, criou várias oportunidades de perigo junto da baliza encarnada. Apesar dos bons 20 minutos iniciais, a equipa de Lage demonstrou-se demasiado ansiosa (Ansiedade expressa na pressa em chegar à baliza adversária e que se traduzia em perdas de bola constantes) e a forçar a entrada pelo corredor central, espaço onde o Tondela colocava muita gente.

A estas más decisões, seguiam-se perdas de bola em zonas onde era crucial não perder a posse porque a equipa não estava junta e preparada para a perder, o que originava constantes transições defensivas para o Benfica. Isto tudo fez com que a equipa encarnada nunca tivesse o controlo do jogo e que a sua transição defensiva fosse sofrível. O mau posicionamento dos médios (e dos centrais que não encostavam em Tomané) antes da perda permitiu quase sempre a saída de pressão da equipa beirã após a recuperação, o que levou a chegadas constantes à baliza adversária do Tondela em transição ofensiva. Apesar da vitória (justa) encarnada, o Benfica deveria ter tido mais inteligência a controlar o jogo para chegar ao último terço com as condições necessárias para criar mais e melhor, mas sobretudo para ter uma transição defensiva segura.

“Hoje, foi um Braga ligeiramente diferente. Um pouco mais recuado, formando uma linha defensiva de 5 e até, deixando o Wilson Eduardo mais subido no momento defensivo para aproveitar o adiantamento do Alex Telles em transição ofensiva.”

Sérgio Conceição

No grande jogo desta jornada, apesar das alterações estratégicas de Abel para surpreender Conceição, o Braga não foi capaz de segurar a vantagem e aproximar-se do primeiro lugar. A equipa de Abel apresentou-se, estrategicamente, num 5x4x1 no momento defensivo com Esgaio a controlar no corredor direito a largura e profundidade de Alex Telles que, ofensivamente, se desdobrava no seu habitual 3x4x3. O Porto chegaria a uma vitória justa, mas foram notórias as dificuldades criadas pelo conjunto bracarense por defender mais baixo.

Uma das nuances estratégicas de Abel era aproveitar os momentos de transição ofensiva para ferir o Porto, colocando Wilson Eduardo ligeiramente desalinhado da linha média para explorar o corredor esquerdo portista. O Braga chegou ao 1-0 em contra-ataque e poderia ter feito o 3-1 num excelente momento de transição ofensiva. A equipa minhota entrou fortíssima nas duas partes, chegando ao 1-0 e 2-1, logo no inicio de ambas. No entanto, a equipa portista foi sempre mais dominadora e esteve quase sempre mais próxima de chegar ao golo, sobretudo na segunda-parte onde o Braga só criou perigo em transição ofensiva.

Na 1ªparte, o Braga conseguiu controlar os corredores laterais do campeão nacional com eficácia, o que levou a equipa portista a procurar o corredor central com os alas (Otávio e Corona) a moverem-se entre-linhas e Marega na profundidade. Nem sempre com a capacidade para furar pelo corredor central, a entrada de Brahimi ao intervalo permitiu um maior número de chegadas ao último terço por dentro. No entanto, o inicio da reviravolta portista chegaria num lance de bola parada ofensiva que demonstra, uma vez mais, a competência dos azuis e brancos neste momento do jogo. Num jogo extremamente mal jogado, que apesar de ter sido emocionante pela quantidade de golos existentes, o Porto voltou a levar a melhor sobre o Braga e a manter bem acesa a luta pelo titulo.

Desde a derrota no Dragão contra o Benfica, Sérgio Conceição voltou a um jogar mais idêntico que o levou a campeão nacional, isto é, levou o jogo do FC Porto para um lado mais físico onde é mais forte do que todos os adversários da Liga. Esta vitória em Braga é muito importante para a equipa portista na luta pelo titulo, mas tal não significa que seja o maior favorito a vencer o campeonato. Era importante iniciar a reta final com uma vitória e ambos conseguiram, mas o Benfica segue na liderança!

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Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

16 Comentários

  1. Porque razão o Porto não é o favorito, estando com os mesmos pontos e com um calendário (em teoria) mais fácil e jogando da forma que o fez campeão?

    • Receber o Sporting ou ir a Braga venha o diabo e escolha. Na minha opinião têm ambos calendários semelhantes em termos de dificuldade. Para mim se alguém tivesse que partir em desvantagem seria o Porto. Tem as Champions que vai ser mais exigente que o embate do Benfica, alguns jogadores já acusam alguma fadiga da época exigente que têm tido e a própria maneira como o porto joga leva a um maior desgaste podendo ser minimizado dependendo de como o jogo corre.

  2. O jogo de ontem do Lage, foi um dos piores, sendo mesmo o pior em casa.. Creio que um dos problemas, é que os adversários posicionam muita gente no centro fechando quase todos os passes por dentro, e o benfica persiste em querer jogar vertical em tabela no centro, onde o Jonas deveria procurar o espaço central arrastando os centrais, ao invés de ficar tão estático, e esta deslocação (espaço deixado), deveria ser aproveitada pelos colegas em profundidade. Continuo a referir que as equipas que se fecham muitos elementos no centro, deveria ser aproveitado para em corrida levar o lateral/médio a ir à linha junto à grande área e cruzar rasteiro para tras (penalti ou fora da área)… Tambem penso que o benfica e o rafa foram bastante abaixo após o desperdício do rafa isolado!!! A partir deste lance a organização ofensiva do benfica acabou, sendo mais coração do que cabeça, inclusivé do Lage, onde não entendo o Jota e que face à limitação física do grimaldo, o Cervi a LE pode ser uma boa aposta…. Do porto/ braga nada tenho a dizer, pois recuso-me a analisar as frustrações das arbitragens.

  3. Grande Pilro, eu adorava ter no Benfica jogadores como Pepe, Militão e Corona.

    São mágicos. Agridem sem ser expulsos, cavam penaltis fantasma e fazem penaltis verdadeiros e que não são apitados.

    Jogo jogado, este Porto é uma nódoa, um zero, um amontoado de cavalos de corrida, mais ou menos injectados, diria que mais, um treinador obtuso, sem a mínima noção estratégica e que quer a equipa à sua imagem de jogador: olhos no chão, muita corrida e ar de mauzão da Cantareira.

  4. Parece-me que o Porto será novamente campeão. O Benfica deixou-me com imensas dúvidas e sugeriu-me que vai perder mais pontos. O Porto está cada vez mais forte.

    Elsio

  5. O Benfica fez um jogo muito fraco, a segunda parte então foi horrível, sem qualquer cabeça, inteligência e com muito poucas ideias dentro de campo. Não percebi bem a necessidade de fazer aquela alteração ao intervalo, não tanto pelo valor do Samaris mas pelo impacto que a mudança teve na transição defensiva. O Benfica ganhou e teve mais oportunidades – mas isto é nada mais do que o normal, o esperado, o que acontece sempre. O Tondela foi competente mas demonstrou que com outra qualidade individual teria saído com uma vitória ou próximo disso. O Benfica precisa de continuar a evoluir e a trabalhar arduamente porque há muita coisa por fazer. Infelizmente, até porque é um assunto que não é para aqui chamado, foi também mais uma jornada marcada pelas arbitragens. As arbitragens em Portugal são nojentas, sobretudo porque não há qualquer lógica nas várias e difíceis decisões tomadas. E não é o VAR que vai melhorar ou resolver o problema.

  6. Tirar o Samaris e deixar o Gabriel ali sozinho foi uma falta de respeito pelo Tondela que só nao correu mal por sorte.
    Benfica melhorou qdo colocou de novo outro medio a dar equilíbrio no meio.

    Muita precipitação a dar o estatuto de génio ao Lage. Calma, vamos dar tempo ao homem e ver no que dá.

    Talvez ele ate seja mesmo um novo “special one”, mas é realmente muito prematuro o que tem sido dito sobre ele.

  7. Ver o jogo fora do ecrã da televisão ajuda muito para perceber algumas decisões que são tomadas por parte dos treinadores. Perceber toda a movimentação da equipa e não apenas onde está a bola. Nos últimos 10 minutos sempre que Samaris era chamado a intervir sinalizava para os colegas não lhe colocarem a bola. Mesmo sozinho não a queria receber porque denotava um enorme desgaste fisico. Quando em organização ofensiva ia a passo para a sua zona e via os colegas passarem por ele em corrida ligeira. Os dois jogos a titular pela seleção grega desgastaram bastante o grego.

    • Excelente! Obrigado pela visão extra televisão, de facto há muitas coisas que às vezes nos passam despercebidas mas que no final fazem falta para uma correcta tomada de decisão.

  8. Foi um mau jogo do Benfica. Talvez o pior com Lage, porque, neste caso, tinha os titulares e os erros foram mais que muitos.
    Sem retirar mérito ao Pepa e aos jogadores do Tondela, no Benfica houve desorganização de setores, falta de movimentos coletivos em especial na reação à perda, desposicionamentos, decisões erradas, passes falhados, enfim… mauzote.
    Terá sido efeito da pausa das seleções?
    O Lage tem que rearrumar a casa rapidamente. Tem jogo na 4a e o campeonato está ao rubro.
    No imediato penso que solução passa por fazer regressar o Seferovic a titular na profundidade com o Felix a procurar espaço entre linhas. Por muito que o Jonas seja Jonas, acho importante ser o ponta de lança a trabalhar a profundidade porque no domingo a equipa estava demasiado distendida, desorganizada e a dar espaços.

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