Mourinho e Guardiola: “Copiar-Colar” vs Produzir o Próprio Conhecimento

Podemos dizer que é “produzir o nosso conhecimento” ou “sentir o que fazemos como algo que vem de dentro de nós”, a verdade é que o processo de criar algo, como “uma forma de jogar para alcançar objectivos”, é algo verdadeiramente pessoal, (neste caso colectivo), porque o treinador não o faz sozinho (há muita gente que colabora para que a ideia se incorpore e manifeste com sucesso), com grande importância dos jogadores que são o que dão vida ao jogo.

Com isto, não me parece que os treinadores, Mourinho e Guardiola, queiram dizer que não nos deixemos influenciar por aquilo que existe, que vivenciamos, vimos, analisamos e ao qual nos ligamos, de certa forma, sentimentalmente.

Todos temos as nossas influências, e sabendo disso as nossas ideias não deixam de ser nossas. O essencial é que essas ideias e toda a informação que nos vai influenciando se ligue e seja digerida dentro de nós. Desta forma, quando operacionalizamos e começamos a nossa criação, a ideia já vem com as nossas emoções e sentimentos, já vem com um sentido que é nosso, que é pessoal, porque foi entendido por nós, e nós lhe demos coerência (a nossa). Aquilo que antes era informação e conhecimento avulso passou ser algo pessoal que tentaremos transmitir de acordo com aquilo que são as nossas prioridades diárias e mais a longo prazo, para a criação da forma de jogar que sentimos.

Isto de “produzir o nosso próprio conhecimento” tanto serve para o “Idealizar do jogo” que pretendemos, como para a forma de levar a cabo o gerar do modelo no dia a dia com os jogadores que compõem a equipa. Temos um referencial (prévio e ao mesmo tempo orientador do processo) e temos o caminho para o alcançar. Esse caminho é construído no dia-a-dia, sendo que o ideal poderá servir para nos guiarmos e não nos perdermos, é como uma bússola que ajuda a orientar as prioridades, mas é essencialmente no dia-a-dia que vamos percebendo onde ajustar, para seguirmos o melhor caminho, na direcção mais coerente com os jogadores, com a nossa ideia e com aquilo que fomos transmitindo até aí.

O “copiar-colar” não chega, pois não nos resolve o problema imprevisto. No “aqui e agora”, com os jogadores, há que ser genuíno e manter uma linha que não gere dúvida e que no fundo seja coerente com o caminho percorrido até ao “aqui e agora”. Sem sentir e perceber é difícil transmitir e convencer.

Nota: Treinadores top têm sempre semelhanças, ainda que gostemos mais de os colocar de “costas voltadas”.

a) extractos duma entrevista de Pep Guardiola (2018) para o prorama “Un Nuevo Dia” do canal Telemundo

b) extractos duma entrevista de José Mourinho (2015) ao FPF360 – https://www.youtube.com/FPFutebolOficial (Canal Oficial da Federação Portuguesa de Futebol)

João Baptista
Sobre João Baptista 19 artigos
A paixão por Futebol conduziu-o até à FCDEF (Universidade do Porto), onde o Professor Vítor Frade viria a ser uma grande influência na busca constante da essência do jogo e do treino. Com passagens por FC Porto B, FC Porto (Dragon Force), Valadares Gaia FC (feminino), AD Sanjoanense e EF Hernâni Gonçalves, desde 2016 que se encontra na China, de momento num projecto de formação ao serviço do Zhichun FC. A página/o blog "Bola na Árvore" são reflexões de quem vai à procura da essência do jogo, da formação, do treino e da vida que se manifesta no futebol... na busca incessante vai-se aprendendo.

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