A dor não deve ser suprimida, nem nos deve suprimir

Chegou ao fim a Liga dos Campeões que na final colocou frente a frente Liverpool e Tottenham. Imensos (alguns vá!) “dramas” ocorreram nesta edição. Um deles foi forma como se deu a eliminação do Manchester City, precisamente contra a equipa de Londres, que esteve na final.

Este episódio em que Guardiola abordou a forma de encarar este momento “doloroso” é algo que cada vez mais nos deixa convencidos de que o Futebol é uma extensão da vida, é a possibilidade de vivenciarmos tanta coisa num curto espaço de tempo em treino e no dia do jogo – alegrias, amizades, frustrações, dor, conflictos, superação, etc..

Ignorar ou suprimir a dor é um erro, superar a dor é uma coisa, mas suprimi-la como se nada tivesse acontecido é perder uma hipótese de aprender com ela e de nos melhorarmos com essas aprendizagens. Por outro lado não devemos deixar que essa dor nos suprima, porque há mais na nossa vida para além daquilo que nos provocou essa dor.

A sociedade mais um vez está enclausurada numa expectativa de que os maus momentos são para ser ultrapassados dum dia para o outro como se nada tivesse acontecido, mas a verdade é que aquilo que nos provoca dor leva tempo a ser ultrapassado, mas nunca, nunca, nunca deverá ser esquecida. Aquilo que nos marcou durante a vida, ainda que por vezes possa não ser recordado através duma imagem, arranja sempre uma forma de deixar impresso no nosso corpo algo que mais tarde nos será útil, por já termos vivido experiências semelhantes. Isto é uma ajuda tremenda, quase como uma vacina que nos deixou anti-corpos no organismo, prontos para agir quando detectarem a presença do mesmo “problema” que os “criou”.

Por isto é que retirar as dores naturais dos maus momentos da vida de uma criança, de um jovem é um erro que está muito em voga, a medicação e o não darmos tempo para que arranjem formas de ultrapassar essa mesma dor é impedir que criem esses tais anti-corpos. Mais tarde irão sorrir de novo e certamente enquanto a dor não é ultrapassada faremos tudo o possível para os ajudar a continuar a viver, mas nunca suprimir a mínima dor com comprimidos/com distracções constantes que nos impedem de sentir e de viver realmente tudo aquilo que nos aconteceu.

a) Conferência de imprensa (pré-jogo vs Tottenham) de Guardiola ao serviço do Manchester City FC – Premier League 2018/2019 – após a eliminação nos quartos de final da Liga dos Campeões, também frente ao Tottenham


João Baptista
Sobre João Baptista 18 artigos
A paixão por Futebol conduziu-o até à FCDEF (Universidade do Porto), onde o Professor Vítor Frade viria a ser uma grande influência na busca constante da essência do jogo e do treino. Com passagens por FC Porto B, FC Porto (Dragon Force), Valadares Gaia FC (feminino), AD Sanjoanense e EF Hernâni Gonçalves, desde 2016 que se encontra na China, de momento num projecto de formação ao serviço do Zhichun FC. A página/o blog "Bola na Árvore" são reflexões de quem vai à procura da essência do jogo, da formação, do treino e da vida que se manifesta no futebol... na busca incessante vai-se aprendendo.

1 Comentário

  1. nao tem nada a ver com o post e peco desculpa por isso mas esta final ficou decidida por um lance aos 2 minutos completamente ridiculo. Fez pontaria ao braco e deram lhe penalti num lance sem perigo nenhum, a queima e quando o defesa estava a dar indicacoes aos colegas. O futebol esta morto.
    gostava de ver um dia um treinador com coragem e verdadeira paixao pelo jogo mandar os jogadores jogarem um jogo todo da champions com os bracos colados ao corpo ou atras das costas. Perdia por 10 ou 20 a zero mas acabava logo com esta palhacada pelo ridiculo. Nao tenho esperanca nenhuma que aconteca porque o que a malta quer e continuar a ganhar o seu dinheirinho e se tiverem de rastejar na m, tambem o farao.
    na final da taca o defesa do sporting nao intercepta o cruzamento do herrera por estar condicionado nos seus movimentos com os bracos atras das costas.
    na area, que e’ onde se deve jogar no limite para se ver futebol no seu maior esplendor, querem condicionar os jogadores para haver mais golos. por isso e’ que fora da area bola na mao e’ falta desde que corte a jogada, intencional ou nao, e na area nao era assim, tinha de haver intencao. A america chegou ao futebol e quem manda sao os do grande capital.
    podem escrever sobre tacticas, superacoes dos maus momentos, do que quiserem que o unico assunto que interessa discutir neste momento e’ este. Esta lei matou o futebol!
    o computador nao tem acentos

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