O futebol (só) tem espaço para a inteligência

Antes do vídeo, “pensar alto” sobre algumas coisas, algo que não é novo… o que é novo é que o futebol é para quem pensa. Pois, na verdade isto não é grande novidade, sempre foi, não sei é se havia (ou se há) essa consciência de que o futebol é mesmo algo que requer inteligência.

Já é mais do que sabido que a inteligência é específica (contextual), na medida em que está relacionada com um problema que requer que se recorra a determinadas “ferramentas” para a sua resolução. As “ferramentas” no caso do futebol são inúteis (por mais desenvolvidas que estejam) se não estão acompanhadas de um entendimento do jogo para que se possa ser eficiente e eficaz a solucionar cada circunstância com a inteligência exigida, “circunstância” essa que têm espaço/tempo, bola (longe ou perto, comigo ou com outro, que até pode nem ser da minha equipa), adversários, zonas do campo (distância das balizas), colegas de equipa, emoções, adeptos, etc. (há sempre muitas mais coisas).

Tendo esta especificidade em conta, importa perceber que sendo o futebol para todos, nem todos os tipos de futebol servem para todos da mesma maneira. Por isso é que, apesar de sentir muito maior afinidade por uma forma de controlar o jogo do que por outras, defendo sempre a diversidade de “jogares”. É isso que devemos preservar, essa percepção de que o diferente pode ser bom, ainda que não nos atraia o sentimento. Portanto, dentro disto o contexto é de grande importância, porque o jogador só faz sentido quando entendido dentro de determinada equipa (uns adaptando-se melhor a coisas diferentes e outros com mais dificuldades em sair do habitat que conhecem e dominam).

O vídeo mostra-nos como as dificuldades que se tem no “choque” com o adversário se podem tornar numa vantagem, em vez de ser uma desvantagem como quase sempre se dar a entender. O aparente “deficit” pode muito bem transformar-se numa mais valia, tudo depende do treinar para arranjar soluções que se coordenem com as “ferramentas” que “eu” melhor domino. Importa “cair”, magoar, sentir o desconforto de ser abalroado e começar a pensar (consciente ou intuitivamente) em soluções para resolver o problema.

Não faz qualquer sentido dizer que determinado jogador é bom pela quantidade enorme de km que fez num jogo, mas atenção também não faz sentido dizer que quem joga bem não precisa de correr, isto foi um erro que se estabeleceu para contrariar uma lógica que vigora, mas temos que combater a mania da quantificação com mais entendimento do jogo e não com diferente forma de quantificar. Porque os km são algo vazio de significado se não tiverem associada uma inteligência (um jogador) que saiba para quando correr e para onde.

É nestas soluções que procuram combater as “desvantagens” que se geram características diferentes para cada jogador e também níveis diferentes, porque nem todos solucionam o problema com a mesma eficiência/eficácia.



João Baptista
Sobre João Baptista 19 artigos
A paixão por Futebol conduziu-o até à FCDEF (Universidade do Porto), onde o Professor Vítor Frade viria a ser uma grande influência na busca constante da essência do jogo e do treino. Com passagens por FC Porto B, FC Porto (Dragon Force), Valadares Gaia FC (feminino), AD Sanjoanense e EF Hernâni Gonçalves, desde 2016 que se encontra na China, de momento num projecto de formação ao serviço do Zhichun FC. A página/o blog "Bola na Árvore" são reflexões de quem vai à procura da essência do jogo, da formação, do treino e da vida que se manifesta no futebol... na busca incessante vai-se aprendendo.

1 Comentário

  1. Mais um título à professor de desporto, desculpem lá a franqueza.
    Se já estava mau com o futebol ter espaço para a inteligencia – Grande novidade, Uma actividade humana requerer inteligencia! Não estás à espera de nenhum prémio monetário por essa descoberta, pois não? – ficou completletamente ridiculo com o (Só).
    O futebol é essencialmente instinto. Já dizia o Pessoa que todas as grandes obras (de arte, o futebol não é nenhuma arte mas tambem se aplica) surgem do instinto. Claro que continua para dizer que só com a organização e compreensão pro+prias da inteligencia é que se tornam realmente grandes mas são produzidas quase em exclusivo pelo instinto.
    Portanto, tirem lá o espaço para a emoção, a imaginação, a sensibilidade, etc, voltámos ao iluminismo.

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