Teve gol do Gabigol – Tudo sobre o Fla x Santos

O Flamengo venceu o Santos num jogo intrigante. Se não foi um jogo louco, cheio de gols e chances de perigo para todos os lados – como alguns esperavam -, foi um duelo tático profundo e cheio de sutilezas. Lindo de ver!

Vale a pena seguir o fio!


Jorge Jesus entrou em campo sem surpresas. Começou no 4-2-3-1 com Everton centralizado, Bruno Henrique pela direita e Arrascaeta pela direita. Gerson e Arão jogavam lado a lado, com o camisa 8 pela direita e o 5 pela esquerda.


Sampaoli surpreendeu um pouco mais. O Santos é uma metamorfose ambulante e mais uma vez a escalação saiu do óbvio.

Manteve seu 4-3-3 padrão, mas trouxe Luan Peres na lateral esquerda e Jorge pelo meio, ao lado de Sánchez. Alison varria por trás, no lugar do suspenso Pituca.

Com isso, os times praticamente se espelhavam e o jogo era marcado por duelos individuais no campo todo. Arrascaeta contra Victor Ferraz, Bruno Henrique contra Luan Peres, Arão contra Sánchez, Gerson contra Jorge, Rafinha contra Soteldo, Filipe Luís contra Marinho…

Depois de 20 minutos, Jorge Jesus mudou para o 4-4-2 trazendo Everton para a direita e jogando Bruno Henrique para fazer dupla de ataque com Gabriel.

Aos 20 do segundo tempo, Sampaoli trouxe o atacante Uribe no lugar do zagueiro/lateral Luan Peres e logo depois Cueva entrou no lugar de Sasha. O Santos passou para um 4-2-3-1, provavelmente tentando explorar o espaço por trás dos volantes do Flamengo.

Pouco depois, o Flamengo voltou ao 4-2-3-1, mais marcado ainda após a entrada de Berrío no lugar de Arrascaeta. Bruno Henrique foi para a esquerda e o colombiano entrou pela direita.

Essas mudanças de estrutura foram importantes, mas a história da partida não pode ser contada por elas. Alguns detalhes se mantiveram ao longo dos 90 minutos e moldaram o que foi o jogo.


Como dito antes do jogo (aqui), os pontas do Santos dão muito trabalho. Marinho e Soteldo são absurdamente confiantes no mano-a-mano e é isso que time faz o tempo todo: atrai o adversário para um lado e gira a bola rapidamente para o outro, tentando encontrar o ponta em velocidade.

Para neutralizar a influência de Marinho e Soteldo, os laterais rubro-negros faziam perseguições longas – não largavam do pé dos adversário. Estavam no campo todo dando combate às principais armas do Santos.

Além de perseguir, era necessário estar sempre atento para que a bola nunca chegasse limpa aos pontas. Éverson, Jorge e Sánchez têm ótima capacidade de lançamento, então o perigo era real.

O jogo exigiu muito da linha defensiva rubro-negra.

Mas não foi um trabalho apenas para os laterais. Os dois pontas espetados e bem abertos tentavam esgarçar a defesa, enquanto Sasha saía da área com o objetivo de atrair algum zagueiro. Tudo para criar espaços na última linha defensiva do Fla a ser explorado pelos pontas e meias.

Não foi à toa que os quatro defensores fizeram uma corrente antes do jogo. Eles sabiam que seriam forçados ao limite e teriam que responder à altura.

E responderam. A defesa foi bem demais.

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Os dois volantes também tiveram atuações gigantes, ainda que “invisíveis” por não terem aparecido muito no ataque.

Repare neste lance. Marinho recebe e Arão checa o posicionamento de Sánchez e Sasha. A falta aconteceu, mas Arão já estava atrás de FL fazendo a cobertura perfeita.

Foram coberturas de todos os tipos. Dobraram a marcação nos pontas, cobriram a movimentação dos laterais e ocuparam até a posição dos zagueiros quando um deles foi arrastado para fora da linha.

A linha de quatro do Flamengo nunca se desmontou. Nunca! Muito graças a Gerson e Arão!

Mas os volantes não ajudaram apenas na composição lá atrás. O Fla também pressionava na frente e é absolutamente impressionante a quantidade de interceptações que Arão teve depois dessas pressões. Posicionamento perfeito para recuperar a bola e/ou evitar contra-ataques do Santos!

Esse mecanismo foi mto importante. Afinal, a marcação pressão talvez tenha sido o aspecto mais marcante do jogo. O Santos fazia uma pressão MUITO organizada e o Flamengo teve muitas dificuldades para sair.

Jurgen Klopp diz que “se você recupera a bola perto do gol do adversário, você está a um passe de criar uma grande chance. Nenhum meia-armador no mundo é tão bom quanto uma boa pressão”

 O posicionamento do Fla garantiu que nenhuma dessas jogadas trouxesse perigo relevante. 

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Mas a qualidade do Flamengo em situações de pressão não vem apenas da sua organização. O time sai jogando muito bem e todas as vezes que conseguiu ultrapassar a primeira onda de pressão, criou situações promissoras.

Aí, escolhas erradas, execuções imperfeitas ou mesmo azar do ataque rubro-negro fizeram com que boa parte dessas situações não virassem chances reais de gol.

Futebol é muito detalhe. Às vezes a diferença entre um gol e um lance sem perigo é apenas um pouquinho de força no passe, ou uma movimentação levemente diferente, ou meio segundo de desatenção.


A consistência do Flamengo permite que as jogadas saiam, que o jogo flua. E aí, em algum momento a qualidade individual vai resolver.

Ontem foi assim, na técnica de Everton Ribeiro, na velocidade de Bruno Henrique e, é claro, na finalização de Gabigol.

Alguma hora, o gol sairia.


No segundo tempo, já com 1×0, o Flamengo diminuiu o ritmo e controlou o jogo. Se expôs pouco e poderia ter feito o segundo.

Mesmo assim, há coisas a corrigir. O time ainda oscila um pouco e, às vezes, não controla tanto o jogo quanto poderia.

Ao recuar e buscar o contra-ataque, acabou se livrando um pouco da bola.

Foram 198 passes certos e 31 errados no 1o tempo. No 2o, 90 certos e 30 errados.

13 dos 16 lançamentos errados aconteceram no 2o tempo.

Muito parecido com os 20 minutos ruins em Porto Alegre pela Libertadores.

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Não concordo com quem diz que Sampaoli se acovardou ou que o adversário jogou mal. Foi um grande jogo, cheio de detalhes quase invisíveis, mas muito relevantes!

O Santos foi um baita adversário e precisa ser valorizado! Grande atuação e vitória!

Desfrutem desse Flamengo!

TRABALHO DE TÉO BENJAMIN
https://twitter.com/teofb


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