O desaparecimento de Francisco

O futebol é o que é, e não o que queriamos que fosse. Depois de um ano atirado à rua repartido entre uma Liga (alemã) onde nunca deveria ter ido por lhe exigir o que não tem, e um Sporting que embora com um plantel curto não lhe permitiu somar minutos, Francisco rumou a uma Liga da periferia da Europa, naquela que prometia ser uma aposta certeira.

Desde o nível do jogo do campeonato grego, até à aposta de um treinador português, sem ignorar o histórico de sucesso dos jogadores lusos – No AEK jogam André Simões (também médio centro – Jogador mais utilizado de todo o plantel, logo a seguir ao guarda redes), Paulinho (ex Desportivo de Chaves), Hélder Lopes, Nélson Oliveira e David Simão, as condições para que aos vinte e quatro anos (nada tarde) Francisco Geraldes desse o salto qualitativo no seu jogo e o catapultasse para a ribalta do futebol luso pareciam reunidas.

O último mês ficou uma vez mais marcado pelo desaparecimento da promessa lusa. Foram apenas 19 minutos (todas as acções no video em baixo) de presença em campo ao longo do último mês, e a certeza de que o impacto que teve no futebol jovem, e até numa competitiva Segunda Liga está bastante longe de se traduzir em rendimento. Não é tarde, contudo. Assim Francisco também não desista – Quem tem o seu potencial, pode de um momento para o outro virar as agulhas a uma carreira. Pior estará quem não tem talento.


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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 3681 artigos
Pedro Bouças - Licenciado em Educação Física e Desporto, Criador do "Lateral Esquerdo", tendo sido como Treinador Principal, Campeão Nacional Português (2x), vencedor da Taça de Portugal (2x), e da Supertaça de Futebol Feminino, bem como participado em 2 edições da Liga dos Campeões em três anos de futebol feminino. Treinador vencedor do Galardão de Mérito José Maria Pedroto - Treinador do ano para a ANTF (Associação Nacional de Treinadores de Futebol), e nomeado para as Quinas de Ouro (Prémio da Federação Portuguesa de Futebol), como melhor Treinador português no Futebol Feminino. Experiência como Professor de Futebol no Estádio Universitário de Lisboa, palestrante em diversas Universidades de Desporto, Cursos de Treinador e entidades creditadas pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Autor do livro "Construir uma Equipa Campeã", e Co-autor do livro "O Efeito Lage", ambos da Editora PrimeBooks Analista de futebol no Canal 11 e no Jornal Record.

5 Comentários

  1. Não passa de uma errada avaliação feita neste site, talvez levada por uma clubite exacerbada, bem na linha do que aqui em tempos foi dito sobre Ilori, Yuri Medeiros e outros…

  2. “Não é tarde, contudo. Assim Francisco também não desista – Quem tem o seu potencial, pode de um momento para o outro virar as agulhas a uma carreira. Pior estará quem não tem talento.”
    Excelente observação!
    Todos sabemos que na vida há aqueles momentos em que estamos no momento certo e no local certo com as pessoas certas… e também há exactamente o oposto…
    Na verdade talvez fosse interessante acrescentar as circunstancias/contextos que o Francisco tem vivido nestes 2 últimos anos no que diz respeito ao “erro” Alemanha mas também à grave lesão que ele lá viveu, a volta ao SCP num momento “especial” do clube e com o Bruno Fernandes a viver o seu melhor momento de sempre e agora a situação contratual no AEK onde já não está o Miguel Cardoso… (qual a vantagem do AEK em colocar o Francisco a jogar?).
    (em relação a este jogo do video, não poderia existir campo menos favorável ao seu jogo)
    O homem tem o mesmo talento que sempre teve e certamente algum contexto favorável chagará e aí acredito que veremos tudo o que sabemos que ele sabe fazer e fez quer no Moreirense quer no Rio Ave do M. Cardoso.

  3. Penso que está neste momento numa espiral descendente. A sua última ação no vídeo demonstra verdadeiramente o nível de confiança em que está. Em situações normais, este jogador nunca teria tido aquela ação. Este tipo de jogadores nunca se limita a enviar a bola para a área e depois vê o que dá. Há sempre uma intencionalidade. Ou seja, neste momento, ele tem tudo contra… Confiança a zero. oportunidades escasseiam. Quando as tem, as condições (terreno de jogo) não são as melhores. O nível da liga e consequentemente dos jogadores que o acompanham não é elevada… E a tendência não é para melhorar. Quanto mais baixo for o nível qualitativo mais dificuldade ele irá ter para se impor. Baixa a qualidade, aumenta a importância referente aos duelos, ao jogo físico, e essa não é a “praia” do geraldes. Do meu ponto de vista, se ele não conseguir aumentar os seus níveis de intensidade e com isto, participação mais efetiva (em todos os momentos do jogo) no jogo, não tem hipótese nenhuma. A qualidade que ele tem por si só não chega. Tem que o acompanhar uma vertente física que lhe permita ser consistente durante todo o jogo.

  4. Acompanho a carreira de FG há muito anos. Não é só um caso de talento, mas de classe e genialidade. Passou ao lado dos escalões de formação e nunca foi aposta de nenhum treinador sénior do Sporting. Não sei se o problema será do seu empresário (que conta com jogadores como Axel Witsel ou Idrissa Doumbia, sim esse mesmo), mas não é menos verdade que, por exemplo, no ano passado Chico Geraldes foi vítima de bullying por parte do treinador Marcel Keiser. Passou todo a época no banco, e no dia em que Wendel foi suspenso (Nacional, ultimo classificado, fora), preferiu colocar um outro trinco (Doumbia)a substituí-lo.
    Creio que merece ter um treinador que acredite nele, que o deixe errar. Recordo sempre Leonardo Jardim quando colocou a titular um jogador vindo da Bélgica, de seu nome William Carvalho, desde a primeira jornada, substituíndo na altura o indicutível Fito Rinaudo. O rapaz foi errando, errando, até se fixar como um trinco de classe mundial.
    Espero que FG regresse rapidamente deste pesadelo, depois do pesadelo de Frankfurt.

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