Como mudar a tendência de um jogo – Arsenal vs Chelsea

Arsenal vs Chelsea prometia ser um jogo interessante tacticamente, quanto mais não fosse pelo confronto de estruturas que veio efectivamente a acontecer.

Os gunners começaram no 4x2x3x1 habitual a privilegiar a saída curta de bola com o objectivo de fazer a circulação chegar até ao espaço entre a linha média e defensiva do Chelsea, onde estavam Ozil na meia-direita e Lacazette na meia-esquerda. Por outro lado, os blues tentaram contrariar esta dinâmica com um bloco médio disposto em 5x3x2 (Mount junto a Abraham na 1ª linha de pressão). 

Inicialmente o Chelsea até tinha superioridade no meio-campo, 3×2, mas as dificuldades surgiram em controlar a largura-espaço interior. O Arsenal colocava lateral e extremo a dar largura total, o que prendia os alas Emerson e Azpilicueta. Kanté à direita e William à esquerda tentavam condicionar o duplo-pivô gunner mas fruto do seu adiantamento a bola entrava nas costas, mesmo quando antes passava pelo lateral.

Nos primeiros 30 minutos chegaram com frequência ao último terço muito por força destas ligações.  O Arsenal soube aproveitar a desvantagem numérica que a sua circulação à largura criava no espaço onde estavam Willian e Kanté. A linha de 5 garantiu quase sempre ao Chelsea presença perto da sua área, a excepção foi um lance em que Ozil baixou muito e foi acompanhado por Tomori, mas sempre com dificuldades posicionais.

Aos 34 minutos Lampard altera e substitui Emerson por Jorginho, passando a jogar em 4x1x4x1 e o jogo mudou a tendência. Se antes o controlo da largura e do espaço entre linhas foram os grandes problemas do Chelsea, a partir da substituição passaram a ser os pontos fortes da pressão. Com a linha de 4 médios adiantada, a fazer lembrar os tempos de Sarri, a pressão começava a ser forte quando a bola entrava no lateral. Os dois médios centro  próximos do duplo-pivô do Arsenal e Jorginho atrás com a missão clara de acompanhar,e não deixar jogar, quem entrava no espaço entre linhas. Se juntarmos a esta situação uma posse de bola mais paciente e uma transição defensiva forte, podemos dizer que o Chelsea passou a ter um controlo maior do jogo.

Mesmo nos pontapés de baliza quando o extremo dividia o espaço entre central e lateral, para impedir que bola entrasse à largura, o posicionamento de Jorginho foi a chave pois impediu sempre Ozil de receber bola.

A questão das transições

O resultado, estar em desvantagem é sempre um bom tónico para se tentar dominar uma partida e a natural falta de consistência na aplicação das novas ideias de Arteta ajudaram, mas o Chelsea não conseguiria domínio territorial se cada vez que perdesse a bola o Arsenal tivesse tempo para atacar em boas condições. 

A equipa de Lampard mostrou competência na transição defensiva nomeadamente a partir do momento em que passou a utilizar o 4x1x4x1. Duas intenções claras: impedir o Arsenal de mudar corredor nos momentos seguintes ao ganho da bola, é visível pela orientação corporal dos jogadores blues o objectivo de impedir passes que alterassem o sentido da bola, e marcação individual às referências na frente, nomeadamente Lacazette, até porque este passou a ser um dos meios mais utilizados pelo Arsenal para tentar fugir à forte pressão exercida pelo Chelsea (já hoje, aqui este assunto foi abordado precisamente com um exemplo deste jogo).

É expectável que num futuro próximo o Arsenal, que está a começar um novo ciclo, tenha novas soluções para fazer frente à pressão adversária e não caia na armadilha de evitar jogar sistematicamente no corredor onde ganhou a bola, por exemplo. Mas isso não retira qualquer mérito à equipa de Lampard que mudou para melhor durante o jogo após uma abordagem inicial em que não conseguiu evitar as interessantes, e incipientes, dinâmicas que vão tentando ser implementadas estes dias por Arteta 

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