Manchester City – 45 minutos em Villa Park

Na semana passada os primeiros 45 minutos do Manchester City frente ao Aston Villa foram muito bons como prova o resultado ao intervalo 0-4.

O Aston Villa começou por apresentar a organização defensiva estruturada em 5x3x2, bloco médio. A ideia parecia passar por encaixar os dois avançados nos dois centrais e garantir  igualdade numérica no meio-campo, 3×3, salvaguardando sempre uma última linha bem composta. O 5x3x2 já foi usado por vários adversários frente ao City, e até com algum sucesso, mas com duas características fundamentais: bloco mais baixo que o do Aston Villa, com avançados próximos dos médios, para impedir jogo entre linhas, (naturalmente facilitado por só existirem 3 jogadores centrais no meio-campo) e a capacidade de impedir constantes trocas de flanco – algo que esta estrutura é teoricamente mais permeável. Ambos não foram prioridade para Dean Smith

A abordagem do City foi também um pouco diferente em relação ao passado recente. Ainda que as zonas de desequilíbrio estivessem claras, houve maior mobilidade e os jogadores não ficaram tão presos à distribuição inicial. Assim foi possível ver De Bruyne e Silva a alternarem entre estar no espaço entre linhas e de frente para a linha média do Aston Villa, a assimetria com Jesus à esquerda em espaços interiores na zona do avançado, permitindo o recuo de Aguero; enquanto Mahrez à direita sempre muito profundo, e a maioria das vezes a dar total largura, fixava o ala do seu lado.

O plano do City para este jogo passou essencialmente por aproveitar o espaço nas costas  dos 3 médios, ou dos dois alas quando estes se adiantavam na pressão, para a partir daí chegar ao último terço com perigo. A ideia era criar superioridade numérica na meia direita, já que com Cancelo e De Bruyne faziam situação de 2×1 contra o médio adversário (podemos contabilizar 3×2 se quisermos juntar Mahrez e o ala). Neste sentido, e com a ajuda de Rodri que foi essencial a ligar a equipa sempre no espaço nas costas dos dois avançados, o City causou bastante perigo por aí. Nota também para De Buyne que momentaneamente trocava com Mahrez e o argelino passava a estar entre linhas. Por outro lado, David Silva ficava em zonas centrais, podia pontualmente juntar-se à direita entre linhas, com o objectivo de ser a ligação caso fosse necessário mudar o corredor da jogada. Estes desequilibrios surgiram, regra geral, após uma sequência de passes que “convidavam” os jogadores do Aston Villa a saltar na pressão para depois jogarem nas suas costas: Fernandinho e Stones foram especialmente importantes a direccionar a bola em zonas mais recuadas

No último terço City também procurou mais o passe vertical e combinações entre linhas. Novamente muita mobilidade e complementaridade de movimentos entre arrastar adversários e aproximar para receber. Tentaram sempre ter 3 jogadores nesse espaço também para facilitar a vida a quem aí recebia a bola, pois tinha apoio próximo (muitas vezes já a tentar ruptura nas costas da defesa) para dar continuidade à jogada

Um aspecto essencial no ataque ao último terço foi o ataque à profundidade dos jogadores mais adiantados quando um colega enquadrava com espaço para conduzir. Pese embora algum demérito do Aston Villa, a forma como os jogadores do City foram rápidos a arrastar marcação permitiu ao portador da bola ter espaço para definir, e finalizar, no último terço. Estes movimentos foram essenciais no 1º e 3º golos.

O adversário demorou a adaptar-se mas os fica a nota de uns primeiros 45 minutos de excelência do Manchester City, com a novidade a consistir na maior mobilidade dada por Guardiola à sua dinâmica

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