Hegemania

Nada de novo aqui. Só a enésima repetição de um fenómeno já mais que visitado e revisitado por Benfica e FC Porto. Vantagem, enorme, para os encarnados no que diz respeito a visitas e recepções por este campeonato afora, desvantagem incrível no que concerne às chamadas etapas de montanha do futebol nacional (e internacional). Nada de novo, portanto, até porque dados os dois fenómenos (a gula contra uns e a magreza contra outros) será sempre preciso relativizar a importância de um clássico que, embaralhado e voltado a dar, poderá pesar pouco nas contas de um título (que será por certo) decidido nas outras jornadas. Isto porque não é só o Benfica a sofrer de fenómenos já vistos e revistos. É que o gigantismo que vitamina os dragões contra o Benfica não tem (tido) continuação na batalha pela regularidade que decide Ligas. Sendo que deslizes, aqui e ali, deitam por terra o esforço clássico da equipa de Sérgio Conceição. E se será assim nesta edição, não sabemos. Mas não surpreenderia, a julgar pela história recente, que o FC Porto não encontre a fórmula vitoriosa numa qualquer deslocação que por aí venha e que os encarnados vão somando vitórias, umas atrás das outras.

Sérgio Oliveira e Chiquinho em caminhos opostos no lance que originou o primeiro golo do jogo


Assim, e a precisar obrigatoriamente de ganhar, este era um clássico com muito mais peso emocional para o FC Porto. Talvez por isso só uma vitória (absolutamente) convincente pudesse criar mossa numa estrutura que só encontra travão quando o dragão se lhe põe à frente. Sim, o FC Porto tem sido o foco de resistência para a Liga Portuguesa não se tornar uma versão da Liga Francesa (com mais paragens e menos tempo de jogo útil). O Benfica dizima adversários por aí afora, e mesmo quando as exibiçoes são medíocres (ou mesmo fracas) a eficácia própria, e a ineficácia dos adversários, deixa que uma equipa nada sensacional (a não ser na inacreditável eficácia) possa chegar à fenómenal soma de 96 pontos no final da época – isto se mantiver o que tem feito até agora. Só na mente do Dragao, sublinhe-se e repita-se, o campeão vai nu e a hegemonia é uma ilusão. Se assim será na realidade, nao o podemos confirmar (porque os números do Benfica são mesmo, mesmo, arrebatadores) mas que o FC Porto não se assusta com eles, no confronto directo, isso é mais que real.

Movimentos de Rafa foram sempre uma dor de cabeça para o FC Porto, especialmente pela conexão com Vinícius num 2-2 com os centrais – como visto na jogada do empate


Talvez todos os outros treinadores, que não Sérgio Conceiçao, vejam também o elevado número de oportunidades que, jogo a jogo, o campeão vai concedendo. Talvez vejam que a inabilidade e ineficácia dos adversários tem dado uma ajuda (daquelas) no que concerne aos fantásticos números de um Benfica longe da frescura e autoridade da época passada. Talvez. Mas tem sido Sérgio o mais capaz a fazer disso vantagem. Sim, ontem [sábado] o FC Porto criou as oportunidades da praxe que o Benfica concede e, espante-se a Liga Portuguesa, marcou em três delas. Suficiente para travar um Benfica que, como sempre, deu a espectacular resposta com que brinda os seus adversários. Sem precisar de criar muito, sem precisar de domínio constante, de superioridade nos duelos ou de coisa que o valha, Vinícius encarnou o espírito de Cardozo, Mitroglou, Jiménez e Jonas. E marca, marca, marca. E se não fosse ele, seria Rafa (que foi também parte importantíssima nos dois golos encarnados). E se não fossem estes dois… seria Pizzi (ops… brincadeira! não num jogo destes!).

E, mais do que nas abordagens estratégicas e até na escolha dos onzes, o foco mental recaíria sempre no ênfase da importancia da eficácia. Só assim, diga-se, o FC Porto poderia pausar, pelo menos por uma jornada, um combóio que a este ritmo só parará no Marques. Diga-se o que se disser, será impossível que o Benfica (a manter o ritmo) possa perder esta Liga. Daí que restava ao Porto jogar as chances que tinha no último confronto da época. Ganhar, reduzir a desvantagem (e poder jogar com o confronto directo em caso de empate pontual) mas sobretudo (e não menos importante!) poder meter uma pedra na engrenagem mental que dirige o Benfica para o Marquês. E se os dois primeiros objectivos foram cumpridos, só um debacle monumental da equipa de Lage poderia fazer com que o FC Porto augurasse o terceiro, fazendo deste clássico uma bandeira para o que resta da época tornando-o num pica miolos que assolasse o Benfica para as jornadas vindouras.

A balança pesava para o lado esquerdo da defesa do Benfica. Equipa parece partida e Marega é mais rápido a ler a jogada do que Ferro. Maliano segue já embalado enquanto o defesa ainda não se virou na totalidade


Algo que não aconteceu. E não aconteceu porque a diferença entre as duas equipas – por mais que papagaio aqui e papagaio além fale de superioridades evidentes, hegemonias e décadas-luz de diferença de qualidade – a diferença entre as duas equipas, dizia, é pouca ou quase nenhuma. Aliás, em confronto directo, uma parece ser o antídoto da outra, como confirmam quatro dos cinco golos da noite que, relativamente, não decidiu nada. Se o FC Porto encontrou vantagem por um lado que faz o Benfica coxear defensivamente, também a panóplia de movimentaçoes encarnadas (movimentos entre-linhas, muita procura de ligar pelo centro) parece fazer tremer o dragão. E sejam as diagonais de Marega, ou o espírito vagabundo de Rafa, fez-se o resultado que se fez porque, ainda assim, foi o FC Porto quem mais proveito foi tirando do que criou e do que evitou que o Benfica criasse – especialmente no 1.º tempo.

Se as diagonais de Marega causaram mossa, que dizer das de Rafa. Bola de Rúben Dias(!) vai confundir a despreparada defesa portista para a entrada do extremo

Negando a saída-de-bola que Lage preparou (3-4-3 com Weigl a baixar, Chiquinho ao lado de Taraabt e Rafa, Vinícius e Pizzi na frente) e forçando à bola longa ou à intercepção central das tentativas, o FC Porto levou o jogo para onde o quinteto criativo do Benfica não era, de todo, útil. Levando o jogo para aí, ganhando a 2.ª bola, tapando saídas e conseguindo marcar três golos, o dragão agigantou-se uma vez mais. Não muito, claro, porque o Benfica tem algo que é absolutamente fenómenal e que já dura há largos anos. Nem com toda a superioridade do primeiro tempo, lembro, pôde o FC Porto impedir que o Benfica marcasse. E se o fez na primeira-parte onde praticamente não incomodou Marchesín, que havia de dizer na segunda metade, onde o FC Porto lhe concedeu a iniciativa deixando que a estratégia de Lage desse ares da sua graça. E antes que Rúben Dias pudesse de novo ligar jogo pelo centro (para encontrar Rafa a tabelar com o matador Vinícius – 50′) ficou avisado Conceição para que a bola que o Benfica continuou a ter não causasse mossa permanente nas esperanças dos azuis-e-brancos. E foi de Otávio em riste (que haveria de ceder o lugar a Vitinha) à frente de Uribe e Sérgio Oliveira (com Manafá na lateral e Corona a dar critério mais adiantado) que o FC Porto haveria de resistir ao domínio territorial, ao assédio (que criou uma oportunidade para Seferovic e um remate ao lado de Chiquinho) e à catrafada de avançados do Benfica- não sem ainda poder cheirar também a ilusão de um 4-2 que não se ajustaria à (real) diferença entre as equipas.

Esta é a enésima história de um confronto directo entre o Benfica hegemónico e o Porto da resistência. Que peso terá no desfecho final não saberemos. Que indica pistas há muito vistas de que o Benfica não se dá bem com a falta de reverencia, já sabemos. Que impede que o FC Porto não tropece outra vez pelas Matas Reais, Municipais e Complexos, também já estamos fartos de o saber que, muito provavelmente, não. Será assim um clássico com efeito carpe-diem. Hoje é um novo dia, o sol nasceu e pôr-se-á como normalmente. Há que desapegar da folga à monotonia que o mesmo [clássico] nos trouxe e regressar ao velho daily grind de sempre – esperando e rezando os portistas que este se altere e esperando e rezando os benfiquistas para que este se mantenha. O que é o mesmo que dizer que uns adorariam revisitá-lo, e outros relativizá-lo. Em maio saberemos se as visitas de youtube a estes 5 golos aumentam exponencialmente, ou se os mesmos ficarão parados no tempo, no limbo dos vice-campeões.

FC Porto-SL Benfica, 3-2 (Sérgio Oliveira 10, Alex Telles g.p. 38 e Rúben Dias a.g. 44; Vinícius 18 e 50)

15 Comentários

  1. Muito bom texto de facto!

    Um Benfica hiper forte em 90% dos jogos do campeonato e com demasiadas debilidades contra os mais ao seu nível tanto cá como fora. O meu diagnóstico mantêm-se: nos 90% dos jogos a equipa joga estendida e assim cria espaços para ganhar aos adversários mais fracos e disfarça debilidades na falta de capacidade dos adversários; contra equipas mais capazes é vítima de não saber apertar e estender de forma eficaz quando o jogo vai pedindo.

    O Porto sabe tocar a reunir em certos momentos mas é demasiado irregular.

    Vamos ver como corre agora, sabendo o Porto que tem fôlego renovado e sabendo o Benfica que tem maior pressão a cada jogo e tendo um grande Braga já em breve pela frente.

  2. Bom dia Brian.
    Em primeiro lugar excelente post como sempre!
    Gostava de te perguntar (numa altura em que só se fala do Ferro) se não achas o Grimaldo demasiado permeável.
    Estive no estádio a ver o jogo, e deu me a clara sensação que quer o Otávio quer o Corona tiveram demasiada facilidade em ultrapassa lo. Para além disso pareceu me que muitas das vezes fechou mal o espaço interior, expondo demais as Taís fragilidades do Ferro. Tendo o Alex Teles como defesa esquerdo, o Ferro comprometeria tanto?
    Abraço

    • Olá, Francisco!

      Muito obrigado pelas palavras. É sempre bom lê-las, ainda mais numa altura, e depois de um jogo em que as paixões exacerbadas pelos clubes se fazem sentir.

      Falando individualmente não acho que seja fácil encontrar algum lateral esquerdo que te dê aquilo que o Grimaldo dá ofensivamente e que ainda por cima seja bastante completo a defender. A comparação óbvia será com Alex Telles, mas não a acho justa por ser claramente uma exceção. Hoje, laterais como o Alex valerão milhões incomportáveis para a realidade portuguesa. Uma comparação mais justa seria com a lateral direita do Porto que desde que o Ricardo rumou a Leicester se encontra à deriva – prescindindo até do melhor jogador do Porto na frente de ataque. Já por lá andou Corona, já por lá andou Militão, com prejuízos incalculáveis no bom jogo azul e branco.

      Colectivamente esse problema pode ser corrigido. Mas sendo o Benfica uma equipa que tem a sua maior força em transição e na eficácia que tira das chegadas à área, penso que tentando tapar esse buraco poderia perder o que de melhor tem a saída. É que Bruno Lage sabe de todos os problemas do Benfica bem melhor do que nós, sendo que as suas escolhas têm sempre um ponto de vantagem e uma intenção.

      É sempre uma questão de manta curta. Mesmo o Manchester City, com todos os seus milhões, não consegue resolver todas as ‘falhas’. E Bruno Lage tem feito um excelente trabalho a disfarçar aquelas que tem o Benfica. Bem sei que a maioria dos adeptos pensará que resolveria facilmente, mas neste caso compreendo a ideia que Lage levou ao Dragão. É que mesmo montando a equipa mais combativa que tivesse no plantel perderia sempre nesse capítulo para o Porto. Poderia proteger Grimaldo mas poderia perder a sua maior valia. Não sei qual escolheria sinceramente 🙂

      • Já agora e tendo em consideração a questão “lateral” aqui levantada, não apresentam quer Porto, quer Benfica, plantéis bastantes e suficientemente versáteis para, em determinadas partidas jogarem confortavelmente num esquema de 3 defesas “centrais” e dois falsos laterais? Parece-me evidente que uma decisão que recaia sobre essa opção obriga a ser criterioso na escolha dos jogadores para o miolo, mas ao mesmo tempo parece-me que qualquer um dos treinadores deixaria de ter que “queimar” uma substituição para resolver eventuais desequilíbrios no decorrer do jogo; bastaria mudar as peças.

        Mantendo a questão nos laterais, mas um pouco off-topic: apregoadas as dificuldades financeiras do Sporting no mercado e a necessidade de se adquirir com critério, se a opção não passar por subir jovens da formação, não achas que seria uma mais-valia a inclusão nas laterais de jogadores como Sequeira (Braga) (e no pressuposto de que Acuña deixa de ser defesa) e Anzai (Portimonense), sendo que Borja deixa muito a desejar, Rosier parece prometer e não desenvolver e Ristovski é apenas muita vontade e músculo e pouco mais?

        Parabéns pelo texto!

        • Obrigado, Jorge 🙂

          Percebo a questão do sistema mas sendo o tópico um jogo deste tipo acho que seria muito difícil alguém apostar nesse desenho.

          Co Adriaanse, por exemplo, usou algo parecido para não prescindir de três médios e de uma presença massiva na frente de ataque. Bem sabemos que o 433 oferece o tal controle a meio-campo mas pode ficar algo leve na frente. Isto num campeonato em que se pretende que os grandes passem muito tempo perto do último terço. A mudança para o 442 como sistema principal terá a ver com isso – algo que Jorge Jesus percebeu muito bem.

          Co Adriaanse, dizia, conseguiu vencer assim uma Liga. Mas essas épocas pouco têm a ver com estas onde são precisas pontuações a rondar os 90 pontos para se augurar a ganhar a Liga. Já para não falar na evolução táctica e estratégica que hoje, seguramente, dizimaria muitas vezes a ideia do holandês. No entanto, a conversa é boa, principalmente para um FCP que consegue registos bastante interessantes em jogos deste calibre, do que consegue em jogos que lhe pedem mais solução ofensiva. Já o Benfica desequilibra-se nestes jogos mas a sua fluidez, presença e alegria ofensiva (já para não falar de uma eficácia assombrosa) são a chave para pontuações extraordinárias na Liga.

          Sobre o Sporting e as outras equipas da Liga o meu conhecimento é reduzido e não me permite falar com propriedade. O tempo que me sobra deixa-me acompanhar a decisão pelo título em Portugal e dar umas vistas de olhos pelo Sporting, Braga, Guimarães e Rio Ave. Mas jogos completos vejo, neste momento, os do Porto e Benfica. Daí os meus posts serem maioritariamente sobre estes dois ou sobre alguns jogos da Premier.

          Abraço

          • Certíssimo! Só dizer que quando lancei o tema da defesa a três, apesar de ter partido deste jogo concreto, pensei na generalidade dos jogos, já que compreendo que seria um potencial suicídio para qualquer um dos treinadores fazê-lo no clássico (e sim, muito mais bem apetrechado o Porto para isso, se bem que não desdenharia ver o Samaris ou – riam-se – o André Almeida no meio de uma defesa). Também concordo com a ideia de um 4x3x3 potencialmente “leve” na frente, sobretudo para equipas que vão passar a maior parte dos jogos em cima do adversário. Claro que conseguindo emular (assim de cabeça) um trio estilo Keane x Butt x Scholes, já para não falar em Busquets x Xavi x Iniesta, carregue-se na frente com o que se quiser! Percebo e concordo com a referência de contexto ao Adriaanse e muitas vezes em simples apreciações de futebol (seja a um jogador, a uma equipa, a um sistema…) a contextualização faz muita falta: os tempos mudam. Uma breve referência à frase sobre o Sporting que para mim diz muita coisa: mais do que derrotas, como sportinguista, custa-me muito mais (embora tenha que compreender) ler essa decisão de ver Porto e Benfica e “passar os olhos” pelos outros e ver o meu clube no saco dos “outros”. Obrigado pelo feedback uma vez mais.

          • Exacto, seria uma abordagem diferente que pode muito bem resultar em vários jogos da Liga. Uma Liga que, diga-se bem precisa de diferentes variantes a todos os níveis. Não desdenharia ver essa abordagem ainda que hoje em dia muito do ataque posicional já se faça em desenhos parecidos.

            Compreendo que alguém não ver o Sporting possa parecer desdém, mas é mesmo falta de tempo. Quase que sou forçado a ver só Benfica e Porto porque não tenho tido tempo para mais. Ou então, fosse esta a época em que o JJ faz 86 pontos e eu veria Sporting e Benfica. É mesmo só por isso, até porque na Liga Europa continuo a ver – só não me permite grande conhecimento sobre as rotinas da equipa

      • “É sempre uma questão de manta curta. Mesmo o Manchester City, com todos os seus milhões, não consegue resolver todas as ‘falhas’. E Bruno Lage tem feito um excelente trabalho a disfarçar aquelas que tem o Benfica. Bem sei que a maioria dos adeptos pensará que resolveria facilmente, mas neste caso compreendo a ideia que Lage levou ao Dragão. É que mesmo montando a equipa mais combativa que tivesse no plantel perderia sempre nesse capítulo para o Porto. Poderia proteger Grimaldo mas poderia perder a sua maior valia. Não sei qual escolheria sinceramente 🙂”

        Exacto! Tenho a mesma opinião. O Lage sabe onde estão os problemas mas com a materia prima actual qualquer tentativa de os resolver iria ter um preço talvez demasiado alto a pagar naquilo que são os pontos “fortes” da equipa.

        Para o futuro é preciso que a estrutura seja capaz de encontrar materia prima com capacidade para corrigir os pontos fracos sem que isso tenha um custo elevado ao nível dos pontos fortes. Já deram um tiro (a meu ver certeiro) nesse sentido com a contratação do Weigl. Resta continuarem com o mesmo critério e capacidade nos proximos mercados.

        A única coisa que me custa a aceitar, embora compreenda, é a presença do Pizzi no 11 nestes jogos…

        • A presença do Pizzi vai de encontro à conversa que temos tido. Como é que se mantém o registo do Pizzi nos jogos em que ele decide se de cada vez que temos um jogo mais difícil o tiramos? Não acredito que os níveis de motivação e desejo que o fazem ser extremamente útil na maioria dos jogos se mantivessem se o tiras da equipa nos jogos mais importantes da época.

          Provavelmente o que aconteceria era, se o Benfica perdesse, criticarem o Lage por não meter o jogador que mais rendimento tem nos outros jogos.

          Temos que perceber que para o Benfica manter certas e extraordinárias valências tem que prescindir de outras. Um dia todos os que pedem essa equipa mais equilibrada e consciente vão ter saudades das goleadas.

          Rafa e Pizzi não ganham duelos e não baixam tanto para terem bola quando o Benfica a ganha. Isto tem dado campeonatos e permitido que eles vão ficando pela Luz. Fossem extraordinários a atacar e incríveis a defender e já há muito teriam saído para Inglaterra ou Espanha. E cada vez vai ser mais difícil vermos esses por cá, visto que agora já nem os bons valores que aparecem em Braga ou Guimarães os grandes podem comprar – veja-se Tapsoba ou Trincão.

      • Brian muito obrigado pela resposta!!
        É sempre bom verificarmos que felizmente ainda há sítios onde se fala do futebol propriamente dito, e ainda temos interação com quem percebe.
        Um abraço e continuação de bom trabalho!!

  3. O texto é excelente e bem escrito. É bom ter um espaço assim em português. Permita-me discordar de dois dados muito concretos. Quando em comentário ao post anterior escrevi que o campeão vai nú, essa opinião não é apenas referente aos confrontos com o Porto (que efetivamente parece a única equipa capaz de impedir a liga de se transformar numa monotonia infindável), mas também aos confrontos de várias épocas com equipas europeias mais ou menos fortes (lembre-se Basileia, entre outros casos menos gritantes). Como se explica que a equipa de 96 por pontos ano e de massacre semana a semana produza os resultados que todos conhecemos quando defrontam equipas europeias. E como é evidente não me refiro aos confrontos com colossos europeus, mas apenas àqueles com equipas de igual ou menor valia individual. O outro aspecto que discordo no texto prende-se com a análise ao primeiro golo do Benfica. Foi uma oferta do redes e sem isso o Benfica chegaria ao intervalo sem marcar e com maior desiquilíbrio no resultado. Na restante análise não posso estar mais de acordo. Abraço

    • Olá, JM! Obrigado pelas palavras 🙂

      Acho que o texto toca nesse ponto que referes, ainda que, mesmo assim, não retire o mérito ao Benfica quando as exibições não têm correspondência com as exibições. É um facto, sem dúvida. Como também é, para mim, que algo devem estar a fazer bem – até porque a elevada dose de eficácia não é de agora, pois já beneficiaram dela JJ, RV e BL.

      “O Benfica dizima adversários por aí afora, e mesmo quando as exibiçoes são medíocres (ou mesmo fracas) a eficácia própria, e a ineficácia dos adversários, deixa que uma equipa nada sensacional (a não ser na inacreditável eficácia) possa chegar à fenómenal soma de 96 pontos no final da época – isto se mantiver o que tem feito até agora.”

      Grande abraço

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