CRIATIVIDADE VS CRIATIVIDADE: a nova regra do pontapé-de-baliza num jogo de “possibilidades e probabilidades”:

A nova lei do pontapé-de-baliza trouxe-nos várias novidades, principalmente a possibilidade de criar e de inovar! Também nos trouxe novos problemas e novas soluções, quer ofensivas, quer defensivas. 

Mas, sejamos claros, para quem não pressiona alto no pontapé-de-baliza e/ou para quem não procura sair curto a partir de lá, esta nova lei poucas ou nenhumas alterações trouxe. Vejamos o exemplo da Lazio contra o Napoles:

Para refletirmos sobre as vantagens e as desvantagens, sobre os problemas e as soluções, vamos considerar todas as equipas que pressionam alto e todas as equipas que procuram sair curto no pontapé-de-baliza. Como recentemente afirmou o Mister Fernando Valente, o Futebol é um jogo de possibilidades e probabilidades. Com esta nova regra, a possibilidade de sair a jogar curto aumentou e por isso a probabilidade de o fazer também. Na anterior regra não havia um espaço limitado para a equipa em posse (na atual, os jogadores da equipa em posse podem estar dentro da área e os do adversário não). Portanto, os defesas estavam mais próximos para pressionar. Com esta nova regra “é preciso aumentar o número de jogadores utilizados para pressionar mais alto” (Mister Luís Castro, formação ANTF).

O exemplo do Napoles é paradigmático. Em algumas situações utiliza 5 jogadores dentro de área (GR + 2 DC’S + 2 MC’S) mais dois apoios por fora (2 LAT’s). Ficam com 4 jogadores a ocupar o espaço em zonas mais altas (MC + ALAS + AV). Por outro lado, Lazio, Juventus, Sampdoria e Inter defendem de formas diferentes. Mas que vantagens isto traz? E que desvantagens?

Se não quisermos socorrermo-nos das individualidades temos que procurar criar superioridades nos diferentes espaços do campo. Ofensivamente, pretendemos atrair o nosso adversário para depois descobrirmos outros espaços, mas com isso vamos aproximar o jogo da nossa baliza, sendo que o risco de perder a bola perto da nossa área é muito maior. Por outro lado, vamos criar espaços e ter situações de igualdade ou reduzida inferioridade em zonas mais altas. Então, a ideia será aproveitarmos a superioridade em zonas baixas, próximas da nossa baliza, para progredirmos e descobrirmos os espaços criados em zonas mais avançadas. No fundo, estamos a criar outras possibilidades para aumentarmos a probabilidade de fazermos golo. Cada vez mais vemos a maior parte das equipas a defender com muitos jogadores atrás da linha da bola, por isso é mais difícil criarmos superioridade numérica em ataque organizado. Defensivamente, estamos mais longe da nossa baliza, mas por outro lado somos “obrigados” a encostar e dividir nas soluções de saída do nosso adversário, a posicionar mais gente à frente, o que implica estarmos mais expostos atrás. Ainda assim, a probabilidade de recuperarmos bola perto da baliza adversária é bem maior.

Será então uma boa opção? Depende! Depende das ideias de cada treinador, depende dos jogadores à disposição, depende do contexto, depende da estratégia para cada jogo… E tu? O que achas?

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Sobre PabloAimar 2 artigos
João Pedro Magalhães: Apaixonado pelo jogo e pelo treino. Fez o mestrado em Ciências da Educação Física e Desporto - Especialização em Treino Desportivo. Atualmente desempenha as funções de treinador adjunto e analista de jogo no Al Taawoun, clube da 1ª Liga da Arábia Saudita.

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