Organização Ofensiva e o momento seguinte – A Perda

2020-03-01 21:12:00 AMSTERDAM - Oussama Idrissi van AZ verschalkt Sergino Dest van Ajax. Ajax speelt in de eredivisie tegen AZ. ANP OLAF KRAAK

Atualmente, muitas equipas apresentam um modelo de jogo com uma intencionalidade clara de o dominar, controlando a posse da bola, preferencialmente no meio campo ofensivo e através de um jogo apoiado e associativo. Assim, é fundamental entender as responsabilidades e necessidades que um modelo de jogo com estas características acarreta. Ao ter posse de bola no meio campo do adversário, é recorrente que as equipas envolvam grande parte dos seus elementos no processo ofensivo. Neste sentido, é fundamental uma reação e sincronização macro no momento de perda de bola, de forma a impedir o êxito do adversário quando este a recupera.

“Penso que, quando se possui a bola, também tem que se pensar defensivamente o jogo.”

(Mourinho, citado por. Amieiro, 2007, p.131-132)

Vítor Pereira, numa recente entrevista ao programa “Quarentena da Bola”, afirmou: “quando eu vou ver o jogo (…) normalmente os meus olhos estão no momento seguinte, não estão no momento atual. Se a equipa tem bola, os meus olhos, como treinador, (…) estão no momento de perda de bola. Se a equipa está equilibrada ou não está equilibrada.”.  A natureza inquebrável do jogo de futebol obriga a uma conexão total dos 11 jogadores. Independentemente da sua posição e distância da bola, todos os jogadores devem estar conscientes da sua função nos diferentes momentos do jogo. As funções sofrem constantes mutações e os jogadores devem ser capazes de se adaptar a estas variações. É fundamental entenderem que podem ajudar sempre a sua equipa e essa colaboração nem sempre implica estar em contacto com a bola ou estar nas zonas próximas da mesma. 

A transição defensiva assume uma grande especificidade em função do contexto em que sucede. Carlos Carvalhal, num dos seminários online promovido pela ANTF, confessou: “Não quero uma equipa de posse que, no momento da perda de bola, tenha sempre o mesmo comportamento.”. As equipas devem saber interpretar este momento de forma a reduzir as hipóteses de sucesso do adversário na transição ofensiva, seja através de uma pressão imediata no portador da bola e nas áreas circundantes, caso a equipa esteja organizada e equilibrada, ou através de uma reorganização defensiva num bloco mais baixo, neste caso se a equipa se encontrar desorganizada.

O vídeo seguinte demonstra as dificuldades que o Ajax sentiu no momento da perda de bola no jogo contra o AZ Alkmaar, jogo que colocou frente a frente o primeiro e o segundo classificados da Eredivise. A equipa do AZ conseguiu chegar a situações de finalização através de transições ofensivas bem executadas, tendo inclusive chegado ao primeiro golo dessa forma, acabando por ganhar o jogo por 0-2.

A equipa do Ajax apresentou défices de equilíbrio ofensivo, dificuldades na interpretação do momento de perda de bola, nomeadamente nos timings de pressão, e falta de agressividade no momento da pressão.

“A nossa equipa vai ser, nitidamente, uma equipa de posse. Mas eu não quero que a minha equipa seja só boa a fazer posse, quero uma equipa que tenha uma boa capacidade de fazer uma posse agressiva, mas que tenha capacidade de estar equilibrada no momento de perda de bola, para a poder ganhar outra vez.” (Carlos Carvalhal, seminário online ANTF). 

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AlvaroRecoba
Sobre AlvaroRecoba 4 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto, Mestre em Ciências da Educação Física e Desporto - Especialização em Treino Desportivo e Treinador UEFA B. Atualmente, desempenho funções de Treinador Adjunto e Analista no Berço Sport Clube, clube que disputa o Campeonato Portugal. Frederico Nunes

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