Serão as melhores equipas as mais completas?

O jogo de Futebol exige tudo. Exige que as equipas tenham a capacidade quase espontânea de responder às constantes necessidades que o jogo impõem. Só isso as torna mais completas. Há um binómio determinante: as equipas devem ter um modelo de jogo próprio e que define o seu jogar, mas também devem compreender o jogo como um modelo por si só.

Pensemos no contexto de um estudante. Comparemos uma equipa incompleta a um estudante que apenas estuda algumas partes da matéria que irá ser avaliada. Há algo que é crucial, que é matéria que o teste pode conter e que o estudante nunca pode controlar. E isso pode influenciar o seu sucesso ou insucesso. Se o teste tiver a matéria que ele estudou, provavelmente irá passar, caso contrário estará condenado ao insucesso. Agora vejamos no futebol. Equipas que, para atingirem a vitória, dependam do contexto de um jogo em particular e não dos seus recursos, serão, com certeza, incompletas.

Usemos como exemplo as declarações do Treinador Carlos Carvalhal ao seminário online da ANTF e o jogo do Rio Ave contra o SC Braga, a contar para 29º jornada da Liga NOS, como modelo de observação. Carlos Carvalhal reconheceu que a sua equipa tem de ser capaz de fazer muitas coisas bem e, como treinador, o seu papel passa por preparar a equipa para uma resposta eficaz para qualquer eventualidade. Falando na sua passagem por Inglaterra, Carvalhal referiu que o Tottenham, como equipa, não era completa, afirmando que: “Tu sentias que podias fazer um golo ao Tottenham. Porquê? Porque eles eram muito bons a fazer algumas coisas, mas eram fracos, por exemplo, a equilibrar-se e a transitar defensivamente (…), portanto não eram uma equipa completa”.

No momento da Organização Ofensiva, Carlos Carvalhal afirma: “Eu gosto da posse de bola mais agressiva, a posse de bola que bate por dentro das equipas, que consiga ir lá dentro e que as faça fechar, para depois ir para fora”. No vídeo seguinte podemos observar a capacidade de jogar em “posse agressiva” e de ligar o jogo por dentro, para depois ir por fora à procura do golo. Por outro lado, podemos ver a equipa do Rio Ave a sair longo pelo central e a alcançar o objetivo máximo de um jogo de futebol, o golo. 

No momento da Organização Defensiva, Carlos Carvalhal afirma: “Quero que a minha seja boa a fazer tudo, seja boa a defender à frente, no meio e atrás”. No vídeo seguinte observamos a equipa do Rio Ave a conseguir fazer isso, defendendo com sucesso nas três zonas enunciadas. 

Já sobre a Transição Ofensiva, Carlos Carvalhal confessa que quer uma equipa que saiba “no momento de ganhar a bola, utilizar o espaço e ter comportamentos diferentes”. No vídeo seguinte vemos a equipa a transitar ofensivamente de diferentes formas, em função da zona onde recuperaram a bola e as condições com que o fizeram.

Carvalhal reafirma que não quer uma equipa que “no momento da perda de bola, tenha sempre o mesmo comportamento”. No vídeo seguinte da Transição Defensiva vemos a equipa a reagir à perda de diferentes formas. Com uma pressão no portador da bola e através de uma reorganização defensiva. 

Será que o sucesso da época do Rio Ave reside nesta premissa, que as equipas completas são as melhores?

Follow
Follow
Sobre AlvaroRecoba 11 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto, Mestre em Ciências da Educação Física e Desporto - Especialização em Treino Desportivo e Treinador UEFA B. Atualmente, desempenho funções de Treinador Adjunto e Analista no Berço Sport Clube, clube que disputa o Campeonato Portugal. Frederico Nunes

1 Comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*