A Arte de Finalizar

O Vitória S.C. já demonstrou ao longo desta época ser claramente uma equipa de predominância ofensiva, construindo várias ocasiões de golo no decorrer dos seus jogos. Vamos assistir à forma como os seus jogadores reagem quando a bola se encontra num dos corredores laterais.

Ivo Vieira já deu a conhecer que dá uma grande preponderância ao processo ofensivo, mesmo no início das suas épocas, quando muitos outros treinadores dão prioridade à organização defensiva.

“O meu processo de treino, no período preparatório, é sempre iniciado pela fase ofensiva”

Ivo Vieira (Canal 11, 20/01/2020)

O meu foco neste vídeo será somente nas respostas que a equipa dá em situações de ataque por um dos corredores laterais, sendo que muitos deles têm o cruzamento como meio preferencial para chegar à área. É possível ver variabilidade no tipo de cruzamento, quer seja rasteiro, quer seja pelo ar, assim como pode ser feito da linha de fundo, como de uma posição mais recuada, como o chamado cruzamento das meias. Além do cruzamento e sabendo previamente que os Extremos (ou Alas – como preferirem) do Vitória S.C. tendencialmente são invertidos, ou seja, jogam num corredor lateral contrário ao seu pé dominante (o que na minha opinião traz mais soluções aos jogadores – mas isto é apenas a minha forma de entender o jogo), o que permite que uma delas seja a incursão interior em condução para terminar com finalização.

É de facto uma forma de jogar que se torna cativante para o típico adepto de Futebol, pois o Vitória S.C. coloca sempre vários homens em zonas de finalização. Do ponto de vista de um Treinador, que procura ter a equipa equilibrada e preparada para a perda, por vezes, caso a finalização não ocorra com sucesso e a bola fique na posse do adversário, se a equipa não tiver preparada para a transição defensiva, o adversário pode aproveitar e conseguir alguns contra-ataques que se tornem perigosos para o Vitória S.C. (algo que tem acontecido por vezes). No entanto, esta matriz de jogo de Ivo Vieira tem proporcionado aos espectadores bons momentos como aqueles que aqui trago relativos aos últimos 10 jogos.

Embora este não seja o melhor período do Vitória S.C., já foi possível perceber que estamos perante grandes intervenientes no jogo e que esta equipa tem qualidade para ocupar posições mais de acordo com a dimensão do clube.

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Zidane
Sobre Zidane 9 artigos
André Azevedo. Treinador de Futebol (UEFA B). Licenciado em Educação Física. Mestre em Ciências do Desporto (Especialização em Alto Rendimento). Experiência como Treinador-Adjunto e Principal de escalões de Formação, assim como Analista, Preparador Físico e Treinador-Adjunto no Futebol Sénior em contextos como CD Tondela, FC Paços de Ferreira e Seleção Nacional de Moçambique, respectivamente.

4 Comentários

  1. Bom dia! Na fase de criação ofensiva, parece-me que o Vitória sente mais dificuldades, e que ao longo da época os adversários foram provocando esse momento. Por outro lado, o que é a grande qualidade dessa pressão alta acaba por ser o nemesis da equipa quando sofre contra ataques, especialmente desde a saída do Tapsoba. Nenhum dos centrais é brilhante com a bola nos pés, nem têm características para jogar com uma linha tão subida, e nota-se que além disso por vezes falta ajuda do meio campo. O que sugerias nesta fase?

    • Olá José! Tapsoba foi sem dúvida um jogador que acrescentou ao jogo do Vitória SC bastante, seja no momento defensivo, como no ofensivo… No entanto, reconheço que nenhum dos DC que Ivo Vieira tem utilizado são equivalentes ao Tapsoba com bola, mas também não é fácil sê-lo e poucos na Liga NOS o são… Do ponto de vista defensivo, acredito que o Vitória SC tem jogadores capazes de interpretarem bem uma forma de pressionar com a linha mais subida, pois não sendo nenhuns velocistas, também não são jogadores muito lentos… Quanto à questão do meio-campo, acredito que utilizando um 6 à semelhança de Wakaso como na última época, trará outro equilíbrio, mas é difícil haver o melhor de dois mundos e neste caso Ivo Vieira, fiel aos seus princípios, opta por um jogador de maior perfume, como Pêpê para dar outra qualidade na construção. Sendo que a meu ver a tarefa de “Box-to-Box” tem ficado a encargo do Joseph… Do ponto de vista pessoal, gostava de ver o Pêpê no papel de 8 assumido e perceber o que ele poderá dar à equipa com um 6 com a qualidade do Wakaso (por exemplo)

  2. Excelente análise do processo ofensivo do Ivo Vieira mas também seria interessante ter uma análise semelhante ao processo defensivo das suas equipas e como poderia ser potencializado com jogadores de outras valências, como por exemplo de um grande em Portugal

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