Manchester City – Uma primeira parte em forma de assim assim

O City começou por ter dificuldades em ataque posicional no último jogo contra o Watford. A facilidade em chegar ao último terço não correspondeu a oportunidades de perigo durante boa 30 minutos. Corrigiu após a pausa já com mudanças estratégicas em função do adversário.

Frente ao Watford em 451 o City colocou De Bruyne, Sterling e Foden entre linhas de modo a arrastar médios adversários p/ perto da sua área. Predominantemente BS juntava-se a Rodri, c bom timing de chegada e a construção era feita em 2+2. Laterais davam largura e profundidade qb

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Inicialmente a ideia do City passou por procurar fazer chegar a bola à largura no pé dos laterais. Neste momento os jogadores entre linhas procuravam movimentos de ruptura o que dava mais espaço a quem estava fora do bloco para avançar.

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Após várias procuras de largura e sequência de passe fora do bloco o objectivo seria fazer 1×1 ou 2×2 por fora. Aqui, o jogador em espaço interior (nesta distribuição o + provável era o extremo) aparece na ruptura entre central e lateral ou aproxima de colega para tabelar.

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Como controlou o Watford? As duas linhas muito compactas. 3 médios e extremos juntos numa fase inicial a evitar jogo pelo corredor central Na “zona de passe” não se deixavam atrair demasiado e quando bola entrava à largura no último terço respondiam com lateral ou extremo a sair mais o auxílio de 2 dos 3 médios a fazer cobertura por dentro. Impediam assim ligações para dentro do bloco

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O recuo da linha média do Watford provocado pela circulação e movimento de Foden era o momento ideal para o City voltar a colocar bola dentro através da cobertura recuada no half space, o médio interior. Rodri também avançava para dar linha de passe no meio

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Esta ideia n foi eficaz porque o City mostrou-se incapaz de ligar ao lado contrário com perigo, mesmo com BS a adiantar-se. A circular à direita, extremo e 3º médio do Watford permaneciam abertos e preparados para mudança de corredor. Rapidamente Guardiola alterou a distribuição.

Cedo o City alterou a distribuição e rota de circulação, ainda que o objectivo de entrar pelos corredores laterais – quer “isolando” através de passe longo em 1×1/2×2 quer com combinações do mesmo lado – permanecesse. Walker juntou-se a Rodrigo, Foden dava largura à direita, Bernardo Silva entre linhas, mais vezes à esquerda, e era Sterling que dava largura e profundidade nesse corredor. Centrais passaram a ligar com extremos à largura. Aqui, BS aparece à direita, juntamente com Jesus. 4 jogadores no mesmo corredor lateral e City progride por aí.

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Mesmo colocando só um jogador no half space, o City foi sempre mais perigoso a pressão a 4 do Watford no corredor lateral se desfez, retirando um médio da zona da bola. Tal aconteceu devido à paciente circulação do City e/ou erro individual de um jogador do Watford que não basculou

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Apesar de se aproximar com mais frequência do último terço, o City não conseguiu mais que alguns cruzamentos controlados pelo Watford. Guardiola voltou a alterar após a pausa para hidratação: Foden e De Bruyne passaram para a esquerda. Sterling e Bernardo Silva para direita.

Creio que esta mudança está relacionada com a forma de defender do Watford. Sarr, ala direito, revelou dificuldades a controlar a sua zona e o espaço para o médio do seu lado. Assim, De Bruyne apareceu nesse espaço e foi mais frequente ver o City jogar entre linhas.

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Inevitavelmente a circulação do City alterou. Passou a ligar mais por dentro, tendo De Bruyne como peça chave. A bola continuava a ir à largura à direita mas regressava atrás. O objectivo passou a ser aproveitar o espaço entre o Sarr e o médio do seu lado.

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O City manipulou muito bem este espaço de várias formas e chegou mais perto da baliza com variabilidade. Contribuiu o facto de o Watford colocar Sarr mais adiantado para transição, fazendo Deeney (avançado) baixar mas para acompanhar Rodri. O City continuou a variar corredor, o Watford quis estancar a acção do espanhol que fazia de elo de ligação mas sem pressionar o portador da bola, Walker ou outro colega fizeram o papel do espanhol, com a desvantagem para os da casa de ficarem com menos um no novo corredor da bola.

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No melhor lance na 1ª parte, o City quando a bola vai à largura, coloca dois jogadores no half space a fazer ruptura. Também sem Sarr, Watford perde dupla marcação a Cancelo que pode conduzir dentro. Quando bola vai p/ trás há espaço para Laporte colocar bola entre central e lateral.

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Não é a primeira vez e acho discutível a forma como o City, por vezes, negligencia o espaço entre linhas. Os jogadores parecem demasiado focados em fazer a bola chegar ao lado contrário e não reconhecem o potencial que existe no corredor central

Até para fazer chegar a bola fora em melhores condições. É verdade que as duas linhas do Watford estavam compactas mas a qualidade posicional do City foi capaz de criar espaço no meio. Na minha óptica, existem momentos em que a circulação é demasiado linear

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Concluindo, não faltam ideias ao City em ataque posicional, mas tal como se viu esta época, e também neste jogo, a facilidade com que chegam ao último terço nem sempre corresponde à criação de situações de finalização em ataque posicional.

Não é fácil, os adversários fecham muito bem e defendem com quase todos mas maior variabilidade no uso do corredor central poderá ser um caminho para melhorar, ainda mais, o rendimento. Frente a blocos muito baixos e compactos no meio, as rotas da circulação em vários momentos passam por combinações num corredor lateral (até com 4 jogadores nesse espaço) e/ou atrair a um lado para criar momentos de 1×1 ou 2×2 no corredor contrário. Ambas originam cruzamentos e, pese embora a boa preparação, o City não tem os jogadores com o perfil mais indicado para responder aos cruzamentos na área. Quando utilizam o espaço entre linhas numa fase mais adiantada da construção, como no final da 1ª parte deste jogo, a circulação ganha imprevisibilidade com a qualidade que todos reconhecem a esta equipa

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