Padrão Porto – a construção

A construção do Porto teve padrões/ideias que se repetiram nos dois jogos até agora efectuados (enfrentou estrutura semelhante – 442 bloco médio). Aqui fica o desenvolvimento da circulação de bola e os respectivos objectivos na primeira fase de construção:

– Manipular posicionamento dos alas para jogar nas suas costas: – Sequência de passes atrás, com a hipótese de um médio baixar e fazer saída a 3, de modo a um ala sair na pressão – A partir daqui 2 hipóteses: jogar no espaço que o ala deixou atrás de si ou procurar lateral que terá + espaço para receber e definir. O mais importante: lateral pode ter condições para fazer passe de fora para dentro, no espaço entre linhas, porque ala demora a chegar.

– Ontem relação assimétrica nos corredores laterais. À direita Mbemba definiu mais vezes. Se ala está fechado demasiado dentro, procura Manafá à largura e já adiantado, se há espaço entre ala e médio bola entra entre linhas em Corona. À esquerda Telles pode receber mais baixo que Manafá do lado contrário e contava com o apoio mais próximo de Ótavio que baixava frequentemente para a frente da linha média do Boavista, descaído para o lado esquerdo

– Maioritariamente o Porto parece querer acabar os seus lances de construção em cruzamento com muita gente em zona de finalização e a defesa adversária a chegar à área, em vez, de esperar cruzamento (mais complicado de defender). Portanto, a definição destes lances passa muito pela procura dos laterais que dão largura e profundidade. A rota tanto pode ser esq-meio-esq como esq-meio-direita. (ou vice-versa). Ontem destaque para Sérgio Oliveira. Foi quem, no meio, garantiu a maior parte das vezes a ligação entre corredores e garantiu os passes para largura. Já tinha sido assim contra o Braga e voltou a ser contra o Boavista, esta circulação do Porto tem o mérito de atrair 3 jogadores à frente (avançados e um ala) que depois não recuperam. A partir daqui quem defende fecha meio e há espaço por fora.

Exemplo de construção à direita

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Exemplo de construção à esquerda

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Já contra o Braga foi visível a intenção de atrair os alas à frente para progredir pelo espaço nas suas costas, com médios portistas à largura ou entre linhas e os alas a começar dentro fixando/arrastando a linha defensiva ou sendo quem recebia entre defesas e médios adversários (mais frequente Otávio). O Porto aproveita o encaixe natural dos dois médios centro adversários nos seus para procurar as costas destes. Sempre com Marega a ameçar profundidade o que dificulta linha defensiva de encurtar espaço e permite a quem recebe entre sectores ter espaço para definir.

Se médio baixava para fazer saída a 3 e ala saia na pressão, os laterais enfrentavam-se. Esgaio, talvez com demasiado longe para sair com sucesso na pressão, adiantava-se e pressionava Telles. Aqui o brasileiro tentava retirar partido do espaço nas costas entre o seu opositor directo e o médio mais próximo, aproveitado pelos jogadores da última linha, conseguindo superioridade numérica entre linhas.

O golo do empate, apesar de o o Braga ter adoptado outra estrutura defensiva, 5x3x2, é um excelente retrato das ideias de Sérgio Conceição para estes dois jogos

Na segunda parte o Braga passou a pressionar Marchesin e, até pela vantagem, o jogo foi completamente diferente, o Porto recorreu muitas vezes ao passe longo. Mesmo com altos e baixos é claro que o Porto teve bons momentos a construir desde trás e mostrou-se preparado para manipular pressão adversária com o objectivo de chegar ao último terço em boas condições para criar situação de finalização

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