Sporting de Susana Cova arrasa no Dérbi

Os dois lideres da Série Sul defrontaram-se no dérbi mais aguardado por todos! O Sporting CP de Susana Cova, com 8 jogadoras portuguesas em campo, dominou e demonstrou o grande trabalho que já tem vindo a ser realizado ao longo da época, tanto pela sua treinadora em conseguir retirar o melhor rendimento do coletivo, como das jogadoras a compreenderem as dinâmicas que a Professora lhes pede.
Circulam com muita qualidade até desorganizar defensivamente a equipa adversária e então procuram queimar linhas através do passe curto. Pela qualidade das duas extremos, Ana Borges e Raquel Fernandes, quando a bola entra no corredor há muita liberdade para o 1×1 ( e com sucesso!) e uma das médios (maioritariamente Fátima Pinto) entra em rotura, juntamente com Ana Capeta. A partir daí decidem entre jogar em rotura nas desmarcações, ou vir para dentro aproveitando o espaço criado pelo movimento ofensivo da médio centro.

Pelo contrário temos o SL Benfica, de Luís Andrade, que demonstrou apostar muito mais nos rasgos de qualidade individual (o que tem feito ao longo da época) mas que coletivamente apresentam escassas dinâmicas e poucas ideias. Muitas vezes têm espaço para jogar e preferem bater na frente, mesmo estando em desvantagem numérica.

INES PEREIRA: a escolha de Susana Cova que fez toda a diferença
Inês traz ao jogo o que poucas guarda-redes no futebol feminino conseguem trazer: ser mais uma no processo de construção. Com confiança mas sobretudo muita qualidade, e sabendo que o SL Benfica gosta de pressionar alto, a Inês teve um papel chave no sucesso do processo ofensivo do Sporting, dando vantagem numérica e sendo mais uma linha de passe válida, o que fazia com que uma das suas colegas estivesse sempre sozinha para receber e sair da zona de pressão ( ou era mesmo ela própria a fazê-lo!).

O SL Benfica conta com jogadoras que na minha opinião são mais diferenciadoras, melhores tecnicamente e que integradas numa dinâmica diferente e mais colectiva podem ter mais rendimento. Em 90% dos jogos que disputam, não têm a competitividade que precisam para as obrigar a ser melhores coletivamente e quando têm de o ser, não estão formatadas para tal. Cabe ao treinador e restante equipa técnica trabalhar dinâmicas mesmo na facilidade para que nestes momentos não seja uma situação completamente nova.

No entanto, ambas se voltarão a encontrar na fase final, e aí sim, será a doer! Ansiosa por isso!!

1 Comentário

  1. Gostei muito desta análise, como todas as outras que nos ajudam a perceber que o futebol feminino em Portugal continua a evoluir e a ter bons intervenientes.
    Ressalvo somente que a equipa técnica do Sporting CP foi toda renovada. Tal como a Treinadora, os adjuntos e treinadores GR também são novos. As escolhas para cada 11, devem-se a uma observação e partilha comum entre toda a equipa técnica, sendo o trabalho especifico com o treinador de GR tem sido bastante importante para a evolução das atuais donas da baliza da Selecção Nacional.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*