Rasgos do City que tão bem nos fez: o 3-4-3 “Cruyffiano” de Pep

Não tem sido um 2020 fácil para o Manchester City de Pep Guardiola. Apesar de continuar a ganhar muito mais do que as vezes que não o faz, a equipa do treinador catalão tem baixado claramente o seu nível qualitativo nos últimos dezoito meses. Fatiga mental, pouco tempo para treinar, adaptação e conhecimento dos adversários, tudo isso podem ser desculpas mais do que viáveis, mas a verdade é que o futebol do City já não encanta como outrora o fazia. Esta época, apesar de ser a melhor defesa da Premier League, a desilusão tem sido no meio-campo ofensivo, sendo que estes dois factos podiam ser justificados pela constante aposta num atípico (para Guardiola) duplo pivot no meio-campo que retira jogadores com mais qualidade do que Fernandinho ou Rodri da decisão no último terço, apesar de garantir essa segurança defensiva que outrora era conquistada através de uma pressão forte após a perda e do controlo do jogo através da posse. Esta época, foram vários os jogos em que o City mostrou pouco controlo dos jogos, pouca capacidade para chegar ao último terço com espaço para criar oportunidades de qualidade, algo que custou já vários pontos esta época em jogos que não conseguiu superar blocos mais baixos.

Curiosamente, foi com um “regresso às origens” de Pep que as melhores exibições do City apareceram. Apesar de iniciar os jogos sempre num 4-3-3, foi quando a equipa se apresentou num 3-4-3 losango em organização ofensiva que vimos as peças ofensivas dos homens de Guardiola fluirem melhor, dando ares daquilo que em tempos era a melhor equipa do Mundo. Este fim-de-semana a aposta no 3-4-3 voltou, e o City fez, provavelmente, a sua exibição mais consistente da época, mesmo tendo marcado apenas 2 golos frente a um limitado Newcastle (que antes desta jornada estava apenas 5 pontos atrás do City).

Com De Bruyne como 10, Cancelo e Gundogan como interiores e tendo Bernardo e Sterling sempre abertos (mas móveis), o City controla melhor os espaços no seu meio-campo ofensivo, cria superioridade numérica em todos os corredores e, apesar de ainda precisar de os executar mais, consegue através de movimentos de aproximação e ruptura criar espaços nas zonas perto da área, movimentando a linha defensiva e tendo jogadores a chegar a zonas de finalização. Foram várias as jogadas construídas desde trás, com paciência critério e acima de tudo qualidade que o City apresentou frente ao Newcastle, incluindo um dos golos e muitos outros lances que poderiam ter resultado em finalizações certeiras. Deixamos então alguns desses momentos, com análise aos principais movimentos e rotinas do City neste sistema:

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Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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