Magia e eficácia, os craques da próxima década

Para o futebol ser uma arte, são necessários artistas com muito talento e muita qualidade que transformem aquilo que é cada vez mais um jogo de rotinas e padronizado, num filme sem guião onde a qualquer momento os craques improvisam e dão um toque da sua magia. Ao longo dos últimos anos tem-se perdido alguma magia, ou pelo menos tem-se priorizado menos essa magia em relação à “eficácia”, algo completamente legítimo para quem está a liderar uma equipa, mas que podemos admitir que retira a beleza ao jogo. Os jogadores que acabam as carreiras e são considerados alguns dos maiores craques do futebol conseguiram sempre aliar essas duas coisas: eficácia e magia. Não vale de muito ser o melhor driblador, se depois do drible a decisão é quase sempre errada. E quem diz drible diz um pormenor técnico, um toque de calcanhar, um passe a rasgar uma defesa inteira. Na última década, Messi, Ronaldo, Iniesta, Neymar, De Bruyne, David Silva, Hazard (entre outros) destacaram-se na sua melhor forma pela união destes dois fatores, sendo muito regulares ao longo de várias épocas ao mais alto nível.

Hoje, cada vez mais, esta magia revela-se não só pela qualidade técnica e por uns pés brilhantes, mas também pela velocidade com que os jogadores conseguem ler, interpretar, pensar e executar as suas ações. Com cada vez menos tempo para executar sem existir pressão do adversário, os grandes craques da próxima década não serão aqueles feitos em laboratório. Os grandes craques serão os mais inteligentes dentro do campo, os que usam o cérebro como a sua arma mais perigosa e que tanto sabem pensar mais rápido que os outros, como sabem pausar o jogo melhor do que ninguém. Pedri e Phil Foden são o futuro, não só pelo que já mostram hoje em dia no Barcelona e no Manchester City, mas pelas características e potencial que mostram cada vez que tocam na bola (ou olham por cima dos ombros para ver o espaço que têm antes de tocar na bola). Dois craques que têm tudo para vingar, e que com apenas 18 e 20 anos já fazem a diferença em duas das melhores equipas do Mundo. O futuro está nos pés deles, mas está também na sua cabeça, nos seus olhos e no seu cérebro. Para além da criatividade, inteligência, e critério na suas ações, é acima de tudo a liberdade que têm no campo que os faz vingar e acertar mais vezes que os outros. Dois craques, dois vídeos para apreciar o dom que estes dois jogadores têm e que vai ser evidente nos próximos anos.

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Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

3 Comentários

  1. Lá vêm eles com a arte… Epá desculpa lá, o que é arte para ti, consegues apresentar uma definição só para início de conversa? É que a visão que vocês costumam trazer sobre arte é muito fraquinha, para não dizer que é um bocado patética.

    • A definicao de arte esta no dicionario e nao mudou. E ir consultar, e sim, e dessa arte que eles estao a falar.

      Espero que a falta de acentuacao neste comentario nao o ofenda tanto como referencia a arte.

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