Passes da morte – curtas do Benfica vs. B-SAD

Rafa Silva

Foi um Benfica perro, mas suficiente para bater o organizado B-SAD de Petit. Em destaque? “O passe!”, já dizia Abel Ferreira.

Em 2018, o treinador que disputará a final da Libertadores no próximo dia 30, disse que a diferença do Braga vs. Benfica residira no gesto técnico do passe. Foi precisamente o passe que esteve muito em voga neste jogo – contudo, tivemos mais passes da morte que passes de morte!

  • Benfica em 4-4-2, organizando-se da forma habitual.
  • B-SAD a partir dum 3-4-3, mas que esteve grande parte do encontro em 5-2-3, com uma organização defensiva que prometia: linhas muito juntas, reação coletiva aos passes para trás do Benfica (momento para subir) e bom controlo da profundidade.
  • O Benfica teve mais posse de bola. No entanto, o que saltou à vista foi a quantidade de vezes que “ofereceu” essa posse ao B-SAD! Os elementares – e, por isso, essenciais – passe e receção foram falhados vezes e vezes sem conta. A equipa joga a tempos diferentes, com timings diferentes; os jogadores não pensam a mesma coisa ao mesmo tempo – são uma manta de retalhos, não UMA só manta; junte-se a isso as opções ceifadas pela recente vaga de Covid-19, a qualidade duvidosa de alguns elementos e, claro, o mérito do B-SAD. Só uma junção de todos estes fatores podem explicar algumas decisões (táticas) / execuções (técnicas) de Jardel, Gabriel, Taarabt ou Darwin!
  • Os dois médios estiveram em destaque pela negativa neste capítulo. Os passes falhados de Gabriel já são um “clássico” do brasileiro; quanto a Taarabt, quem diria que é o mesmo jogador que já chegou a brindar os benfiquistas com momentos de grande brilhantismo… A quantidade de vezes que arriscam em zonas proibidas transformaram os possíveis passes de morte em passes da morte! Veja-se a diferença entre estes e Weigl.
  • O B-SAD de Petit prometeu bem mais no início da partida. Não só pela supracitada organização defensiva, mas também pela mobilidade com bola. Até Henrique (central do meio) chegou a fazer movimentos verticais para receber na frente. Muitas trocas posicionais entre alas, interiores e avançados, com os jogadores a demonstrarem uma elasticidade tática e um à-vontade dentro dessa mesma elasticidade que permitiu que a circulação fluísse em vários momentos da partida. Faltou maior objetividade e mais movimentos de rutura para aumentar as situações de perigo.
  • A forma como o primeiro e o segundo golo surgiram também deu maior estabilidade ao Benfica e afundou um B-SAD que parecia pronto para discutir o jogo.

Destaques individuais

  • Rafa – um golo, uma assistência com… um passe de morte, e umas quantas arrancadas bem sucedidas na segunda parte. Deslumbrante? Nem perto, mas claramente dos melhores elementos e com influência direta no resultado.
  • Gilberto – discreto, mas bastante assertivo. Falámos tanto em ligar jogo e é algo tão básico, que nos esquecemos que Gilberto foi dos poucos que o conseguiu de forma eficaz e regular durante este o jogo. Tem subido de rendimento amiúde e hoje esteve muito bem a combinar com os colegas em tabelas curtas. O que é estranho é que “apenas” isto sirva para se ser um jogador em destaque neste Benfica.
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1 Comentário

  1. Deduzo que o Franco Cervi foi 1 fantasma que fez quilómetros e passeou classe e intensidade no estádio da Luz, mas que só alguns viram, mesmo com todos a olhar para o terreno de jogo…

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