Dois passos atrás para ganhar espaço à frente: o segredo do mágico Estoril

Eliminar 3 equipas seguidas da Primeira Liga na Taça de Portugal, estar em primeiro lugar e muito bem lançado na segunda liga rumo à promoção, promover a qualidade de jogadores como Gamboa, Miguel Crespo, Zé Valente, Vidigal, Aziz (entre muitos outros)… Não se pode dizer que é uma primeira experiência normal no futebol profissional português para o treinador Bruno Pinheiro. Depois de vários anos nas seleções jovens do Catar, o técnico português de de 44 anos voltou a Portugal em grande, assumindo um Estoril entusiasmante, num projeto que aparenta ter pés e cabeça, dentro e fora do campo. Com total mérito da equipa técnica, dos jogadores e da direção do clube da linha de Cascais, os resultados têm estado à vista, tal como a qualidade de jogo.

Organização, critério e qualidade nos diferentes momentos do jogo, é difícil escolher apenas uma palavra para descrever esta equipa, mas “irreverência” parece-me ser uma das muitas que seriam apropriadas. Hoje, irei focar-me principalmente naquilo que o Estoril faz com bola, nomeadamente a maneira como começam a sua construção e como manipulam a pressão adversária para conquistar os espaços que pretendem. No jogo com o Marítimo, para a taça, o Estoril mostrou que foi até aos Barreiros para jogar, e numa construção apoiada, móvel e com propósito destacou-se desde os primeiros minutos. Um 4-3-3 que conta com a qualidade técnica do seu meio-campo (Gamboa como 6, Zé Valente e Crespo mais adiantados), está na linha defensiva o “segredo” para este sucesso. Tanto o guarda-redes como os centrais são os primeiros a querer encontrar os seus colegas nos espaços mais adiantados, mas são também os laterais peças chave nesta equipa. Em vez de os vermos adiantados numa segunda linha, recuam para junto dos centrais, condicionando a pressão: ou pressionam os laterais e deixam espaço nas costas, ou permitem que os laterais joguem com espaço, de frente para o jogo e com capacidade para atacar o espaço vazio.

A partir destas zonas, a equipa faz o adversário mexer, anda num jogo de “gato e do rato” para chegar aos espaços que pretende, e chega com muita gente ao último terço, criando mais do que muitas oportunidades, boas oportunidades e sempre com qualidade nas suas ações, como é possível observar nestes lances que reunimos. Ligue o som, e acompanhe esta análise de vários comportamentos interessantes da equipa do Estoril, que de certeza iremos abordar mais vezes por aqui.

Foi assim com Boavista, com o Rio Ave e com o Marítimo para a Taça de Portugal, onde se segue o Benfica nas meias-finais. Bem lançada no campeonato, onde irá parar esta equipa do Estoril?

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Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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