Até quando, Jesus?

Desde o primeiro dia em que pisou um campo da nossa liga, que nós já devíamos ter suspeitado. A 12 de Setembro de 2015, Jesus “Tecatito” Corona estreou-se na Liga NOS com dois golos, menos de duas semanas depois de ter assinado pelo Futebol Clube do Porto por cerca de 10 milhões de euros, vindo do Twente. Desde então, o internacional mexicano tem marcado a diferença na equipa campeã nacional, e no nosso futebol. Como lateral, como extremo, como médio ofensivo ou até como avançado, Tecatito mostra sempre a sua qualidade em campo. Pormenores técnicos impressionantes, leitura de jogo que aproxima a sua equipa do golo cada vez que toca na bola, e capaz de fazer a diferença em qualquer jogo, seja na Taça da Liga ou na Champions. Ontem, frente ao Gil Vicente, Tecatito brindou-nos com mais uma excelente finalização, numa exibição que até nem foi das melhores da equipa portista, mas onde a qualidade do mexicano voltou a fazer a diferença.

O golo não foi extraordinário, nem o melhor da semana, mas a maneira como Tecatito recebe com o pé direito, o seu mais forte, e imediatamente finaliza com classe com o seu pé esquerdo é bem mais difícil do que parece, uma norma nas ações do craque mexicano. Cabeça levantada, encara os adversários sem qualquer receio, tendo sempre na manga um gesto técnico imprevisível, uma finta, um passe, uma mudança de direção ou velocidade, uma recepção orientada para o espaço certo, no momento certo que, de um segundo para o outro, elimina adversários do caminho e coloca-o no último terço, de frente para a linha defensiva ou para a baliza onde pode fazer o que cada vez faz melhor: decidir as jogadas. Seja com uma assistência, com um drible ou com uma finalização, o critério nas ações daquele que tem sido o melhor jogador da Liga desde a saída de Bruno Fernandes é incrível, mesmo em situações onde parte em desvantagem e sem grande probabilidade de sucesso.

A pergunta que trago hoje é “até quando”? Até quando irá um talento destes, com 28 anos e no auge da sua qualidade, permanecer no nosso campeonato? Numa equipa e numa liga conhecidas pela exportação de talento, Tecatito certamente tem lugar em qualquer liga do mundo, podendo ver com bons olhos a transferência para a Premier League ou para a La Liga, duas ligas que parecem ser à sua imagem. Internacional, com títulos numa liga europeia e créditos dados em competições nacionais, internacionais e de seleções, estranho que seja pouco falado o interesse de clubes de outra dimensão neste jogador que se torna demasiado grande para a nossa liga. Não tão brilhante ou valioso com outros que já cá passaram, Corona é sem dúvida dos jogadores que mais decidem jogos e aproximam a sua equipa de uma boa ação, de uma boa jogada, de um golo e da vitória. Em pleno Janeiro de transferências, e com um sentimento de não o querer ver sair da nossa liga, a pergunta que deixo é a mesma: até quando conseguiremos sustentar este jogador? Até lá, deixamos alguns dos melhores momentos de Corona nesta temporada:

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Sobre RobertPires 55 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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