A Nova Vida de Miguel Cardoso nos Arcos – Adaptações para dominar o Pormenor

Não foi o regresso desejado de Miguel Cardoso aos Arcos. O FC Porto foi sempre superior, no entanto, a intencionalidade do jogar de Miguel Cardoso já ficou patente no dragão que tem particularidades diferentes do passado tal como o próprio referiu no final do jogo fruto de um momento difícil dos vila-condenses. Os posicionamentos já lá estão, mas a desconfiança e os erros do passado mantém-se, erros esses também forçados pela equipa de Sérgio Conceição pela pressão exercida na construção do Rio Ave. Foi num 4x4x2 no momento defensivo que a equipa de Miguel Cardoso se apresentou no Dragão, onde procurou fechar corredor central ao FC Porto, estar sempre com as linhas juntas, ainda que, tenha faltado trabalho de pormenor na coordenação setorial, intra-sectorial e intersectorial o que é natural dado o pouco tempo de trabalho.

Houve, também, muito mérito do FC Porto que empurrou a equipa adversária para trás pelo posicionamento alto dos laterais, o que criou dificuldades na relação lateral – extremo do Rio Ave, mas também pela colocação de muita gente no corredor central que trouxe uma troca em ataque posicional, onde Luís Diaz que se posicionava sem bola à esquerda na linha média e que, em ataque posicional, aparecia como avançado ao lado de Marega para fixarem a última linha rioavista e Taremi deslocava-se em apoio sobre a metade esquerda. A distância entre médios e o fecho do espaço entre central-lateral também se tornaram problemas para a equipa de Miguel Cardoso, o que está associado à descoordenação setorial e intersetorial.

A forma como ataca, também sofreu alterações em relação ao passado. O novo treinador do Rio Ave trouxe uma assimetria interessante em Ataque Posicional, com a presença de Filipe Augusto (que fechou à esquerda da linha média sem bola) ao lado de Tarantini na Construção e de Mané (que fechou à direita na linha média) ao lado de Dala e Ronan, num 3x4x3. No entanto, com o habitual pressing alto da equipa de Sérgio Conceição, o Rio Ave nunca teve capacidade para manter a posse por períodos longos de tempo. De realçar ainda, que, estrategicamente, a equipa portista alterou o pressing para encaixar na saída a 3+2 do Rio Ave, colocando Díaz na esquerda mais alto e os médios a marcar individualmente Tarantini e Filipe Augusto.

Não terá tarefa fácil no regresso a Vila do Conde, terá de fazer alguns ajustes à sua ideia que apaixonou o pais e os adeptos do Rio Ave e precisará de tempo para ir ao pormenor como nos habituou, mas pela brilhante forma como comunicou no final do jogo frente ao FC Porto, estará ciente e preparado para as dificuldades de um contexto Rio Ave diferente.

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Sobre Pirlo 99 artigos
Apaixonado pelo jogo e pela análise. É o pormenor que me move na procura do conhecimento. Da análise ao jogo, passando pelo treino, o Futebol é a minha grande paixão.

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