Explorar o corredor central: passe vertical – apoio frontal – progressão no terreno

A evolução do futebol nos últimos anos tem mudado a perceção e o estudo do jogo um pouco por todo o Mundo. Um dos campeonatos e países onde se tem sentido essa diferença tem sido na Alemanha, um país com uma das melhores ligas do Mundo, com uma escola de treinadores cada vez mais reconhecida e que aposta na qualidade, seja ela de que idade for. Klopp, Tuchel, Nagelsmann, Peter Bosz e mais recentemente Flick são dos melhores treinadores pela Europa fora, fazendo bons trabalhos de forma consecutiva e criando sempre equipas competitivas nas diferentes competições nacionais e internacionais.

Em Abril de 2017, o RB Salzburg, da Austria, tornava-se campeão europeu da Youth League, derrotando o Benfica na final por 2-1. A equipa orientada por Marco Rose mostrava-se muito interessante do ponto de vista tático, muito flexível nos seus posicionamentos, contrariando um pouco os princípios da largura total do campo e sobrecarregando o corredor central e os espaços entre linhas para sair a jogar de forma apoiada, progredindo através de passes verticais e apoios frontais constantes. Alguns anos depois, e após ser promovido à equipa principal do Salzburg e aceitar o desafio de voltar à Alemanha e assumir o Borussia Mönchengladbach, Marco Rose continua a mostrar a mesma faceta em todas as suas equipas: pressão alta, futebol apoiado, rápido, vertical e a explorar bastante o corredor central para ultrapassar a pressão e chegar até à baliza adversária o mais rápido possível. A escola “Red Bull” é algo evidente neste Borussia, que depois da qualificação para Champions na época passada, continua a disputar os mesmos objetivos este ano (estão atualmente em sétimo, mas a 5 pontos do segundo lugar). Como já era hábito no Salzburg ( e nas diferentes equipas Red Bull), o Borussia utilizada constantemente o passe vertical, apoio frontal e movimentos sem bola para avançar no campo, combinação conhecida em inglês como o “Up-Back-Through”, explicada neste vídeo curto:

Com cada vez mais recursos e qualidade individual (épocas fantásticas de Plea, Stindl, Neuhaus), o Borussia fez uma excelente campanha na fase de grupos da Liga dos Campeões e continua a tornar cada jogo seu em puro entretenimento. A união entre a pressão coletiva levando os adversários para zonas de pressão predefinidas, o passe vertical após a recuperação e a movimentação dos jogadores ofensivos consoante o posicionamento da bola fazem com que existam quase sempre inúmeras linhas de passe ao longo do campo, quase sempre com movimentos de arrastamento de quem não tem bola, linhas de passe na diagonal a diferentes alturas e coordenação de movimentos de aproximação e ruptura que, feitos no timing certo, embelezam as jogadas e manipulam o trabalho defensivo dos adversários, criando espaços dentro do bloco e oportunidade para progredir no terreno. Não sendo a equipa que melhor finaliza as suas oportunidades de golo, basta ver os jogos do Borussia para se perceber o trabalho de Marco Rose (recomendo procurarem jogos daquela equipa sub-19 do Salzburg). A análise de alguns dos comportamentos mais comuns deste Borussia está no vídeo seguinte, recorrendo aos últimos 5 jogos que realizou na Bundesliga:

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Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

2 Comentários

  1. Boa jogada. Bem a desmontar organizações. Mesmo contra defesas super-populadas, seria uma questão de tempo e de ter a transição-defensiva bem oleada.

    Mas atenção, basta os resultados não sairem para alguns parceiros de redação dizerem que o jogo do Marco Rose é muito afunilado e que perdeu a vantagem táctico que teve outrora.

  2. Pois é, uma cultura de jogo muito forte com bola e não tão consistente sem bola. E grandes resultados, por isso, lá vai por água a baixo uma boa parte do argumentário de muita gente. Todos os treinadores aqui referidos são muito, mas muito mais interessantes do que a maioria dos tugas armados ao pingarelho. Deuses do ferrolho e do não-jogar. Mesmo os consagrados. BAH

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