Man. City em Anfield – Um intervalo que valeu uma goleada

Imagem e notas Sofascore.com

Com um 0-0 ao intervalo e dadas as incidências da primeira parte, poucos esperavam que o resultado final em Anfield fosse de 1-4 marcando a primeira vitória de Pep Guardiola no terreno dos Reds como treinador. Tal se deve muito a alterações subtis para a segunda metade, onde a capacidade de análise e intervenção sobre o jogo de Pep e a versatilidade e entendimento do jogo dos seus jogadores fizeram mais uma vez a diferença, trazendo novas nuances ao jogo mesmo sem fazer substituições.

“Start of the second half, City changed their system slightly to a 4-4-2. It’s a little adaptation but in that start of the second half we didn’t give enough options to play and gave the first goal away.”

Jürgen Klopp

As ideias passadas ao intervalo foram simples:

  • Em organização defensiva, em particular na primeira fase de pressão, retirar os laterais e os médios adversários do jogo, bloqueando a saída curta do Liverpool. Para tal, pressão em 1-4-4-2, dois avançados (Bernardo e Foden) a defenderem um 3v2 em forma de pressão+cobertura os dois centrais e o médio-defensivo do Liverpool; extremos (Sterling e Mahrez) pressionam os laterais de frente; os dois médios (Rodri e Gundogan) encostam nos médios interiores. Este comportamento acentuava-se quando o Liverpool escolhia um corredor, já que os seus interiores têm muito mais tendência a fazer movimentos de apoio e não de aclaramento de espaço, com um dos médios do City a encurtar agressivamente.
  • Em organização ofensiva, procurar situações na largura de 1v1 de extremo contra lateral contrário. Com a saída em 3+2 (Cancelo entrava em corredor central para o lado de Rodri), a superioridade numérica do meio-campo fixa os médios adversários em corredor central; extremos numa linha média-alta a dar largura máxima mantendo o comportamento clássico de pressão dos extremos do Liverpool sobre os centrais (fora para dentro, conduzindo para jogo interior). A junção das duas situações (médios sem tanta liberdade para encurtar no corredor e extremos a pressionar por dentro) deixa os laterais do Liverpool expostos no espaço a situações de 1v1, que foram devidamente aproveitadas em dois dos golos.

Juan Román Riquelme
Sobre Juan Román Riquelme 60 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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