Rangers FC de S. Gerrard – O modelo com duplo “10” que valeu o título

Após 10 anos de calvário, com processos de insolvência, recomeço nos escalões inferiores e inúmeras trocas de comando técnico, o Rangers FC voltou a ter motivos para sorrir esta época ao alcançar o seu 55º título de campeão nacional escocês e com uma superioridade clara sobre a concorrência (leva cerca de 20 pontos de vantagem sobre o rival de sempre, o Celtic, à data da escrita deste artigo). Como tal, trazemos desta vez o modelo Steven Gerrard, que já foi defrontado (e provocou dificuldades claras) por Porto, Benfica e Braga nas competições europeias recentemente.

“Não jogamos contra uma equipa qualquer. É uma excelente equipa, algo que já tinha dito na antevisão, que ganhou a duas equipas do nosso campeonato. Sabíamos que seria um jogo difícil. Jogam num sistema muito complicado, tenta imitar o 4-3-3 do Liverpool, que também já conheço por ter jogado a final do Mundial de clubes. Vai-nos criar mais problemas do que as outras equipas que defrontámos até agora.”

Jorge Jesus, sobre o Rangers FC

Organização Ofensiva

A estrutura base do modelo assenta num 1-4-3-3 pouco ortodoxo, como demonstra abaixo o mapa de posicionamento médio dos jogadores do Rangers esta época. O aspeto principal a ressalvar é o posicionamento do trio da frente, não utilizando propriamente extremos mas dois jogadores interiores, o tal “duplo 10”, normalmente mais criativos que jogam por dentro e perto do avançado-centro, deixando que a ocupação dos corredores laterais seja feita essencialmente pelos laterais.

Em relação aos subprincípios do modelo:

  • Saída em construção geralmente em situação de 2+3, com os dois centrais a não serem particularmente provocadores com bola, procurando ligar muitas vezes com algum dos 3 médios que jogam relativamente baixos por norma, seja para saírem de dentro da pressão adversária para poderem receber e dar seguimento à construção ou para atraírem a si a pressão da linha média para zonas mais altas do campo, libertando o espaço entre linha média e linha defensiva em corredor central que é explorado pelos dois médios ofensivos (esse espaço normalmente não é encurtado pela linha defensiva devido aos movimentos de abaulamento do avançado-centro sobre a mesma).
  • Em momento criativo, estão normalmente os laterais por fora a garantir a largura máxima simultaneamente, os dois médios ofensivos por dentro perto do avançado e pelo menos um dos médios interiores a criar overload no local da posse. Os movimentos dos médios ofensivos acaba por ser essencial na criação de desequilíbrios posicionais, já que ou jogam numa zona cinzenta que não é declaradamente do lateral ou do central do lado da bola, ou criam superioridade de 2v1 contra um pivot defensivo ou iniciam movimentos contrários de apoio/rutura no espaço central/lateral e central/central juntamente com o avançado-centro sobre a linha defensiva.

Organização Defensiva

Aqui o Rangers acentua ainda mais a estrutura em 1-4-3-3, desta vez com comportamentos condizentes com uma zona muito pressionante. As duas linhas de 3 a manterem-se muito compactas, deslocando-se horizontalmente em bloco, impedindo que seja possível a construção e criação pelo corredor central, forçando o adversário muitas vezes a passar para trás (trigger para o nível de agressividade dos encurtamentos em pressão subir) ou para o lado, levando o jogo para o corredor lateral, onde está a principal armadilha de pressão da equipa: o médio interior é normalmente responsável pelo encurtamento ao portador no corredor lateral (jogo exigente para os 3 médios que acabam por defender em quase toda a largura do campo), lateral encurta no apoio frontal e o médio ofensivo, ou entra em cobertura no lugar do interior e o avançado encurta na cobertura ofensiva, ou o próprio médio ofensivo faz isto se o médio centro chegar rapidamente para cobertura do interior. Isto faz com que o Rangers jogue também com um bloco muito pouco largo, deixando normalmente o corredor lateral contrário, e até parte do central, livre.

Estes comportamentos também influenciam os comportamentos da linha defensiva, que é colocada muitas vezes em situação de 1+3 devido aos encurtamentos do lateral no corredor e com cobertura muito próxima do central do lado da bola.

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Juan Román Riquelme
Sobre Juan Román Riquelme 21 artigos
Fábio Baptista. Experiência como analista em equipas de formação e atualmente em contexto de seniores em Portugal, tanto em análise qualitativa como quantitativa, da própria equipa e do adversário. Vive sob o lema: conhecer o jogo, manipular no treino e assim influenciar o rendimento.

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