Independiente del Valle de Renato Paiva – Uma proposta com traços europeus

Passados alguns meses desde a sua saída do Benfica e do começo da aventura no Equador, já é possível descortinar a marca do modelo de Renato Paiva no Independiente del Valle. Sem as limitações normais de estar a treinar uma equipa B, finalmente podemos ver postas em prática (e de forma plena) as ideias do treinador português que desde o inicio foi muito claro em relação aos objetivos para a presente época: colocar a equipa a praticar um bom futebol (falaremos disso mais à frente), lutar pelo primeiro título de campeão nacional do clube (a luta mantém-se feroz com o Barcelona e o Emelec) e fazer uma boa campanha nas competições continentais (segue-se uma eliminatória com o Grêmio para a Libertadores). A herança de Miguel Ángel Ramírez (um dos treinadores da moda na América do Sul no passado ano) é pesada mas trazemos os detalhes de um modelo que, com aporte de algumas ideias de futebol europeu, parece ter potencial para a carregar.

“Havendo qualidade, isso é claramente um aliciante para irmos para ali, sabendo que essa qualidade está muito em bruto e que os jogadores têm noções táticas que não são muito trabalhadas e nós vamos lá para isso: para levar uma marca mais tática e fazer aqueles jogadores crescer dentro de uma melhor organização de jogo. Uma forma de jogar que promova o jogador e o prazer do adepto em ver o jogo. Ser protagonista, jogar para ganhar e ter a bola. Quando escolhem treinadores, eles vão à procura disto.”

Renato Paiva

Fase Ofensiva

A estrutura ofensiva de base assenta neste momento num 1-3-4-3, com os princípios ofensivos do modelo a privilegiarem um jogo apoiado em posse desde trás, com posicionamentos a diferentes níveis e alturas mas utilizando as características do sistema para garantir largura e profundidade máxima ao jogo (permitindo que o espaço de jogo aumente devido à prevalência das marcações individuais no futebol equatoriano). Em relação aos subprincípios:

  • Saída em construção em 3+2, com os três centrais bem largos e com capacidade de progredir para fixar, os dois médios a aguentarem nas costas da pressão e movendo-se na diagonal com um mais em apoio para receber e outro mais alto com a largura máxima do jogo a ser dada pelos alas em profundidade simultânea (ocorrem algumas situações em que ala joga em médio próximo que depois solicita em longas diagonais o ala aberto no corredor contrário).
  • Dinâmica dos três da frente com um avançado-centro mais responsável por afundar a linha defensiva com movimentos curtos de rutura e dois jogadores mais criativos por trás que jogam soltos entre a linha defensiva e linha média. Quando os três jogam próximos em cima da linha defensiva normalmente iniciam contra-movimentos de apoio/rutura para ir buscar na profundidade ou receber à frente da linha, perturbando-a.
  • Com os dois alas normalmente em projeção simultânea, os três da frente envolvidos e com a chegada de um médio, o equilíbrio é muitas vezes feito com os três centrais e um médio, sendo que em jogo de corredor o central do lado da bola aproxima-se como cobertura ofensiva ou como possibilidade para travar rapidamente uma transição ofensiva do adversário.

Fase Defensiva

Rompendo com a corrente dominante no país no que toca à utilização de marcações individuais, este modelo adota o princípio de uma defesa à zona com variações de zona pressionante, com um minucioso controlo da profundidade (basculação vertical fortíssima, sendo das equipas que mais foras de jogo provoca aos adversários na competição doméstica). Em relação aos subprincípios:

  • Estrutura base de pressão geralmente em 1-5-2-3, com condicionamento dos centrais pelo avançado-centro e os dois criativos a baixarem (originando alguns momentos em 1-5-4-1) quase para o nível dos dois médios (que mantêm as dinâmicas diagonais agora do tipo pressão + cobertura, com algumas referências dos médios contrários), gerando uma superioridade inicial com encerramento das linhas de passe pelo corredor central. Uma vez orientados para o corredor, o médio-ofensivo desse lado inicia encurtamento ao lateral ou, no caso de um ala único, move-se por forma a trancar a linha de passe para a cobertura ofensiva mais próxima e deixando esse encurtamento para o ala da própria equipa.
  • Linha defensiva com os alas muito agressivos e principais responsáveis pela pressão ao portador no corredor, fazendo com que a linha defensiva se comporte muitas vezes em 4+1, com basculação horizontal quase total para permitir uma cobertura próxima pelo central do lado da bola. Também aquando dos encurtamentos dos centrais à frente da linha há desdobramento em 4+1, com os quatro a colocarem rapidamente os apoios na diagonal virados para a bola. Esta mesma linha defensiva responde muito bem a possíveis ameaças à profundidade, com manutenção de apoios laterais/diagonais, deslocamento do tipo deslizante e leitura da linguagem corporal do adversário para começar a baixar (ou não) em caso de bola descoberta.

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Juan Román Riquelme
Sobre Juan Román Riquelme 21 artigos
Fábio Baptista. Experiência como analista em equipas de formação e atualmente em contexto de seniores em Portugal, tanto em análise qualitativa como quantitativa, da própria equipa e do adversário. Vive sob o lema: conhecer o jogo, manipular no treino e assim influenciar o rendimento.

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