Manipular a marcação individual através do jogo sem bola – duplo movimento

Sendo o futebol um fenômeno complexo, aberto, caótico e imprevisível, enquanto jogo e manifestação de uma forma de enxergar o mesmo (e a vida), permite uma grande variabilidade de ideias, a atacar e a defender. Ganha-se e perde-se de diferentes formas, portanto, cabe a cada um escolher de que forma deseja jogar o jogo e desfrutá-lo.

Frente ao elevado nível do futebol jogado por equipas a nível TOP e o grau de dificuldade que conferem aos adversários, que aproveitando a largura (utilização da amplitude) de forma a abrir espaços dentro/fora, e da profundidade (busca por espaços na última linha e/ou nas costas dela), para no final seguir a lógica interna do jogo, que é fazer mais gols que o adversário, tem feito treinadores criarem estratégias e adaptações na forma de se defender, de acordo com as peças que têm em mãos.

O sucesso recente de algumas equipas na Europa, como a Atalanta de Gasperini (que chegou às quartas de final da Champions League 19/20 e 3º na Serie A 20/21 até então), Leeds United de Bielsa (campeão da Championship e acesso à Premier League em 19/20), levanta a discussão sobre a marcação individual a nível TOP e faz os treinadores, a nível ofensivo, terem de criar alternativas em um jogo encaixado, seja em campo inteiro ou regiões específicas (blocos, estratégias definidas, jogadores alvo). Em reflexão sobre as formas de marcação, o lendário treinador argentino César Menotti cita:

“Sabes qual é a diferença entre um cão guardião e um cão feroz? Pões um cão feroz em frente à porta de tua casa e veêm dois ladrões. Ao primeiro que se aproxima, o cão feroz ladra e atira-se ao ladrão. Ele corre, o cão vai atrás e deixa a porta, o outro ladrão entra e rouba. Pelo contrário, o cão guardião ladra ao primeiro ladrão, mas volta para guardar a porta, não a abandona. Entendes? O cão guardião é o que marca a zona, o outro marca o homem”.

Com isso, a aplicação de diferentes conceitos ofensivos frente a uma marcação que causa problemas para ser desmontada, o jogo sem bola (tal como o jogo do gato e do rato), com objetivo de atrair e distrair o adversário, propicia criar vantagens (numéricas, posicionais, cinéticas, qualitativas e/ou socioafetivas) de tempo e espaço em relação ao marcador.

Em dinâmicas simples, com ações de duplo movimento, atração (movimento para pé) seguido de infiltração (movimento para espaço), o Liverpool e o Del Valle mostraram como manipular a marcação individual adversária, utilizando o jogo sem bola, com intencionalidade, visando atrair para criar espaço de forma a gerar o homem livre.

“Tens duas opções dentro do campo: tocas na bola e ficas quieto, ou tocas na bola e moves-te…o meu marcador vai quase sempre olhar para a bola, mas eu sei o que está acontecendo e o que vai acontecer. E ele não… já conseguimos a superioridade! Tudo depende do que está acontecendo à tua volta, do posicionamento dos teus colegas e dos teus adversários.

-Xavi

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Gabriel Eloi - Brasileiro, licenciado em Educação Física, com mobilidade internacional na FCDEF-Universidade de Coimbra. Passagens por Académica U-15 (estágio) e Esporte Clube Bahia U-20, atualmente, analista na equipa sênior do Esporte Clube Vitória, que disputa a Segunda Liga do Campeonato Brasileiro.

2 Comentários

    • Olá Ricardo! Na minha opinião, o Otamendi controla bem o primeiro movimento do avançado à profundidade, porém, quando o passe é atrasado (para a futura dinâmica do 3º homem que foi gerado), o central posiciona os pés em paralelo, que dificulta o movimento para mudar de direção e tentar controlar o movimento seguinte feito pelo adversário. Em meio a isto, também acrescento a falta de “apoio defensivo” do Diogo Gonçalves, visto que o segundo movimento foi feito às suas costas, de um jogador que vem lançado.

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