De Ederson para a profundidade – A procura do espaço nas costas

“Claro que foi tudo planeado. Sabemos como ele coloca a bola na área contrária e é algo que trabalhamos.”

Riyad Mahrez, pós-jogo

“Não é a primeira vez. Temos um guarda-redes que tem essa qualidade fantástica, talvez ele seja o jogador da nossa equipa com mais qualidade no passe longo.”

Pep Guardiola, pós-jogo

Com a responsabilidade de ir a Manchester em busca da remontada no resultado que permitisse carimbar a passagem para a final da Liga dos Campeões, o PSG entrou em campo com uma vontade clara de efetuar uma pressão muito alta sobre a construção do City, aplicando uma variante com referências individuais à sua típica zona pressionante em organização defensiva na primeira fase de pressão à fase I (construção) dos citizens. Contra equipas que modelam a sua organização ofensiva essencialmente através do jogo posicional apoiado curto, tal pode ser de facto uma boa solução ao impedir os adversários de jogarem de frente para o jogo confortavelmente, terem desconforto nos enquadramentos para receção e forçando o erro pela manipulação do binómio tempo/espaço para executar. Mas o City (e Pep) já há algum tempo que deixaram de ser completamente fundamentalistas em relação à forma como querem sair da pressão e aos 10 minutos de jogo se percebeu isso no lance do primeiro golo.

Temos então um momento de pressão com encurtamentos próximos tendo por base referências individuais à construção do City (avançados e médios saltam sobre os centrais e médios de suporte), sinal para ativar a solicitação do espaço em profundidade nas costas da linha defensiva do PSG (momento de passe para trás para o guarda-redes, com linha defensiva a subir com deslocamento frontal até ao meio-campo, podendo ser apanhada em contra-movimento), inversão do trio da frente com avançado centro a vir em apoio e jogadores da largura máxima (extremo e lateral neste caso) a ativarem o movimento diagonal de rutura de fora para dentro. Se o mérito começa na conceptualização de uma ideia por parte do treinador que prevê jogar o que o jogo está a pedir e não fanaticamente o que quer pedir do jogo, o resto é mérito da execução do guarda-redes que mais potência aplica na ação técnica do passe longo (não é a clássica bola em balão mas sim uma bola tensa bem cortada para a profundidade) e da capacidade dos elementos da frente de definirem estas situações no espaço.

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Sobre Juan Román Riquelme 67 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

1 Comentário

  1. Pois, é por estas – e por outras – que gosto um coxito mais do Ederson do que do Oblak, que a maioria das pessoas acredita a pés-juntos que é o melhor redes do universo. Nada. Não é. Fortíssimo entre os postes em toda a linha, incrivelmente seguro (a facilidade com que agarra a maioria das bolas é demais), muito forte nas saídas aéreas e forte no um-para-um, o gelado esloveno não tem muitas balas para gastar com a bola nos pés. Muita gente também adora o perfil dele, sóbrio, digamos que humilde e tal, pouco espalhafatoso mas o Ederson, para além de ser mais agressivo, também é muito, muito forte entre os postes e nas saídas por baixo ou por cima. Marca a diferença para um nível estratosférico, na minha opinião, pela qualidade que coloca nas jogadas com os pés, factor que permite à sua equipa meter no jogo variações surpreendentes. Estas ideias foram apresentadas ao adepto comum pelo Rui Vitória (o golo do R. Jimenez num jogo do título na Luz é simplesmente lindo), mérito para ele, que por acaso é um treinador completamente banal. Tal e qual o mexicano, também Ederson é um atleta subvalorizado pelo mundo do futebol. Coisas que não consigo entender.

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