Há espaço para todos – curtas do dérbi de Lisboa

Everton Cebolinha

Ficou reservado para o fim do campeonato um dos dérbies mais emocionantes dos últimos tempos, no qual “espaço” foi sinónimo de “espectáculo”.

Podia ter sido um clássico agitador deste campeonato, não tivesse sido o Sporting campeão na jornada passado. No entanto, o “dérbi eterno” nunca passa despercebido e, em jogo, ainda estaria um Sporting à procura de terminar o campeonato sem derrotas e um Benfica com alguma esperança em atingir o segundo lugar. Levariam a melhor os encarnados, muito por culpa da excelente primeira parte que realizaram – muito provavelmente, a melhor em toda a época!

  • Dois 3-4-3, mas que, obviamente, são diferentes no pormenor.
  • Contudo, duas organizações defensivas que nunca conseguiram estancar o caudal ofensivo adversário. Por norma, em momento defensivo, as equipas reorganizam-se em 5-4-1, com alas a baixarem para a linha defensiva e extremos a juntarem-se aos interiores. Foram precisamente estes últimos que, dum lado e doutro, se mostraram pouco solidários a defender, proporcionando ao adversário muito espaço para criar.
  • Facilidade em jogar pelo corredor central, não só à largura dos interiores, mas também entre estes e as linhas avançadas.
  • Com tanto espaço para jogar, sobretudo na meia direita e meia esquerda, valeu a maior qualidade na definição de Pizzi que, uma vez mais, deixa a sua marca com um golo e uma assistência, mas também um surpreendente Everton Cebolinha, mais solto, mais confiante, porventura melhor fisicamente, e que fez e faz a diferença em espaços curtos, ora em drible, ora em tabelas / combinações curtas.
  • Ao intervalo, Rúben Amorim detetou o problema e avançou com João Mário e o “batedor” Palhinha, garantindo uma cobertura maior da zona média e uma capacidade maior de ganhar os duelos individuais.
  • Já Jorge Jesus, retirou o criativo Taarabt e apostou em Gabriel, num sinal claro de que também preferia fechar espaços ao adversário ao invés de continuar a carregar de forma mais “desenfreada”.

Raro é o treinador que gosta de ver o controlo da partida do lado do adversário; raro é o adepto que prefere um jogo fechado e mais pausado ao invés duma partida aberta e na qual é possível ver os craques à solta a todo o momento. De qualquer forma, fica o registo dum bom espetáculo da Liga NOS, com os cumprimentos entre adversários no final a servirem de lição para as cada vez mais fanáticas massas adeptas que ficam a ver de fora.

Yaya Touré
Sobre Yaya Touré 24 artigos
Amante do treino. Pensador do jogo. 💡

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