O TPC de férias para JJ – Pormenores do (des)controlo de espaço em profundidade

“Defensivamente, é um ponto onde eu me debato muito com os meus jogadores. É tão importante não sofrer como marcar e, portanto, estamos a trabalhar neste aspeto. Tivemos de mudar a estrutura dos centrais, o lateral… Parecendo que não, mexeu com os automatismos da equipa e este jogo foi um indicador disso. Notou-se que tenho de trabalhar mais a última linha.”

Jorge Jesus, treinador do SL Benfica

Olhando para esta citação de Jorge Jesus, a reflexão que o próprio faz sobre as dificuldades na modelação da sua organização defensiva (com principal enfoque nos subprincípios de linha defensiva) parece demonstrar alguma lucidez e bom fundamento. Problema é que estas declarações foram proferidas em… Outubro. E se era de esperar que o técnico das águias, sobejamente conhecido pelo grau de pormenor defensivo que dá às suas equipas (o próprio já afirmou várias vezes que é a fase do jogo onde existe mais intervenção do treinador), tivesse corrigido estes problemas durante estes meses. Pois bem, a final da Taça de Portugal frente ao Braga veio demonstrar o contrário. Os encarnados, que passaram grande parte do jogo com a sua linha de 5 intacta, sofreram imenso com as solicitações à profundidade por parte do SC Braga tendo resultado mesmo num lance que provocou a expulsão do seu guarda-redes e condicionando a estratégia encarnada para o resto da partida.

Tal facto deve merecer alguma reflexão por parte de JJ e apesar de não lhe pedirmos para passar o verão inteiro a ler livros de Arrigo Sacchi (JJ já demonstrou em vários contextos que é competente na operacionalização em treino de propostas de linha defensiva), deixamos alguns pormenores à reflexão para a próxima época e mais uma vez algumas provocações que poderão ser alvo de estudo num artigo próximo: mas afinal o Benfica defende melhor com uma linha de 4 ou de 5? É uma questão de números ou de princípios e subprincípios? Mas antes de nos centrarmos no futuro, regressemos à final de Coimbra:

  • A bola coberta vs. bola descoberta – a principal dificuldade que se identifica na maioria das equipas na interpretação destes conceitos é a leitura das condições do portador e da sua orientação corporal para a solicitação em passe do espaço nas costas. Um encurtamento/contenção sobre o adversário não significa que o mesmo não tenha condições ou não vá buscar esse espaço, e é necessário estar preparado para reagir de acordo sem hesitações que podem custar metros.
  • A orientação corporal e dos apoios – se a ação motora do portador indicia claramente que este vai procurar a profundidade, a linha tem que estar preparada para retirar essa mesma profundidade. Os apoios de base não devem estar paralelos e os movimentos de basculação vertical devem ser realizados com deslocamento lateral (e se necessário deslocamento frontal no sentido da própria baliza em regime de perseguição).
  • As distâncias entre elementos – as linhas de topo para além de referências à profundidade devem ter também referências à largura, seja no plano macro (a linha do Benfica por vezes alarga em demasia, ocupando mais de 2/3 da largura do campo, por exemplo) ou micro (compactação da linha aquando de encurtamentos à frente para impedir movimentos de rutura nesse espaço).

Sobre Juan Román Riquelme 75 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

2 Comentários

  1. Sou o único a achar o Vertonghen demasiado mau e o Otamendi já sem condições físicas para ser um central competente numa equipa grande, que defende longe da sua baliza?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*