Os ajustes de Rui Jorge que contribuíram para a “sorte” dos miúdos

Mais um jogo bastante complicado para os sub-21 de Portugal, desta vez frente a uma Espanha recheada de talento e experiencia a este nível (do onze inicial só dois jogadores não fizeram mais de 30 jogos este ano, enquanto que do lado de Portugal apenas 3 chegaram a essa meta). Alinhando mais uma vez no 4-4-2 losango típico de Rui Jorge, Portugal sentiu, mais uma vez, dificuldades com e sem bola. Com bola, os criativos de Portugal não conseguiram manter a posse de forma frequente ou utilizá-la para criar oportunidades (algo que também tinha acontecido contra a Itália), sendo que as únicas ameaças de Portugal retirando o golo foram criadas através de transições rápidas.

Sem bola, Portugal voltou a tremer bastante no meio-campo. Pressionar e defender num 4-4-2 losango é difícil, principalmente a um nível elevado e sem grandes rotinas de trabalho: coordenação na pressão e coberturas no corredor lateral, deslocamentos de um lado para o outro por parte dos interiores e também a forma como os dois avançados podem ser ultrapassados facilmente caso a pressão aos centrais e GR não seja feita, o que aconteceu muitas vezes nesta meia-final. A Espanha, com muita qualidade, foi encontrando e levando Portugal para os espaços que quis: atraía a um lado, colocava muitos jogadores em zonas centrais e depois, com subidas dos seus laterais tentava criar 2v1 contra os laterais portugueses que esperavam o apoio do seu interior (Cucurella passeou no lado esquerdo durante grande parte do jogo sempre que Vitinha era atraído para o corredor central). Com Gedson desinspirado na pressão e momento defensivo (perdeu vários 1v1) e Bragança forçado a dar cobertura nesse lado, a mudança para o corredor esquerdo espanhol aconteceu várias vezes na partida (a imagem em baixo mostra os passes longos realizados pelos espanhóis no jogo).

Com a Espanha a ter várias oportunidades de golo e a dominar a partida, Portugal sofreu bastante no início da segunda parte, obrigando Rui Jorge a mexer: já depois de ter colocado Florentino como 6 e avançado Bragança para 8 (tirando Gedson), as entradas de Jota, Baro e TT fizeram com que Portugal mudasse para um 4-3-3/4-5-1. Este sistema permitiu que a nossa seleção conseguisse controlar melhor a largura imposta pelos espanhóis, com os médios a terem que percorrer distâncias menores, mas também colocando mais gente no corredor central, onde a seleção de Espanha se sentia confortável e com muitos jogadores. Após esta mudança, e mesmo não conseguindo controlar o jogo com bola, Portugal garantiu estabilidade, mais conforto e menos soluções ao adversário, conseguindo depois marcar, com muita felicidade, após um passe genial de Vitinha. Trago então exemplos das dificuldades e dos ajustes que Portugal fez para (tentar) controlar a seleção espanhola:

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Sobre RobertPires 60 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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