O último obstáculo antes do título – Análise de adversário à Alemanha Sub-21

“Big heart is the basis of our success.”

Stefan Kuntz, selecionador alemão de Sub-21

Depois de uma campanha praticamente imaculada rumo à final do Campeonato da Europa de Sub-21, a seleção de Rui Jorge enfrenta agora o último obstáculo no caminho para o título que se lhe escapou em 2015 (última vez que Portugal defrontou os germânicos neste escalão, na altura nas meias-finais e com um resultado expressivo de 5-0) e o único a nível europeu que falta a esta talentosa geração de 99 (venceram a mesma competição em Sub-17 e Sub-19, podendo assim fazer o pleno). Pelo caminho vão ter a Alemanha de Stefan Kuntz (treinador que conhece bem estas andanças, tendo vencido esta mesma competição em 2017 e sendo esta a 3ª final consecutiva em que participa) que chega a esta final depois de eliminar a Holanda nas meias-finais (2-1) e a Dinamarca num duelo prolongado (2-2) só resolvido nas grandes penalidades. O desafio não é fácil, de todo, mas os jovens portugueses já demonstraram ter qualidade para se baterem de igual com qualquer equipa europeia neste escalão e tal não será diferente na final no Estádio Stožice em Ljubljana. Em jeito de antevisão à final, ficam aqui alguns apontamentos sobre o último adversário da equipa das quinas nesta competição.

Organização Ofensiva

Em organização ofensiva, a equipa alterna entre momentos de maior pausa em circulação com momentos mais vertiginosos com combinações curtas (principalmente indo ao corredor para depois voltar dentro), sendo uma das equipas mais completas da competição nesta fase do jogo. Com a sua estrutura base em 1-4-3-3, a saída é geralmente em 2+1 com aproximação do médio-defensivo e formando um losango de circulação com centrais + GR e com a largura do jogo a ser dada geralmente apenas pelos laterais. O meio-campo posiciona-se em 2+1 mas a circulação inicial tende a procurar muito o lado onde se encontra o médio interior que baixa em apoio mais vezes à construção e que funciona como principal lançador da equipa (Arne Maier, de quem falaremos mais à frente). Na frente, os extremos comportam-se como avançados interiores e jogando bem perto do ponta, com a possibilidade de se deslocarem ao corredor (movimento de dentro para fora) para fazerem de apoio frontal para o lateral (formando um triangulo no corredor com a linha de passe por dentro do interior). A mobilidade do trio da frente também pode contemplar uma inversão com o 9 a baixar e a procurar o 3º homem com a rutura do avançado interior do lado da bola. A chegada à área é feita normalmente com 4 jogadores, trio da frente + interior do lado contrário à entrada da área, sendo os equilíbrios feito em 3+1 (lateral contrário, centrais e médio defensivo), com o interior do lado da bola mais subido sobre o seu corredor para preparar a perda.

Organização Defensiva

Em organização defensiva, os alemães mantêm a estrutura de 1-4-3-3 e adotando comportamentos de uma zona muito pressionante em corredor central e com algumas variantes de pressão no corredor. Invariavelmente a pressão inicia-se em situações de GR + 4 v 3, com o trio da frente responsável por condicionar a construção adversária. Em caso de passe interior, há indicador de pressão na zona com o avançado interior ou o médio interior mais próximo a encurtar agressivamente sobre o portador (os médios normalmente estão muito altos e por vezes em linha). A pressão de corredor já apresenta mais variações e nesta competição já se observaram três comportamentos distintos que poderão estar relacionados com algumas nuances estratégicas para cada jogo: situações em que é o médio interior do lado da bola que encurta no corredor, com o lateral a ficar na referência do extremo adversário, o médio defensivo avança sobre a linha de passe interior e é o interior do lado contrário que entra em cobertura; situações em que é o avançado interior do lado da bola (principalmente quando há variação do centro de jogo) que vai encurtar ao corredor, o meio-campo fica em 1+2 com cobertura mais declarada do médio defensivo e o interior do lado da bola a saltar na linha de passe por dentro (lateral continua na referência de um extremo); situações em que foi o lateral a ir encurtar ao corredor, com ajuste da linha defensiva de 4 para 3 elementos (1+3) e cobertura defensiva do médio defensivo nas costas do lateral. Apesar de ser uma equipa com uma capacidade de pressão muito interessante (principalmente com os elementos da frente), o avanço da linha média sobre a construção adversária nesses momentos muitas vezes abre o espaço à frente da linha defensiva, o setor mais frágil desta seleção.

A figura – Arne Maier

Apesar do onze inicial estar recheado de jovens já com alguma dimensão (Ridle Baku foi titular na bela campanha interna do Wolfsburg, Florian Wirtz – nascido em 2003! – talvez seja o elemento com maior potencial de futuro, Berisha e Nmecha somaram mais de 40 golos no somatório desta época no Salzburg), o jogo dos germânicos tem passado muito pelos pés do capitão Arne Maier. O médio interior (normalmente do lado direito) de 22 anos do Hertha de Berlim tem sido um dos destaques da competição e será umas das individualidades que a seleção portuguesa terá de vigiar com mais atenção nos primeiros momentos de pressão (o próprio treinador referiu que a principal alteração estratégica do jogo com a Dinamarca para o jogo com a Holanda foi a saída declarada pelo lado direito com movimentos de apoio do médio para pegar jogo na construção). Possante fisicamente (1.86m e 80kg), o médio desequilibra essencialmente através do passe (tremendo lançador quando enquadrado, com uma execução precisa do gesto técnico seja em associação curta ou profundidade) e gestão dos ritmos de jogo (tomada de decisão sobre se a sua associação em passe será no sentido de acelerar – procurar o trio da frente – ou pausar).

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Sobre Juan Román Riquelme 67 artigos
Analista de performance em contexto de formação e de seniores. Fanático pela sinergia: análise - treino - jogo.

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