Kane com inspiração espanhola, o maior perigo para os italianos (detalhes em plano aberto)

A final entre Italia e Inglaterra promete ser um jogo entre duas seleções que se distinguem pela maneira como desequilibram, mas que acabam por se encaixar tanto ao nível dos sistemas como pela qualidade e características de vários dos seus jogadores (exceção feita no meio-campo, onde Jorginho e Verratti são bastante diferentes de Phillips e Rice, por exemplo). As duas seleções vêm de testes diferentes, mas exigentes, mas focando mais no lado italiano, a meia-final contra a Espanha foi quase uma final antecipada pela qualidade de jogo presente na formação espanhola. Duelos táticos muito interessantes, a defesa italiana a ser exposta pela primeira vez no torneio e, com algum ineficácia espanhola a ajudar, a vitoria italiana nos penalties foi muito sofrida para aquela que tinha (e tem, a meu ver) sido a melhor equipa da prova.

Nesse jogo da meia-final, a Espanha surpreendeu ao atuar com um avançado móvel. Dani Olmo, médio de origem, atuou na frente de ataque e esteve a um nível altíssimo nas suas ações e na interpretação do jogo com bola espanhol. Fugiu muito a Bonucci e Chielinni, não deu a referência física que ambos os centrais italianos gostam de ter, e acima de tudo criou superioridade contra o meio-campo italiano, obrigando Mancini a vários ajustes e criando situações de 4v3 em zonas centrais favorecendo a seleção e Luís Enrique (alguns desses momentos, incluindo o golo espanhol, onde Olmo e Morata fizeram esse papel de avançado móvel):

Ora, na final, não há qualquer segredo sobre quem será o avançado inglês. Harry Kane é titular indiscutível, é provavelmente o avançado que esteve a melhor nível na competição e tem sido decisivo na fase a eliminar. A Inglaterra não vai jogar com 4 médios, mas a verdade é que Kane é muito mais do que uma referência física na frente de ataque. Recua para receber, é forte no último passe e muito inteligente a aparecer em espaços onde os centrais não acompanham, mas também não existe a marcação de um dos médios. Com jogadores como Saka e Sterling fortíssimos nos movimentos verticais nas costas da defesa, apesar da pouca variabilidade de soluções com bola, existe sempre uma dupla ameaça para qualquer linha defensiva que defronte a seleção inglesa: proteger o espaço entre linhas por causa de Mason Mount e Harry Kane, mas também estar preparada para os excelentes desequilíbrios causados pelos centrais ingleses a procurarem as costas da defesa contrária, onde aparecem Sterling e Saka (acredito que seja a escolha para o lado direito inglês).

Apesar da Inglaterra ser bastante diferente da Espanha com bola, acredito que este será um dos focos de Mancini na preparação para esta final. Irão Chiellini e Bonucci acompanhar os movimentos de Kane? Irá a Italia pressionar em 4-4-2 como fez frente aos espanhóis na segunda parte para ter Verratti e Jorginho a controlar Mount e Kane? São vários os pontos de interesse para este jogo, sendo Harry Kane um daqueles craques que condiciona por completo a estratégia defensiva dos adversários.

Sobre RobertPires 69 artigos
Rodrigo Carvalho. 23 anos, experiência como treinador adjunto e analista em equipas séniores em Portugal e nos Estados Unidos. Passou pela Federação de Futebol dos Estados Unidos no departamento de Formação de Treinadores. Em colaboração com a Proscout, trabalhou diretamente com equipas técnicas profissionais e produziu relatórios de jogadores. Podem seguir muito do seu trabalho em @rodrigoccc97 no Twitter.

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