Como o Benfica e Gonçalo Ramos tiraram a bola ao Ajax

O jogo que colocou frente a frente dois históricos do futebol mundial veio mostrar na globalidade um Benfica melhor do que tem estado ultimamente e um Ajax menos dominador do que o habitual. Podemos sempre alegar que tem que ver com uma questão de uma equipa tentar superar uma crise através da motivação que um jogo de champions dá ao plantel ou que a outra não esteve tão inspirada. Contudo, é redutor ver o jogo apenas do ponto de vista psicológico e emocional.

O jogo de Gonçalo Ramos foi destacado tanto através da TV como através de vários meios de comunicação social. Principalmente na segunda parte o jovem português cresceu e apareceu muito mais vezes em situação de podemos alvejar a balizar ou definir jogadas em favor dos seus colegas. Contudo, houve todo um jogo sem bola que Gonçalo Ramos trouxe na exibição de ontem. Todo um jogo que foi fulcral para que o Benfica conseguisse suster o Ajax e até em certos períodos ficar por cima do jogo.

O Ajax é uma equipa conhecida pelo bom futebol que pratica e pelos vários golos que marca, especialmente na liga dos Países Baixos. O domínio que exerce sobre os seus adversários advém também de uma posse de bola constante durante todo o jogo. A equipa sente-se confortável a jogar em organização ofensiva e com percentagens de posse de bola elevadas. Tudo começa no seu médio defensivo que vem receber aos centrais e distribui a partir daí. Edson Álvarez é um 6 que joga com o número 4 nas costas. É um jogador com pulmão, capaz de cobrir uma boa área do campo sempre que a sua equipa está balanceada no ataque e acima de tudo, funciona como um pendulo dá as coberturas e apoios aos médios mais criativos.

Nélson Veríssimo entregou a missão a Ramos de fazer com que Edson não pudesse receber. Isto iria deixar o Benfica numa posição favorável porque se Edson não recebe, a construção do Ajax não é tão eficiente e muitas das bolas teriam de ser batidas na frente. Na segunda parte, melhorou ainda mais esse procedimento e o Ajax passou por dificuldades para sair do seu meio campo defensivo durante um largo período.

Além disso, Gonçalo Ramos ainda tirou Edson do corredor central várias vezes fazendo com que houvesse espaço para se jogar em frente área neerlandesa.

Sobre EdgarDavids 59 artigos
Analista de Desempenho Coletivo e Individual & Técnico de Exercício Físico.

2 Comentários

  1. Tenho uma imensa curiosidade e ainda não encontrei a estatística em lado nenhum. Por acaso têm noção de quanto o GR correu? Foi de loucos

  2. Excelente! Quer o Veríssimo, quer o Gonçalo, que já é o meu preferido, tem tudo, com e sem bola, e quando começar a chegar o golo, pareçe-me que vai ser um caso muito sério. Gostaria de o ver num 433, tipo equipa B do Benfica, mas parece-me que Veríssimo se adaptou muito bem ao nº de atacantes que tem de qualidade, apesar de todos diferentes, mas esta solução do Gonçalo, entre um 8, um 10 e um 9, parece-me incrivel, e que poderá elevar Gonçalo para patamares muito mais elevados.
    Entretanto, houve uma coisa no jogo com o Ajax, que não percebi muito bem, qual era a intenção de saida de bola? porque é que os laterais, não baixaram mais, abertos, para sair a jogar? pareceu-me muito arriscado aquelas saidas do pé de Ody, por cima da 1ª linha de pressão do Ajax, para o pequeno Grimaldo, como no 1º golo do Ajax. Qual era a intenção de saída do Benfica, que na realidade não compreendi bem?
    Jogo bastante divertido, desejo dose igual em Amesterdão!! 🙂

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