Falta critério, definição e lucidez ao Benfica

Manuel Almeida/Lusa

Desde cedo que se percebeu que o jogo se ia complicar para a equipa do Benfica. A expulsão de Taarabt representava algo que a equipa da Luz estava longe de querer para a noite de sexta-feira. Com um embate importante nos Países Baixos daqui a dias, jogar mais de 90 minutos com um jogador a menos, estava com toda a certeza fora dos planos do treinador.

Já não é de agora que o Benfica se sente carente de jogadores com critério e definição que lhe permita criar com qualidade. Longe vão os tempos de Gaitán, Jonas, João Félix ou do melhor Pizzi que de um momento para o outro resolviam o jogo com um golo que aparecia de uma situação que ninguém esperava ou com uma assistência deliciosa.

E talvez por isso, Nélson Veríssimo tem mantido a aposta em Adel Taarabt. Um jogador capaz do melhor momento de magia que desbloqueia o jogo, mas que, infelizmente, também prejudica a equipa muitas vezes com momentos de desconcentração ou de descontrolo emocional. Veríssimo procura critério e definição. Este plantel do Benfica não está propriamente bem fornecido deste tipo de armas.

Darwin e Rafa são jogadores de transição que oferecem muito ao jogo em velocidade e a romper defesas. O uruguaio tem-se afirmado cada vez mais também como finalizador mas peca quando tem de assistir o colega. Já o internacional português vive muita vez no limbo do “quase”. Arrancadas vertiginosas que desequilibram as defesas adversárias mas que depois ou erra no último passe ou até coloca na opção certa mas fora de timing ou da zona desejada.

Everton Cebolinha e João Mário são jogadores que poderiam ajudar nesta vertente mas tardam em ser opção válida. Os seus rendimentos oscilam bastante por vezes até dentro do próprio jogo o que parece não dar total garantia ao treinador.

Gonçalo Ramos tem trazido algum critério mas com uma posição híbrida entre o meio campo e o ataque, torna-se impossível de estar presente em todos os momentos da equipa acabando por se desgastar bastante.

Para o fim do jogo, como é natural, também faltou a lucidez e clareza. O Benfica precisa urgentemente de ganhar de forma constante. Caso contrário, este cenário da equipa parecer estar “sobre brasas” não irá passar tão depressa. E com isto vem as más decisões e os momentos de precipitação que em nada ajudam a equipa a vencer.

Sobre EdgarDavids 58 artigos
Analista de Desempenho Coletivo e Individual & Técnico de Exercício Físico.

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