Lisandro, um golo notável ou…?

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Ponto Prévio. O golo é fantástico.

No entanto, e apesar de tudo, a linha que separa um golo fantástico, de diversos erros defensivos, pode ser muito ténue.

Teria Lisandro marcado mais um golo de grande nível, perante uma melhor abordagem ao lance pelos defesas do Leixões? Não!

Se pararmos a imagem no momento em que Lisandro é solicitado, ou no momento em que este contacta pela primeira vez com a bola, verifica-se uma situação de 1×4, pelo que um correcto cumprimento dos princípios defensivos do jogo, dificilmente teria viabilizado o momento genial de Lisandro.

Mais do que a ingenuidade como Joel é batido (facilitando na forma como realiza a contenção, oferecendo o interior do campo), custa ver a inépcia ou a lentidão com que o defesa central livre (não) “leu” o jogo, não realizando a cobertura defensiva (cobertura essa, que o médio centro ainda tentou realizar, acabando por chegar tarde), que garantia o apoio que Joel necessitava, ou a distância a que o lateral direito se encontra de Joel, consentindo o passe em profunidade para Lisandro.

A tal péssima abordagem ao lance, acabou por transformar uma situação de 1×4 (Lisandro X 4 jogadores leixonenses), numa situação de 1×1 (Lisandro X Joel), onde Lisandro não tem por hábito facilitar.

Num só lance, é possível verificar 3 erros claros, que viabilizaram o golo:

1 – Má contenção (posicionamento defensivo entre a bola e a sua própria baliza, nunca oferecendo o interior do campo) de Joel;

2 – Ausência de cobertura defensiva (apoio ao colega em contenção (Joel), preparando o que vulgarmente apelidamos de “dobra”) pelo defesa central livre;

3 – Incumprimento do 3º princípio defensivo do jogo (a concentração! Garantir que os defensores estejam bem próximos uns dos outros. Princípio que a ter acontecido, teria primeiramente, evitado que o passe em profunidade para Lisandro fosse possível (estivesse o defesa lateral, mais próximo do defesa central) e num segundo momento, facilitado a cobertura defensiva).

PS – Facilitado, ou não, Lisandro é, até ver Suazo, de longe o melhor avançado da Liga Sagres.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

10 comentários em Lisandro, um golo notável ou…?

  1. Totalmente de acordo, PB. A equipa do Leixões parecia estática. Eu vejo ainda outro erro. O posicionamento deficiente inicial do lateral, que permite que a bola entre na sua zona, onde Lisandro a apanha. Depois, Joel acompanha e os restantes defesas ficam a olhar, não encurtando espaços. Mas isso tem muito a ver com a forma como José Mota põe as suas equipas a defender. Fazendo da referência o homem, os centrais, não tendo ninguém para marcar, permanecem estáticos quer a bola esteja no meio, quer esteja numa das linhas.

    Abraço!

  2. Boas Nuno, também, o posicionamento deficiente do lateral, é mencionado no texto

    “…ou a distância a que o lateral direito se encontra de Joel, consentindo o passe em profundidade para Lisandro…”

    “…incumpreminento do 3º princípio do jogo. (a concentração! Garantir que os defensores estejam bem próximos uns dos outros. Princípio que a ter acontecido, teria primeiramente, evitado que o passe em profundidade para Lisandro fosse possível…”

    Ou seja… com uma melhor abordagem, o lance até seria de 1×5!

    Carlos, se nunca se falhasse, não haveria golos, mas cabe aos treinadores analisarem estas situações, para que as falhas ocorram somente nas equipas adversárias!

  3. Nuno,

    se há forma como o Zé Mota põe as suas equipas a defender, eu acho que isso já o torna mais valioso do que a ideia que tenho dele. Sempre revela uma (má)estratégia, mas uma estratégia… é que eu tenho ideia de que mesmo na Liga Sagres ainda há muitos treinadores que se limitam a dar a bola, a organizar exercícios de finalização, totalmente desenquadrados daquilo que os jogadores encontram nos jogos e a escolherem o 11!

  4. Pois, talvez. Eu, quando falo na “forma de defender” do José Mota, referia-me à estratégia do homem a homem. Provavelmente, deixará a cargo dos seus jogadores a atribuição de marcações, mas decerto que exigirá ao lateral a marcação ao extremo, ao médio-defensivo a marcação ao 10, etc…

  5. Uma abordagem correcta do lance.

    Só uma nota, devia claramente estarem os defensores mais próximos para fazerem a cobertura defensiva uns aos outros, mas mais grave para mim, é o central que está mais perto preocupar-se mais com o homem que vinha nas suas costas, que aproximar-se do colega que foi ao homem para fazer cobertura, pois se observarem, quem vem em apoio da cobertura, é um médio, que estava atrasado, e não chegou a tempo, enquanto o outro central, observa a distancia, em vez de reduzir espaço, sendo que quem devia fazer depois a cobertura aos homens que vinham no meio, era efectivamente o médio e o lateral oposto.

    O lance é tremendo de Lisandro, mas sem erros nunca existiam golos, mas podemos minorizá-los, isso é óbvio.

    um abraço

  6. Boas, Sousa… novamente um problema de terminologia.

    “quem vem em apoio da cobertura”

    A cobertura é o apoio. Quem faz a cobertura ajuda quem está na contenção (1º princípio defensivo do jogo)

    abraços

  7. Não, neste caso é um erro grave meu, pois o que queria dizer, era:

    …”quem vem em apoio PARA FAZER A cobertura …”

    E já que fala em princípios de jogo cá vai tudo:

    A cada um dos 4 princípios específicos do ataque (penetração, cobertura ofensiva, mobilidade e espaço) correspondem outros tantos da defesa (contenção, cobertura defensiva, equilíbrio e concentração).

    A terminologia que aqui falamos é um pouco diferente do nosso ultimo tema, pois no outro são utilizados termos idênticos para exprimir conceitos diferentes.

    Abraço

  8. Creio que há um erro evidente de abordagem individual do Joel e é isso que é aproveitado pelo Lisandro.

    Depois, concordo que há um espaço excessivo entre os centrais, porque o segundo central não faz também ele o movimento de aproximação que se aconselhava, permitindo que o Lisandro saia do drible.

    Mas há um aspecto que me parece decisivo que é a concentração colectiva (tal como foi dito) no inicio da jogada. A equipa está toda para trás da linha da bola e o jogo está parado. A primeira fase de pressão está desconcentrada e permite que o Tomas Costa avance sem qualquer oposição colocando, num só passe, a bola nas costas da defesa, o que dificulta sempre a tarefa porque os jogadores têm de recuperar terreno ao mesmo tempo que definem o seu posicionamento em face das várias referências de marcação (bola, zona, homem), havendo sempre um maior descontrolo defensivo neste tipo de situações (vê-se melhor aqui http://futebol.videos.sapo.pt/T4no1Zrw3CZs3Em0BRdU)

    Bom post!

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