O suspeito do costume

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Por mais miticos que se possam considerar todos os derbys, um Sporting – Benfica, será, eternamente, o mais interessante jogo do planeta.

Reza a lenda, que o vence, quem parece partir em desvantagem. Foi assim nos 7-1, nos 3-6 e em quase todos os outros.

O derby de 2008/2009 não podia ser diferente. Em termos teóricos, Benfica em vantagem. A obrigação leonina de vencer o jogo, permitia ao Benfica apresentar-se da forma como se sente mais confortável. Linha defensiva nas imediações da sua área, médios próximos do sector defensivo, encurtando o espaço. Bastaria esperar pelo momento oportuno, para esboçar as saidas rápidas para o ataque, conduzidas por Aimar ou Reyes, explorando a profundidade de Suazo.

A desvantagem no resultado, tornou visiveis, mais uma vez, todas as insuficiências do Benfica de Quique Flores. No momento em que procura assumir o jogo, o Benfica fá-lo, com demasiada gente à frente da linha da bola. Eventuais perdas da sua posse, tornam a equipa demasiado susceptível aos contra-ataques adversários. Ao longo de toda a segunda parte, as situações de 5×6, 4×5, com todo um meio campo para jogar, foram-se sucedendo. Da intenção de encurtar o espaço, nada resultou. A defesa não se sentia confortável a subir a linha, para aproximar dos médios e os médios não tinham capacidade para encurtar os espaços, após as perdas de bola.

Da capacidade técnica de Izmailov e Vukcevic, da disponibilidade de Moutinho, da mobilidade fantástica de todo o ataque do Sporting (Quique havia referido, que nessa apreciável característica, residia grande parte do poderio leonino) e da incrível capacidade goleadora de Liedson (sempre ele, claro) surge uma vitória inteiramente justa.

P.S. – No colectivo reside a virtude do Sporting de Paulo Bento. Mas, alguém consegue imaginar um Sporting acutilante sem Liedson? E se tem estado presente em 3 das 4 derrotas que o Sporting averbou? Poderia ter sido diferente?

P.S.II – Perder no Estádio do Dragão, trará o Sporting, de novo, à estaca zero.

P.S.III – Não enquadrar Cardozo na equipa é de loucos.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2359 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

3 comentários em O suspeito do costume

  1. Que bela jogatana de futebol! De uma primeira parte equilibrada passámos para uma segunda parte em que só jogou uma equipa, em que o Sporting deslumbrou e esmagou um Benfica que mal cheirou a bola. Aos 3-1, parecia que o Benfica estava a defender o resultado. Razões para tão grande supermacia? Serão muitas certamente, mas destaco aqui 3 que me parecem bem relevantes:

    1. O Benfica iniciou o jogo com 5 jogadores que só este ano chegaram a Portugal: Sidnei, Yebda, Reyes, Aimar e Suazo. Quando individualmente as coisas saiem bem, como nas Antas, a coisa disfarça. Mas contra uma equipa coesa e com mecanismos sólidos o Benfica tem geralmente muitas dificuldades. Aconteceu hoje, acontece em muitos jogos contra equipas menores do campeonato, aconteceu na taça Uefa.

    2. Liedson. O Sporting mantém há já alguns anos este fabuloso ponta de lança, à custa de esforço financeiro, de muito carinho da Direcção, da equipa técnica e dos adeptos. Quando não há muito dinheiro para segurar jogadores, há que apostar na boa gestão de recursos humanos. Um jogador que se sinta acarinhado, que perceba que o clube está a pagar tudo o que pode, é capaz de abdicar de mais uns cifrões para ser feliz.

    Por outro lado, o Benfica investiu o ano passado 9 milhões num belíssimo ponta de lança, Cardoso. E o que fez de um ano para o outro? Recompensou Cardoso com o banco, com o estatuto de figura de segundo plano. Em detrimento dele apostou em Suazo, um jogador emprestado que apesar de potente e com inequívocas qualidades, não fez ainda a mínima sombra ao que Cardoso mostrou o ano passado. É compreensível esta forma de gerir as expectativas de um jogador? Pensem nisso.

    3. As propaladas vedetas Reyes e Di Maria. Somando os 90 minutos do primeiro e a meia hora do segundo, esses 120 minutos não chegaram aos calcanhares dos 10 minutos do humilde Pereirinha. Pensem também nisso, benfiquistas.

    Um abraço,
    http://bolaseletras.blogs.sapo.pt/

    António

  2. Ontem, o Liedson acabou por ser decisivo, ainda que o primeiro golo me pareça uma coisa muito esquisito. Não estou a questionar a intenção dele chutar à baliza, mas a maneira como o fez. Aquilo não é nada ortodoxo. Acabou por ser um grande golo, mas aquela execução foi muito esquisita. Agora, também é importante referir que, à parte dos golos, o jogo do Liedson ontem foi absolutamente horroroso. Aquelas bicicletas de fora da área são do mais estúpido que há. Se o Liedson fizesse sempre 1 golo por jogo, muito bem, compensava tudo o que de mau faz. Mas isso não acontece. Marca 1 golo a cada 2 jogos. O que significa que há metade dos jogos em que o Liedson é prejudicial à equipa. É aí que reside o meu principal desagrado em relação a ele.

    Quanto ao Cardozo, é resultado de o Quique querer um 442 clássico. No modelo do Benfica, Cardozo acaba por ser um jogador vulgar, uma vez que não é rápido para aproveitar a profundidade nem é solicitado em futebol apoiado.

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