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Belenenses. De Jorge Jesus a Jaime Pacheco

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Cruel é o adjectivo que de melhor forma sintetiza a decisão de, menos de um ano depois de perder Jorge Jesus, contratar Jaime Pacheco para o mesmo cargo. Cruel para toda uma massa associativa, mas essencialmente cruel para o lote de jogadores belenenses que transitaram de uma época para a outra.

As diferenças são enormes. Enquanto um é apelidado, por vários seus ex-jogadores como o treinador que mais lhes ensinou, em termos tácticos (ocupação dos espaços e tomadas de decisão) ao longo de toda a sua carreira. Um, em particular, eleva-o, em termos tácticos ao patamar de José Mourinho. O outro, parece que, única tarefa é organizar peladinhas, exercícios de finalização e escolher onze jogadores ao fim de semana.

Para qualquer jogador ambicioso, perder alguém capaz de corrigir posicionamentos ao metro, explicar e treinar os comportamentos a adoptar nos vários momentos do jogo, por um treinador, que nem os princípios do jogo conhece, é no minimo, passível de uma desmotivação atroz.

De uma época para a outra, o Belenenses, perdeu as referências zonais, para se lançar numa caça ao homem (“quem marca ao homem corre por onde o rival quer. Essa caçada tem por fim capturar um inimigo, mas o meio usado converte o marcador em prisioneiro” (Valdano, 2002.)), em termos defensivos. Perdeu as excelentes transições rápidas, que lhes eram características, e os seus jogadores perderam todo o prazer que retiravam do jogo.

A descida de divisão para uma equipa que há bem pouco tempo se batia quase de igual para igual com o Bayern Munique, é uma realidade cada vez mais forte. É que as equipas fortes, não são construídas à base de discursos de “motivação” e “raça”, nem tão pouco usando cachecois ao pescoço. Ainda que a empatia (com os adeptos), seja algo de importante, a competência táctica é a principal chave para o sucesso.

Quem tomou tais decisões, merece. E por vezes, por um… pagam todos.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2862 artigos
Creator of the "Lateral Esquerdo", is also a teacher at the University Stadium in Lisbon. Soccer coach, having conquered several national titles in Portugal. Experience as soccer coordinator, and lecturer at various Sports Universities. Author of the book "Build a champion team" from the publisher PrimeBooks.

4 comentários em Belenenses. De Jorge Jesus a Jaime Pacheco

  1. PB,
    a grande maioria dos actuais jogadores do Belenenses não conheceu JJ, ou seja, não estava no Restelo a época passada.
    Esse, muito mais do que Jaime Pacheco, é o problema principal.

  2. Tenho ideia de que o Belenenses perdeu 6 dos habituais titulares (Amorim, AlcÂntara, Rolando, Alvim, Weldon e Bastos) (q é bastante). Mas manteve outros de indiscutivel qualidade. N me parece q o problema do Belenenses actual seja a qualidade individual

    PS – Claro q ir buscar um camião de brasileiros, tb, nc é boa ideia

  3. A gestão desportiva do clube é uma aberração. Tenho quase a certeza que Jesus caiu lá por acaso, como acontecera antes com Carvalhal. Porque substituir Jesus por Casimiro Mior e depois por Jaime Pacheco é uma atrocidade e não faz sentido nenhum. Não houve coerência, não houve uma ideia concreta. Coitados do Zé Pedro e do Silas…

  4. Indiscutivel qualidade? Quem além de JCésar, Zé Pedro e Silas? Concedendo alguma qualidade a Gabriel Gomez e a Roncatto que podia dar muito mais que aquilo que deu…

    É que os reforços de Inverno foram bons, mas não se constroem equipas em Janeiro. Eu continuo a dizer, o grande problema do Belenenses esteve na pré-época. Jaime Pacheco não é o melhor treinador do mundo, mas não é milagreiro…

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