Simon, Hulk e Di Maria.

white corner field line on artificial green grass of soccer field

“Corro, pressiono, tento fechar espaços.” Di Maria.

Se crê que o acréscimo exibicional de Di Maria se deve a factores físicos, ou à maior predisposição para correr e pressionar, está enganado.

Em termos defensivos, a chave está na ultima afirmação. Fechar espaços. Com os 11 jogadores preocupados em fechar o seu espaço, os momentos para pressionar surgem, quando o portador da bola está no seu espaço. O tempo para correr, é essencialmente sem bola. Em sprints nas transições (momentos que se seguem à perda ou recuperação da posse de bola), procurando, chegar rápidamente ao seu espaço. Em passada larga e/ou curta, garantindo opções (linhas de passe) ao portador da bola e conferindo mobilidade à equipa, nos momentos ofensivos. Basculando, com os colegas, em função da bola, nos momentos defensivos.

Jorge Jesus afirmou, convincentemente, de que os jogadores se valorizariam consigo. Para Di Maria, não se consegue imaginar nada melhor, para o progresso da sua carreira, do que ter a oportunidade de ser treinado por alguém com tantos conhecimentos tácticos. Aguarda-se confirmação, da sua evolução.

“Nem Paulo Bento, nem ninguém me pode mudar.” Simon Vukcevic.

É pena.

Simon tem traços individuais fantásticos. Tem talento, é muito forte, executa rápido e é explosivo. O seu potencial, vai muito para além da Liga Portuguesa. Porém, persiste em viver à margem do colectivo.

Simon afirma não gostar de futebol. Essa será, porventura, uma possível explicação para que não se entregue, verdadeiramente, à equipa. Do jogo, Vuk, parece querer, apenas, divertir-se. Finta e remata. Finta e cruza. A imprevisibilidade é positiva. Quando são os adversários, a serem incapazes de discernir as suas opções. Quando os próprios colegas não compreendem os timings das acções que realiza, algo tem de ser mudado.

Quem sabe, um dia, quando abrir a sua mente, Vuk entenderá, que não há diversão igual, à que se retira, quando se faz parte de uma equipa que não vive de impulsos individuais.

“Hulk impressiona mais os adeptos que os treinadores”. Jesualdo Ferreira.

As características individuais são soberbas. Velocidade de passada e de execução, explosão, força e capacidade técnica.

Hulk é o heroi da pequenada. Mas, não do seu treinador (pudera. Quem teve Lucho e Lisandro…). Apesar da enorme evolução obtida, continua a ser bastante limitado na tomada de decisões. Hulk entende que os jogos se resolvem por iniciativas individuais. Tivesse jogado na década de 70 ou 80 e, quem sabe, não perduraria na história do futebol.

Só Jesualdo saberá, se Hulk continua com vontade de se tornar melhor jogador. O facto de ser, tal como Quaresma, bem sucedido (fruto da sua extrordinária capacidade individual), por diversas vezes, mesmo tomando opções erradas, poderá retirar-lhe predisposição para aprender (ainda para mais, depois de elevado a super estrela, face à partida dos enormes argentinos).

Se mesmo por caminhos errados, Hulk, por vezes, encontra o sucesso. Que jogador seria se desenvolvesse o lado intelectual? É nessa perspectiva de evolução, que Jesualdo encara Hulk. Um produto limitado numa vertente decisiva no jogo moderno. Mas, não acabado.

P.S. – Os três jovens talentos, poderão ser, quem mais entusiasma os adeptos. Porém, estão bastante longe de serem os melhores jogadores das suas equipas. Paulo Bento, Jesus e Jesualdo, sabem-no!

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2355 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

6 comentários em Simon, Hulk e Di Maria.

  1. Realmente se vê que equipas fazem jogadores e não o contrário. O Porto de Vilas Boas faz Hulk brilhar. Mas ainda assim o melhor jogador é o despercebido Moutinho que recupera mais bolas que qualquer outro jogador nesta liga e é um dos melhores, senão o melhor, no que diz respeito à técnica de passe curto. Faz mais de 60 passes certos por jogo, para mim é o melhor jogador da liga neste momento.
    Di Maria saltou para o Real por ter aprendido a defender e a passar a bola. Quem viu os jogos da Argentina no último mundial sabe do que falo.
    Quanto ao Vuck é um talento que se desperdiça.

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