André Villas Boas. Uma pedrada no charco?

white corner field line on artificial green grass of soccer field

“Para mim não existem marcações individuais. Não acredito nesse tipo de marcação. Prefiro zonas de pressão e limitação de espaços. Se pressionar como pretendo e limitar as zonas de acção dos jogadores adversários, então percorremos meio caminho para conseguir um resultado positivo”.

Pelo teor das afirmações de André Villas Boas, a Académica promete passar de uma das mais desorganizadas equipas da liga (sob o comando de Rogério Gonçalves), para uma das mais competentes.

Na Liga Sagres, pouquíssimas equipas são capazes de colocar os seus onze jogadores a moverem-se em conjunto. Ocupando o campo de forma criteriosa e sob princípios colectivos. É comum, a forma aleatória (em função do adversário directo), com que os jogadores se deslocam no campo, quando a sua equipa não tem a posse de bola. Não há qualquer definição de linhas defensivas (sejam alinhadas na horizontal, ou na diagonal). Há defesas “esburacadas” pela mobilidade do ataque adversário. Os conceitos defensivos da larga maioria dos treinadores da Liga, passam pelo incutir de maior agressividade, como forma de minimizar o mau posicionamento. Crê-se que o defesa precisa de ser melhor (mais forte, mais rápido) que o avançado para o poder anular. Nada mais falso.

Se Villas Boas demonstrar capacidade para transmitir os seus conhecimentos. Se for capaz de passar as suas ideias, a Académica, ainda que, em termos individuais, seja das mais débeis, poderá tornar-se numa das mais interessantes equipas da Liga.

P.S. – Confirmando-se a sua capacidade táctica, e não menos importante, capacidade para, pela prática (exercícios em situação de treino) implementar as suas ideias, a partir de Dezembro, os jogos da Académica poderão tornar-se bem mais interessantes de seguir…

P.S. II – Também Carlos Azenha garantira que a sua equipa defenderia como o Milan de Arrigo Sachi. Contudo, não pareceu sequer, que tenha havido uma tentativa, de pelo menos, adoptar os mesmos princípios.

P.S. III – Importante será perceber, também, a capacidade intelectual dos jogadores da briosa. O caminho idealizado promete ser o mais correcto. Mas, não o mais fácil de perceber.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

14 comentários em André Villas Boas. Uma pedrada no charco?

  1. Ainda hoje estava a discutir algo parecido com um colega.

    Uma coisa é termos os conhecimentos, outra diferente é termos os conhecimentos e observando os treinos e jogos saber identificar os erros, e encontrar as soluções.

    E uma coisa completamente diferente é ter tudo o referido anteriormente e … ser capaz, de no treino, colocar isso em prática.

    Vou estar super atento a briosa a partir de agora.

    Não será nada fácil conseguir lutar contra processos que estão instaurados a muitos anos, mudar mentalidades, criar hábitos. E .. ter espaço e tempo para o fazer.

    Espero que consiga, já que é absolutamente necessário que haja referências perto de "nós" para que o exemplo possa ser seguido.

  2. grande jogo da Academica!

    Os corruptos, como é seu costume, só ganharam com mais uma vergonhaça. O futebol em Portugal está todo comprado.

    Como é q equipas c o cepo do Hulk (só hj contei 20 perdas de bola lol), q nem um passe sabe fazer, andam a lutar pelo titulo?

    A explicação é simples.

    CORRUPÇÃO! A ACADÉMICA JAMAIS PERDIA ESTE JOGO

    POVO DE MERDA

  3. pois foi tal a corrupçao k o 2º golo da academica nasce duma mao.
    hulk nao acerta 1 passe mas por acaso poe o falcao na cara do golo k ele falha escandalosamente. mas perdeu muitas bolas hoje sim, tal como rodriguez mariano ou meireles.

  4. o ministro todos os comentários que faz demonstram um profundo complexo de inferioridade para com o FCP e seus adeptos… se tivesse visto o jogo tinha reparado que golos ilegais houve dois: os dois últimos, um para cada lado. falar de futebol é que nada… pudera, um gajo que segue o "orelhas" tão cegamente… vamos lá a ver se amanhã se volta a abrir o marcador com um mergulho do Aimar- o mais difícil é o primeiro

  5. Malta aqui do blog, urgente activar a moderação dos comentários 😉

    Quando se dá um dedo, há logo quem queira o braço todo..

    Em relação ao jogo, foi uma agradável surpresa a organização da Académica, sectores muito juntos, boa basculação em relação a bola, constante superioridade numérica perto da bola, e retirar a bola da pressão de forma coerente e organizada, a poucos toques e raramente com "biqueirada" para a frente.

  6. Tenho alguma curiosidade para perceber as verdadeiras competências de André Villas-Boas. Ao contrário de Carlos Azenha, de quem sempre suspeitei, estou com algumas expectativas em relação a ele. Ontem, com apenas 2 semanas de trabalho, a sua Académica apresentou-se muito personalizada. A defender esteve quase irrepreensível, denotando uma organização colectiva acima do normal e dificultando, e muito, o trabalho ao Porto. A atacar, sempre que assim o quis, denotou também processos simples, com boa qualidade a trocar a bola. A meu ver, claudicou por falta de confiança, o que é absolutamente normal. Em vários momentos do jogo, abdicou de tentar ter a bola e reservou-se àquilo que estava a ser um desempenho defensivo muito bom. Deveria ter continuado a sair para o ataque pausadamente e, ao não o fazer, foi empurrada para trás. Mas sempre que teve que subir as linhas mostrou qualidade com bola. Promete…

  7. Pareceu-me que a académica melhorou 200% da sua qualidade colectiva. Penso que não é em duas semanas que Vilas Boas consegue fazer milagres…Acho que já definiu muito bem as zonas de pressão, mas existe todo um trabalho que é necessário fazer para tornar esta académica mais forte. Vamos ver se este treinador é bom como líder, ou só o é no treino. Vamos ver como é esta académica contra a naval, leiria e outros que tal, pois a académica sempre foi de jogar contra grandes.

    Só tenho pena, neste jogo, que o internacional português volte ao seu estado normal de pânico, dando pontapés a tudo que se mexe no estádio!

  8. Todos estão na expectativa deste treinador fazer coisas que outro faz e só porque saiu da estrutura de José Mourinho, e quanto mais comparação ou expectativas tem, mais patetas se tornam, pois uma coisa e ser observador de equipas, como este era, com espaço muito limitado na estrutura do José, outra e implementar em pratica aquilo que esse fazia, ate porque a maneira de pensar em muitas coisas deve ser diferente, tal como na personalidade, na maneira de estar, na forma de treinar, mesmo que com parecenças, mas o mais importante, a qualidade táctica e genuína de avaliar o individual que cada um tem e depois completar essas pecas no colectivo, para alem da decisão em todos os momentos.

    Era bom que cada treinador que treinasse com outros fosse igual ou parecido, pois teríamos com certeza muitos melhores treinadores, ate porque muitos já trabalharam com grandes treinadores e não são hoje bons treinadores, mas,,,mais um.

  9. Uma análise e observação interessantes, aqui retratadas com base nas declarações do Villas Boas, mas também após algumas boas indicações da Académica no Dragão.

    Porém, creio que faltou mencionar que além do ser importante transmitir estas ideias quanto ao posicionamento defensivo e princípios colectivos, é importante ter jogadores que o saibam interpretar. Todos sabemos que nem todos os jogadores são capazes de interpretar da melhor forma, dentro de campo, as indicações que lhe são dadas, seja ele um Mourinho, um Sacchi, um Jesus, Anchelloti ou um outro qualquer e quando os há, eles regra geral atingem mais facilmente altos voos, claro está.

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