Sampaoli. Um exemplo contra a intuição

Fomos habituados a pensar no jogo de trás para frente. Da defesa para o ataque. E por isso, somos sempre levados a acreditar que as primeiras matrizes que se devem trabalhar numa equipa por forma a mais facilmente chegar às vitórias são as defensivas. Mas tudo depende. E a forma de trabalhar deve ser adaptada as exigências e objectivos da equipa, ao contexto. Por que não começar primeiro com a organização ofensiva? Se a equipa não tem a exigência de competir por cada pontinho, e o objectivo não passa por conquistar o título, por que não começar com o mais caótico? Dar-lhe assim mais preponderância e tempo de trabalho, para que mais cedo se comece a evoluir nesse processo. Fica a questão.

Porque se é mais fácil trabalhar em cima de vitórias, num país e numa cultura onde o entendimento do jogo ofensivo é superior mais facilmente os próprios jogadores se apaixonam pelo treinador pelo que ele lhes dá quando têm a bola. Protagonismo, golos. Muitos golos. Os jogadores, e todo o contexto à volta do clube. Desde o público aos próprios dirigentes.

Pedro Baiao1

Contudo, é certo que não é positivo quando o adversário cria uma situação de golo cada vez que se aproxima da baliza. E se é um espanto o que o Sevilla já joga nos momentos ofensivos (mostrou-o também nos jogos contra adversários superiores – Barcelona, Real Madrid), é assustadora a forma como permite que o adversário entre na área com a bola controlada. Este lance de ontem contra o Espanyol é um exemplo, porque não é em todos os jogos que vai conseguir superar quatro golos sofridos.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

5 comentários em Sampaoli. Um exemplo contra a intuição

  1. A forma como vê o jogo e como tenta dar argumentos para que todos (jogadores e adeptos) é apaixonante…

    É assim que tanto Sampaoli como Lillo vêm o jogo. Fico feliz por saber que com eles o futebol vai continuar a ser desporto rei.

  2. Obrigado pela citação!

    Notaram-se ainda dificuldades na ligação da construção com a criação. A partir do 2-1, quando o Espanyol começa a condicionar a construção logo com 3 homens, notou-se alguma indefinição nas desmarcações de apoio para ligar a criação. Exemplo disso é o 2º golo do Espanyol.
    Á primeira vista parece que é Parejo que erra na decisão, mas também é certo que não existiam linhas de passe quer para manter a posse ou para progredir. No vídeo aparece uma sugestão daquilo que Sarabia ou Vasquez (ou ambos) poderiam ter dado ao central.

    [vimeo 179651615 w=640 h=360]
    Espanyol 2nd Goal – Hernan Perez from Pedro on Vimeo.

  3. Curiosamente, quando se pensa em ensino do jogo, nas idades mais jovens, pensa-se em ensinar atraves do ataque.

    A bola ja atrapalha o suficiente, e se ensinarmos primeiro comportamentos defensivos, fica muito dificil haver continuidade no jogo.

    Alem de que, para o jogador eh muito mais interessante ultrapassar adversarios e tentar marcar golos.

    A cena toda eh em primeiro lugar “filosofica” se quisermos, eh a diferenca entre “desenrasquem-se a atacar” ou “desenrasquem-se a defender”. Ate para quem apenas ve o jogo as coisas sao diferentes.

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