Os homens do Derby. Otamendi e Kolarov.

Será sempre muito mais fácil notar Silva pelos seus traços individuais, e por ser a bandeira da forma de jogar que Pep idealiza. E é verdade que Silva tem estado a um nível muito alto, e talvez seja o único jogador que Guardiola não quer perder até as coisas estarem minimamente sólidas. Mas, falar do duelo de Manchester, é falar de Otamendi e Kolarov. Sublimes com bola, e de uma importância capital no início da construção onde o City tenta ao máximo fugir aos duelos. Se não é por eles hoje, a colocarem a bola nos jogadores mais adiantados quase sempre nas melhores condições, muito dificilmente se daria a superioridade que se percebeu durante toda a primeira parte. Mais difícil de notar as suas acções por não pisarem os mesmos terrenos de Silva, e não gozarem da tremenda classe do génio espanhol.

Ps: Se o City vai sofrer esta época é nas primeiras e segundas bolas. No choque. Onde os adversários os superam constantemente. São mais altos, e mais fortes. E dada a superior qualidade que enfrenta todas as semanas, qualquer vantagem inferior a três golos continua a manter o resultado em aberto.

Ps1: Sagna. A pensar somente no processo defensivo, e no local por onde em velocidade a equipa de Mourinho mais poderia causar dano. A fechar a transição ofensiva, em transição defensiva, o corredor esquerdo do United. Ali a bola entra no espaço, do outro lado entra mais no pé. Por isso Sagna, que se evidencia pelas suas capacidades condicionais mais do que Zabaleta.

Ps2: Mourinho a não explorar as costas de Kolarov, mesmo em desvantagem. Colocando ali um jogador veloz a probabilidade de ultrapassar o sérvio aumentaria, uma vez que se notam nele dificuldades em acompanhar os lances mais rápidos. Ultrapassado o defesa esquerdo a necessidade de ajustar seria constante, e por isso de tornar mais instáveis os comportamentos defensivos da formação de Guardiola.

Blessing
Sobre Blessing 88 artigos
Treinador de futebol, de momento na formação. Experiência como Treinador Adjunto no escalão de seniores masculino e feminino, tendo esta época culminado com a conquista de todas as provas nacionais em disputa. Desempenha também funções como Scout para 1ºLiga. Criador do Blog Posse de Bola

4 comentários em Os homens do Derby. Otamendi e Kolarov.

  1. Otamendi foi imperial, e não só com bola. Stones também desinibido, mas com o fantasma de Ibra sempre em cima, tremeu mais um pouco. Ainda assim, o futuro será dele.

    Mas Silva… é vinho de outra pipa, finalmente chegou às mãos de Pep.

  2. O city impôs o ritmo do jogo na 1a parte. O bravo tambem foi decisivo nesse aspecto, é diferente despachar para a frente do que fazê-lo com objectividade e ele foi capaz de jogar curto ou longo com qualidade, mas acima de tudo conseguia ser a cobertura aos seus colegas de forma a parar o pressing contrário e iniciar o processo ofensivo.
    Fernandinho esteve irrepreensível no seu posicionamento defensivo e ofensivo. Penso que toda a equipa do city esteve uns furos acima da equipa do United. Quando Mourinho arrisca tudo, arriscou também ser goleado, aí a sua equipa contou com o desacerto dos adversários nas várias situações que tiveram para dilatar a vantagem. Continuo a admirar a coragem de Guardiola em tentar melhorar as qualidades dos seus jogadores, nunca será fácil mudar alguns egos mas são jogos como este que demonstram que tal é possivel.
    Facto: zero remates do United à baliza(enquadrados) do city na 2a parte. Mas é verdade que podiam ter marcado…
    Ainda a procissão vai no adro mas continuo a pensar que o city será com maior ou menor dificuldade o campeão, quanto mais não seja o campeão do futebol que gosto de ver.

    Blessing, concordo com quase tudo à excepção da referência que fizeste ao choque, às 1as e 2as bolas, é que hoje até vi o Silva a ganhar ao pogba no jogo aéreo e na 1a parte o domínio do city deveu-se em parte à forma como ganhavam a maioria das 2as bolas.

    Abraço

    • O facto de ter ganho algumas 1as bolas n implica que n tenha perdido a maioria. E as segundas bolas são sempre um pouco como a lotaria. Não no sentido de quem se organiza melhor para as vencer – e aí Guardiola preparou muito bem a equipa, abdicando até mtas vezes de disputar a primeira para garantir um melhor posicionamento para a segunda -, mas na fase seguinte em que a bola é ganha no meio da pressão, e é mais fácil para o adversário pressionar porque por si só o espaço já é reduzido. Daí ter-se percebido no jogo tantos momentos de bola cá, bola lá no espaço curtíssimo, 15x15m. Ganha City, ganha Utd, ganha City, ganha Utd novamente…

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