Sir William de Portugal

Há não muito foi por cá debatida uma mudança de centro de jogo que proporcionou que uma situação de 4×7 passasse para uma de 1×1 num espaço idêntico, e o quão vantajoso e importante é o jogo de espaços que sempre se tem de fazer para chegar à baliza adversária. Afinal, é muito raro ser possível desenhar uma linha recta até à meta, quando o desporto é o futebol.

Em Portugal há um médio que domina como poucos o conceito de tempo e espaço aquando da posse. É um facilitador para os colegas. Sabe sempre quando é o momento de pausar, mas também o de acelerar, não pela sua passada, mas pela decisão com passe mais rápido e mais longo se assim se impõe. Um médio que liga em cobertura os corredores sempre de uma forma aparentemente fácil, mas somente porque decide de forma assertiva. Alguém que joga sempre com o espaço ao seu redor. Um médio que baixa metros para sair da pressão e ser uma referência tranquila, mas que também na primeira fase de construção percebe quando deve receber nas costas dos avançados adversários. Um médio que vê tudo ao seu redor e que transforma situações lotadas em situações mais vantajosas porque com mais espaço e menos oposição para os colegas.

Lento quando é para ser lento, mas rápido quando assim se impõe. A qualidade de passe em largura e o posicionamento permite-lhe ligar corredor a corredor por dentro do bloco (entre médios e avançados) adversário com um só passe, acelerando portanto a variação, e com uma facilidade tal que chega a ser desvalorizado o gesto.

Sobretudo por tudo o que é com bola, pela forma como determina o ritmo ofensivo de todo um jogo, seja em organização ou transição, William Carvalho não tem na selecção nacional um rival à sua altura. E desengane-se quem pensa que William não dará o salto para uma Liga de nível muito superior à nossa.

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Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2366 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

20 comentários em Sir William de Portugal

  1. Jogar (bem) com o espaço ao seu redor não é equivalente a receber sempre orientado para o lado oposto e explorar sempre a menor densidade com variações de flanco. Criar dúvida, atrair, fixar, jogar num gajo apertado só para que este devolva não se faz reduzindo o número de toques. O espaço verdadeiramente fértil nunca é o menos preenchido. O william também consegue isto, mas no contexto da nossa magnifica selecção estas variações de flanco resultam em um, e um só, tipo de accção. Daquelas que o engenheiro gosta…

    • Certo. Cada lance é um lance. Nao é nem pode ser matemática a decisão. Mas neste jogo, neste contexto era qs sp isso q cada lance pedia

      • Marco, porque deduzes que cada pessoa que faça um comentário inteligente tenha que jogar ou treinar algum clube? Não pode ter outra actividade/profissão? Um professor de desporto interessado de forma mais particular por futebol? Um apostador há já vários anos que se tenha especializado imenso no jogo? Ou outra coisa qualquer que não jogador/treinador.

        • não significa que o seja obrigatoriamente. Mas é bem mais provável que esteja ligado à area de que fala do que não esteja. Mas, obviamente não será regra… então nestes dias em que a informação está ai para todos… quantos são os que aprenderam tanto por aqui e agora conseguem mesmo que por vezes não percebam o que dizem, fazer comentários que pareçam inteligentes? 🙂

          Mas é como tudo, se alguém colocar aqui uma equação matemática complexa eu vou deduzir que é matemático… mas poderá não ser…

  2. É um bom jogador com espaço e num sistema de posse ofensiva como o foi no jogo com a Letónia, no entanto em jogos que pedem maior agressividade defensiva e maior amplitude de movimentos de pressão em espaço reduzidos, não consegue ter o mesmo tipo de desempenho. Cabe ao treinador perceber em que contexto o poderá ou não utilizar.

    • O jogo em Madrid e tantos outros na temporada passada desmentem esse retrato. A “agressividade” para William é quase sempre antecipar-se. E quanto a “pressão” pressionar o quê se ele joga à frente dos centrais? O problema para William é o “sempre de uma forma aparentemente fácil” que o texto fala. No Sporting isso penaliza-o. Nunca é gabado na forma como defende porque faz tudo simples e bem feito e joga em antecipação. Com bola sempre que faz uma assistência para golo lá temos “o melhor William de volta”. Ao contrário parece que não participa e é Adrien quem leva a equipas às costas. É percepção. Uma que novamente penaliza William, pelo menos no Sporting.

      • “pressão em espaço reduzidos” ou seja não permitir que os Médios Ofensivos ou Segundos avançados das equipas joguem entre linhas com espaçoe tempo para pensar/executar, no Sporting é penalizado porque joga num sistema de 2 médios centro (sendo que Adrien disfarça muito melhor as carências de WC do que Elias, o jogo com o Dortmund em casa é um bom exemplo disso no 2º golo)

  3. Este vídeo devia ser entregue a todas as pessoas em Portugal, já chateia a desvalorização do William. Grande jogador.

    Não sei se é por ser um portista dos 7 costados, mas também gosto muito do Danilo. Claro que não sou ninguém para vos desmentir, mas há dias em que acelera bem o jogo do FCP.

  4. Outra coisa, não acham que o Ruben Neves devia ser mais utilizado até poder chegar a este patamar?
    Tem uma qualidade de passe que a mete onde e como quiser. E sempre bem.
    As críticas que lhe fazem no momento defensivo têm razão de ser?

    • Na minha opiniao o Danilo vale pelo que é defensivamente, sobretudo nos duelos onde acaba invariavelmente por somar recuperações… Rúben Neves é de outra casta… muita categoria… craque da cabeça aos pés…

    • Como Benfiquista fico muito feliz de o Rúben ter poucos minutos de jogo e o Danilo estar em todas. Mas confesso que não sigo muito (nada?) as outras equipas em PT.

    • Caro Francisco Magalhães

      Ruben Neves, ainda agora teve uma oportunidade para treinar sob as ordens de NES mas foi brincar para a selecção sub21.

      • Ate percebo a tua preocupaçã em relação aos jogos durante a época. No Verao não, adoro ver a seleção a jogar. Mas também repara que se não houvesse seleção então iria ser uma semana normal logo nao seria uma oportunidade diferente. Acho que ele precisava da sorte de não ser convocado para a seleção, ou que deslumbrasse uns 3 jogos seguidos. O miúdo é o futuro

        • “Ate percebo a tua preocupaçã em relação aos jogos durante a época. No Verao não, adoro ver a seleção a jogar.”

          Caro Francisco Magalhães

          Isto não é sobre ti, é sobre os clubes/sads.

          “Acho que ele precisava da sorte de não ser convocado para a seleção”

          Basta simplesmente ele renunciar.

  5. Sou SPORTINGUISTA e defensor do William, para mim dos melhores, embora as vezes parece lento mais nao é, e nota-se quando faz as suas arrancadas, pode é não ser “Bruto”, porque as pessoas confundem agressivo e bruto, o William é agressivo da sua forma, mas as pessoas querem que ele seje bruto.
    Tem vezes que irrita, como todo jogador normal, mais para mim William é craque naquilo que é a sua função, defender bem e começar o ataque, cubrir espaços e condicionar o adversario embora as vezes é um pouco esquecido, mais são rara as vezes que é batido em velocidade, podem constatar ou investigar mais são poucos jogadores que correm em paralelo ao William e lhe batem em velocidade, ele para mim é um falso lento “ala Ozil”, talvez seja lento no arranque.
    Ja sobre o que tras ao jogo ai William é mesmo muito bom, vira o jogo sempre pra quem esta melhor colocado e fa-lo bem com os dois pés.

  6. Boa tarde,

    Sou um bocado suspeito porque sou lagartão e fiquei apaixonado (Duma forma máscula) pelo William assim que o Jardim meteu o gajo lá para dentro.

    É o meu jogador preferido do Sporting desde essa altura.

    E a razão é simples: também eu grito para a televisão o que os jogadores devem fazer em campo (Ridículo, mas somos milhões assim…) e sempre de acordo com a forma que acredito ser a melhor para jogar futebol.

    Umas vezes eles fazem o que eu “mando”, outras não (Oi, Marvin? Futebol não são só centros a 3/4, isso são os ensaios no Rugby).

    O William toma 90% das minhas decisões, e, tirando a ocasional cagada, os outros 10% são preenchidos com decisões que nem eu descortinava e que provaram ser as melhores perante aquele contexto.

    Quanto à falta de agressividade, estou com o MM, é uma questão de preconceito típica de adepto.

    A Agressividade não se mede pelas carrinhadas a lavrar terreno, ou pelos dentes cerrados em cada lance, a agressividade é sempre no espaço.

    Até o célebre lance contra a Suíça foi bem analisado (Passo-a-passo) pelo William, ele não contava com o festival da asneira que foi aquele golo.

    Para mim, do melhor que há por esta Europa, seria ideal no Arsenal.

    Quanto ao Danilo, poupem-me! Tem capacidades físicas brutais, obviamente, mas são erros no posicionamento seguidos (Compensados com carrinhos e sprints malucos), poucas vezes ganha uma bola aérea (Talvez contra o Moutinho) e a construção é péssima. Rúben já lá para dentro para que o Oliver deixe de suspirar de cada vez que tem que cobrir a enésima asneira deste moço em campo.

    É que até eu pareço um 6 bom com o Oliver ao lado, vou recuperar a bola que foi ganha pela agressividade defensiva do pequenito Espanhol. Viva ao OPTA/SQwaka!

    Um abraço,

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