O "milagre" de Anoeta - Uma demonstração de superioridade

«Acabar 1-1 é quase um milagre. (…) A Real Sociedad pressionou maravilhosamente desde o primeiro minuto. Não fizemos cinco passes seguidos e eles fizeram um jogo maravilhoso em todos os aspetos.» Luis Enrique

O jogo de ontem, entre a Real Sociedad e o Barcelona foi apaixonante e confesso que desejei a vitória da equipa de Eusebio Sacristán. Não se trata do mesmo desejo que invadiu milhares de pessoas a época passada, enquanto esperavam pela vitória do Leicester. Foi o gosto pela performance apresentada que me fez querer mais. No final, não ganharam, mas a vontade de os voltar a ver jogar permanece.

Iniciativa com e sem bola. Como nos disse Sampaoli, o primeiro passo para parar Messi, é retirar o protagonismo à sua equipa.

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organizacao-defensiva-extremos

Uma equipa a rever, com toda a certeza.

 

Bruno Fidalgo
Sobre Bruno Fidalgo 8 artigos
Licenciado em Ciências do Desporto. Criador e autor do blog Código Futebolístico. À função de treinador tem aliado alguns trabalhos como observador.

23 comentários em O "milagre" de Anoeta - Uma demonstração de superioridade

  1. Apesar de todo o mérito da Real Sociedad, não foi falha do Barcelona também em fazer a pressão semelhante a que foi posta – e que já nos habituou?

    Com a menor qualidade da defesa da Real, poderiam ter limitado a construção deles. A que se deve isso? Estratégia ou cansaço?

    • “Estratégia ou cansaço?”

      Caro Arnaldo

      Antes de mais nada é preciso ver que Eusébio pode contar quase sempre com todos os jogadores para os treinos, já Luis Enrique, volta e meia, tem durante várias semanas por época, nem consegue ter jogadores para os treinos porque andam a brincar nas selecções.

  2. E uma prova de como há que dar tempo aos treinadores. No ano passado qdo chegou, Eusébio começou por trabalhar imenso a saída de bola, ele queria sempre sair limpo, mas as jogadas acabavam imensas vezes em cruzamento (eu vi 1,2 jogos). Agora, com Vela de regresso e Illaremendi em boa forma, nota-se muita mais variedade em organização ofensiva.

  3. Que grande jogo que se assistiu no Anoeta. Raras são as vezes que podemos dizer que o Barça foi totalmente dominado. Que grande jogo da equipa de Eusebio Sacristan. Equipa com um pressão sempre no primeiro terço do terreno, reação à perda da bola, sempre com apoios, deu mesmo gosto ver o Real Sociedad jogar. Não tenho habito ver jogos deles, e fiquei curioso de saber se jogão sempre assim, ou foi só neste jogo que tinha a motivação elevada?

    P.S. Se o Yuri conseguisse concretizar o que pensa…

    • Também não tinha visto, mas pelo passado do treinador e por algumas declarações que já tive oportunidade de ouvir, julgo que será esta a identidade.

      Não conheço o Yuri e também fiquei surpreendido.

  4. Gosto muito dessa consciencialização de forças e fraquezas no momento de organização defensiva. Condicionar a iniciativa do adversário não é sinónimo de tapar todos os caminhos (expondo-nos ao erro), mas sim passar a ser a equipa que defende quem escolhe como o adversário ataca. Na situação de fechar Piqué e abrir a linha de passe para Mascherano, está um excelente exemplo de como defender oferecendo iniciativas ao adversário.

    • Viva Nuno, meu conterrâneo 🙂 Viste os últimos Bayern vs Barcelona de Heynckes? Foi há bem menos de 8 anos, para não falar de uns “4s” que o Barça tem comido de pequenos, a 1º mão da Supertaça da época passada com o Bilbao por exemplo.

  5. Muito boa pressão. Mas faz impressão que os laterais do Barça não conseguiam resolver no 1 vs 1 aquela pressão do extremo. Tenho para mim que tanto o Grimaldo como o Nelson conseguiam partir o extremo para dentro na recepção/enquadramento e estava a burra nas couves.

  6. No início do pressing à saída de bola do adversário, defendem a marcação individual dos médios como referências, e posterior adaptação ao contexto que surgir?
    E se sim, os laterais também devem p.ex. acompanhar os extremos? Ou simplesmente estarem próximos da linha dos seus médios?

    Ou mesmo, no pressing, estabelecer referências zonais para cada jogador?

    O que defendem, e porquê?

    • Grande pergunta! Vou dar a minha opnião: depende muito, cada treinador tem uma forma diferente e cada jogo é um jogo, pois os adversários podem recorrer mais facilmente a bater, a jogar no 10, a procurar Extremos etc. O Guardiola no ano passado (ou foi há 2 anos) andou meses e meses a fazer pressing 1×1 no campo todo.

      Eu acho que se deve pressionar a bola e depois as coberturas devem ajustar aos receptores mais próximos.

      Por exemplo, 433 a pressionar :
      bola no “Central Esquerdo”, sai interior direito, Extremo Direito a dar cobertura ajustando a posição ao “lateral Esquerdo”, Lateral direito a marcar “Extremo Direito” , Interior Esquerdo a dar cobertura por dentro ajustando ao “trinco” ou “interior” mais próximo, Ponta de lança a fechar o campo (impedindo jogar no outro “central”) e trinco a dar cobertura a todos os colegas que estão a pressionar. Sem desenho é complicado mas acho que é uma boa abordagem. Porque qdo fazes pressing, os receptores mais próximos não podem receber cómodos, tem de haver uma referência ao posicionamentos dos receptores senão é demasiado fácil quebrar a pressão.

      Agora dito isto, pode ser interessante deixar uma linha de passe aberta, por exemplo para o “trinco” e aparecer a pressiona-lo pelas costas dele, caso ele esteja mal orientado (completamente virado para quem lhe passou a bola sem ver o que se passa no resto do campo)…

      Depende muito…

      • So nao percebi porque nao eh o avancado a pressionar primeiro. disseste e bem que ele deve fechar o lado, mas se ele fechar a linha de passe entre centrais e pressionar o central com bola… liberta logo o teu interior que tinha saido para dar cobertura e abafar esse espaco .

        Ai, tendo em conta o resto que disseste, ou batem… ou jogam com o GR o que da tempo de ajustar… ou sao magicos.

        E ha muita magia por ai

        • Ui preciso de um desenho! Já para explicar o meu, meti entre “” os de uma equipa e mesmo assim :).

          Eu agora não sei porque disse o de ir o interior em vez do ponta, mas acho que estava a basear-me no facto de querer deixar sair pelo central esquerdo. Se repararem muitas vezes é o mais fácil de pressionar por estar a jogar no perfil contrário à sua perna forte e logo a progressão dele pela perna direita está sempre mais exposta à pressão..

          Tu estás a sugerir o ponta apertar pelo lado do possível passe para o outro central e sim é uma boa solução se ele estiver numa posição central no primeiro passe do adversário.

    • Depende de muita coisa. Acredito que base terá de ser zonal mas podem mudar algumas coisas ao nível da estratégia. Dependerá daquilo que caracteriza o adversário.

      É importante ter em conta que nestas situações, a bola está muito longe da baliza, o guarda redes faz parte do processo e são raríssimas as vezes que o portador arrisca ir no 1×1. Ou seja…a dificuldade para criar superioridades é maior e a cobertura defensiva não terá o mesmo valor.

      Imaginemos que quando a bola sai no Mascherano e o avançado pressiona, o médio centro Zurutuza deslocava-se para garantir cobertura. Busquets iria ficar livre…o caminho para a baliza estaria melhor protegido…mas os canais para lá chegar não. 1 segundo aqui faz a diferença..tens 50 m nas costas da tua defesa.

      A cobertura defensiva serve também para proteger as costas de quem está na contenção. No caso de ele ser ultrapassado, existirá alguém pronto a realizar oposição. Ora se não existe a possibilidade de ele ser ultrapassado no 1×1, ela perde valor.

      Neste tipo de situações, os elementos da linha defensiva não oferecem qualquer tipo de mobilidade e isso também é algo a ter em conta.

  7. Bruno,

    Na situação de transição ofensiva que começa ao minuto 78:28, em que há uma situação 3×2, gostava de ouvir a tua opinião, relativamente à parte final do lance, mais propriamente ao momento antes do passe, ou seja:

    1- Achas que o avançado que conduz fez tudo bem, por ninguém lhe sair na contenção continuou até o piquet decidir parar e obrigá-lo a decidir?
    2- Ou achas que ele podia ter obrigado o Piquet a decidir, isto é, em vez de conduzir como fez, conduzir em direção às costas do piquet, na direção do mascherano, para ou lhe trocar os apoios e ter um passe mais facil e com mais tempo para o prieto executar, ou fixar o mascherano e pôr nas costas dele em condições mais favoráveis?

    É que achei muito boa a temporização do jogador que conduziu à espera do apoio que apareceu pela esquerda, e sinceramente acho que não fez nada de mal… Mas acho que podia ter tido uma condução mais agressiva obrigando os centrais a decidir qual deve sair ao portador ou o que fazer,dado o espaço que procurava caso fizesse o que sugiro em 2.

    Obrigado

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