“MarsBet”

Maturidade rumo ao título

A duas jornadas do término da Liga, só por uma ocasião não terminou o Benfica com os três pontos, depois de marcar primeiro. Contra o FC Porto.

Em Vila do Conde, Paciência teve nos pés uma oportunidade de ouro para juntar o Rio Ave ao lote.

Tem sido ao longo da época uma das chaves deste Benfica, salvo raras excepções. Sempre que se adiantava no marcador, reduzia perdas em zonas de potencial mais perigoso. Retirava transições ofensivas aos adversários, juntava a equipa, concentrada sobre o lado da bola, mantinha linhas muitos juntas e caminhava para o fim das partidas com os três pontos.

Uma versão menos apaixonante do que a de anos anteriores. Menos capaz ofensivamente, quer em organização quer em transição ofensiva, mas uma equipa mais “cínica” na forma como opta por controlar o jogo. É possivelmente a época com menos golos marcados (em termos percentuais, porque houve Ligas com menos quatro jornadas) da última década, mas é também o melhor registo defensivo das últimas várias décadas.

Destaques individuais de Vila do Conde.

Krovinovic. Vinte e um anos de imenso talento. A forma pausada como define cada lance quando o espaço escasseia, como se procura associar com os colegas para garantir enquadramentos, a forma como combina e como esconde a bola, é invulgar de tão boa, tendo em conta o contexto onde está inserido. Um pensador que faz valer cada toque que dá na bola.

Cervi. No Benfica é o melhor ala do ponto de vista defensivo. Não só pela disponibilidade que nunca termina, mas pela forma como ocupa o espaço e sai agressivo, roubando bolas atrás de bolas. Ofensivamente atravessa um período de menor confiança, e ainda precisa de perceber melhor timings para investir ou pausar. Foi determinante em Vila do Conde. Pelos impulsos que individualmente deu ofensivamente ao jogo, e pela forma como fechou a equipa na sua organização defensiva.

Jonas. O regresso do melhor Jonas. A presença de Raul permite-lhe um menor desgaste nos momentos defensivos e isso faz toda a diferença nos momentos em que ofensivamente intervém. Ainda à procura de aumentar condição física, mas já sem denotar as dificuldades motoras dos primeiros jogos pós longa lesão. Tecnicamente novamente ao seu nível. Incrível a forma simples como com os dois pés definiu a transição que terminaria no golo encarnado.

Pizzi. Cresce com a presença do melhor Jonas! Excelente a forma como ligou os ataques encarnados. É tremendo na decisão, mesmo que aqui e ali algumas execuções não saiam como idealiza. Na visita ao Rio Ave, muito do que de positivo o Benfica construiu e criou em ataque organizado iniciou-se nos seus pés. Como Jonas é o melhor pensador do jogo encarnado e Vila do Conde pôde testemunha-lo.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2706 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

11 comentários em Maturidade rumo ao título

  1. Acho que o benfica hoje melhor imenso com o jimenes cervi e rafa! Aquelas combinações pegaram de novo e Jonas cresceu!!!!! Nelson tal como cervi está com pouca confiança em termos ofensivos!

    Inacreditável e que salvio volta a ser decisivo…..! Incrível!!!!!!! Não consigo perceber……aparece sempre quando não merece nada!!!! Estes e dos tais que nasceu com o cu virado para a lua!!!!!!

  2. Hoje esteve muito bem RV. Que diferença este onze. Seria estupidamente ingrato perdermos pontos hoje depois de termos jogado muito melhor do que contra o Estoril.

    • Incrível. Já desde o Beira-Mar que anda a dar chocolate a toda a gente, grandes ou pequenos. É-lhe indiferente quem lhe aparece pela frente.

      • Ainda me recordo dos tempos em que bloggers que já fizeram parte da casa escreviam assim, noutras paragens: “Mas quem é que contratou esse tal de Rúben Ribeiro?! É pah, com o Luis Gustavo, e o Diego Lopes no banco, não se compreende de todo essa opção. Muitas equipas queriam ter o luxo de contar com qualquer um dos dois, no Rio Ave são suplentes de um senhor que não consigo caracterizar.”

        É por isso que colar rótulos depois de um jogo nunca é boa ideia. E escrevê-los na net ainda pior.

  3. Krovinovic e Rúben Ribeiro com muita qualidade. A entrada do último veio dar posse de bola ao Rio Ave e consequentemente o Benfica passou pelo pior momento no jogo. O Salvio na primeira vez no campeonato em que levanta a cabeça e tira as palas, e é decisivo (espero que aprenda). Muito bom este Rio Ave, mas sem qualidade individual para se superiorizar ao Benfica.

    • É isso tudo. Consegue aguentar e aguentar até forçar o defesa a decidir e meteu redonda. A dúvida que tenho é: E se fosse para o pé direito, ele assistia? 😉

  4. Ganhe o Benfica o Tetra ou não o ganhe, esta para mim é já claramente uma vitória dos capazes! Capazes de perceber que há coisas acima deles, dos que sabem ser humildes; capazes de entender que há limitações próprias e do grupo; capazes de liderar sem alarido.
    E é uma derrota dos incapazes! Incapazes de não se sentirem cheios de si mesmos, incapazes de entender que não é por terem tido uma grande capacidade em determinado momento que devem ficar agarrados a mesma ideia eternamente, etc, etc, etc.

    Parece-me indesmentível que o trabalho feito pelo JJ, em parte dos 6 anos no Benfica, foi um importante contributo para ser possível fazer o que se faz agora – cresceu o Benfica e cresceu o JJ, que podia ter crescido muito mais ali, se percebe-se que o ego e o caráter têm que ser trabalhados todos os dias pela positiva. Parece-me igualmente indesmentível que o próprio JJ tornou-se, no seu próprio entendimento, quase mais importante que a instituição e assim o auto denominado “cérebro” tinha que sair e dar lugar ao brilho da força da “estrutura” que se dizia ser inexistente. 

    Aqui defendi muitas vezes (e aqui fui criticado por isso mesmo) que o JJ que podia ter um modelo de jogo mais adaptativo. O jogo agora é de facto menos vistoso e precisa de mais e mais evolução e menor dependência das individualidades. Mas há uma enorme diferença positiva! É que agora há um líder que tem a humildade de entender que tem que crescer e que evoluir e que não se sente o exclusivo dono da razão e das boas ideias!

  5. Esta maturidade não tem feito bem ao meu coração, tem jogos que tenho que mudar de canal por alguns minutos para o bem da minha saúde , todavia reconheço que este ano com o número anormal de lesões seria difícil fazer melhor mesmo tendo um plantel tão bom.
    Sinceramente não é o estilo de jogo que mais gosto, mas importante é que tem dado frutos, RV demonstra potencial para evoluir ainda muito mais como treinador, não inventa , não busca o protagonismo, trabalha, trabalha e trabalha…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.


*