O pecado de Queiróz

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Numa equipa que se reúne de mês a mês, ou de dois em dois meses para fazer 4 ou 5 treinos, é extremamente complicado aprender e consolidar movimentos colectivos pré-definidos, sejam transições defesa-ataque, saídas para o contra-ataque ou simples combinações ofensivas.
Sabendo da dificuldade que é criar um colectivo como sendo mais do que a soma das individualidades, sem poder treinar, creio que só há uma solução para se ter sucesso à frente de uma selecção nacional. A escolha do 11 deve incidir sobre os jogadores mais astutos, os que decidem melhor e mais rápido, os que têm a percepção do que é o jogo e de que forma se resolvem os problemas com que nele se deparam (sejam situações de 3×2, 4×4, 4×6, etc). Creio até que esta foi sempre a principal virtude de Scolari. Provavelmente não tem a sustentação teórica e todos os conhecimentos científicos daí inerentes de Queirós, mas sempre foi capaz de escolher o 11 mais forte nesse aspecto.
Parece-me que o grande pecado de Queiroz tem sido apostar em Hugo Almeida, um jogador que não compreende o jogo e que tem sido o principal responsável, através das suas más decisões (permanece invariavelmente imóvel no meio do campo) para o insucesso de grande percentagem dos ataques (particularmente os rápidos) de Portugal.
Como é um jogador que também é incapaz de finalizar com excelência, não consigo compreender como pode fazer parte das escolhas do seleccionador!
Claro que num jogo em que os laterais eram os únicos a conferir largura ao ataque, tirar um lateral (para depois corrigir, colocando o Bruno Alves nessa posição) não foi propriamente a substituição mais feliz de Queiroz (mas, também não foi, por certo, a mais infeliz… quem não se lembra da substituição de Paulo Torres num célebre Sporting – Benfica?).
Apesar de tudo, parece-me que as coisas teriam sido bastante mais fáceis se Nuno Gomes (jogador com muitas limitações, mas muito forte ao nível da percepção do que é o jogo, capaz de gerar espaços para que os seus colegas se tornem protagonistas) tem jogado de inicio, em detrimento de Hugo Almeida!
P.S. – O mais fácil é criticar os extremos pelo seu excesso de individualismo, no entanto e apesar de terem feito, todos eles, um jogo medíocre e repleto de más decisões, é importante perceber que a equipa não lhes deu condições para que pudessem ter sucesso. Os princípios de jogo do ataque, tão referenciados por Queiróz (progressão, cobertura ofensiva, espaço e mobilidade) foram todos atropelados pela selecção portuguesa.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2364 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

20 comentários em O pecado de Queiróz

  1. isso são desculpas… contra a albania uma equipa do inatel q só treinam uma vez por semana (nem todos) conseguriam ganhar aos albaneses!

  2. Considero que em traços gerais resumiste algumas falhas, mas existem muitas mais, tal como depois de estar a jogar com 1O, não foi lesto a substituir um dos laterais, a meu P.Ferreira, uma vez que selecção da Albânia quase não atacava pelo lado direito do seu ataque [nosso esquerdo], ou até Meireles, o jogador que não era necessário numa fase de jogo em que a Albânia não atacava…Nuno Gomes como dizes e bem, era a solução na abertura de espaços e a jogar de Costas para a baliza, necessária no desiquilibrio, quando os médios vem de trás.
    Não abriu jogo, alias, a jogar em casa meter Danny numa ala, e ficarmos órfãos de extremos, quando podíamos ter Quaresma ou Nani, pelo menos um, e derivar Danny para médio construtor, onde rende mais ou próximo do avançado.

    Uma series de equívocos, que já vem dos tempos da fabulosa equipa que teve nas mãos e só consegui uma taça de Portugal, quando recebeu a equiopa no primeiro lugar do saudoso Bobby Robson, quando ao dispor, tinha, Figo, Balakov,Juskowiak,Iordanov, Chervakov, Luisinho, vallks e muitos jovens como Peixe, Torres, etc…

    Enfim, gosto de Carlos Queiroz para coordenar o futebol jovem, ou como adjunto de luxo na área metodológica, mas liderar seniores, não irá lá, pois depois de tanto a viver na sombra do Alex Ferg. não aprendeu, não vai lá…Aliás quem não tem geneticamente certas qualidades, não será excelente, pode ser só regular e mais um, algo que muitos ainda não entenderam que o estudo só faz evoluir se tiver algo que ajude interiormente, será no fundo uma alavanca para ajudar a encontrar o caminho, nunca para chegar a ele.

    Abraço, e visitem http://bancadadirecta.blogspot.com/

  3. Boa apreciação. Para além da parca movimentação, o Hugo Almeida ainda conseguiu atirar “ao boneco” naquela bola de cabeça… Gostei do blog e também vou adicionar à minha lista.

  4. “Numa equipa que se reúne de mês a mês, ou de dois em dois meses para fazer 4 ou 5 treinos, é extremamente complicado aprender e consolidar movimentos colectivos pré-definidos, sejam transições defesa-ataque, saídas para o contra-ataque ou simples combinações ofensivas.”

    Então mas o contra-ataque não é uma transição defesa-ataque??

  5. Não necessáriamente!

    Uma transição defesa-ataque, envolve a tentativa ou concretização do “transportar” da bola do sector defensivo ao ofensivo (passando ou não, dependendo da estratégia pelo sector do meio campo), situação que pode não ocorrer no contra-ataque (que começa ou pode começar, no momento em que a bola é recuperada, independentemente de ser recuperada no sector defensivo, ou ofensivo).

    O importante a reter, é que a forma como os jogadores se movimentam num contra-ataque (que pretende ser rápido e apanhar em contrapé os adversarios) é por norma, bastante diferente duma transição defesa-ataque.

    Um exemplo mt comum. Na transição defesa-ataque, é vulgar assistir ao passe do lateral para o extremo, indo depois o lateral desmarcar nas costas para receber mais à frente. No contra-ataque, por ser bem mais rápido, quando a bola chega ao extremo, costuma ser o avançado a oferecer a profunidade e a largura no jogo, encostando ao corredor lateral, de onde vem a bola.

  6. Caro PB

    O contra-ataque é a primeira acção ofensiva que uma equipa deve tentar logo que recupera a posse da bola.
    O aproveitamento da situação de superioridade numérica (em relação aos defensores) ou mesmo de defesa desorganizada são os objectivos de uma rápida transição defesa-ataque.

    Podemos dizer que pode ter vários princípios de se obter, mas é claramente uma transição defesa ataque, o contra-ataque, até porque só se pode dizer que uma equipa ataca quando tem posse de bola, e quando recupera, passa de uma situação defensiva [sem bola], para ofensiva[com bola], independentemente do local que seja recuperada, pode-se considerar sempre uma transição, quando se ganha a bola e se parte para o objectivo: golo.

    Isto de passar ou não pelo lateral ou pelos corredores laterais, não tem significado nenhum, até porque varia dos princípios que cada treinador para sua equipa, e muitas vezes do local de recuperação da bola, sendo que quando se parte para o objectivo, é sempre uma transição defesa-ataque.

    esta é a minha opinião, mas podem outros ter perspectivas diferentes.

    Um Abraço

  7. imagina, se o teu extremo recupera a bola, ainda no meio campo ofensivo, dá inicio ao contra-ataque… e isso não é uma transição defesa-ataque!! não passaste do sector defensivo para o ofensivo (que é ao que se refera a dita transição)

    Ou ate num exemplo mais exagerado. O teu avançado recupera a bola e ataca logo a baliza, não a passando a ninguém (n ha transição nenhuma, há um contra-ataque)

    abraços

  8. Mais, para perceberes o ponto que quero chegar e outras pessoas também perceberem cá vai…

    Um transição na tua óptica, só se pode fazer quando se tem a bola e passa a bola pelo sector defensivo, e nos, quando não a temos?!!, nunca podemos fazer a mesma, porque não temos a bola, e essa transição, não é mais que uma organização posicional defensiva, para podermos recuperar a bola o mais rápido possível, para atacarmos novamente a baliza.

    Por isso, a transição, corresponde ao que fazeres quando perdes a bola e quando a ganhas, tal definição de passares de ataque-defesa-ataque -TRANSIÇÃO de uma situação, e como fazer ,onde e se deve fazer essa mesma.

    Pois só podes fazer transições com bola e nunca sem ela, por isso quando dizes transição ataque-defesa, essa não existe com bola, por isso nunca poderia ser como tu a idealizas, uma vez que não tens bola, tens sim que saber é como a tua equipa se comporta para recuperar a bola ao adversário, como sai de uma fase ofensiva, para defensiva [como faz essa transição], ou o que faz logo que a recupera [defesa-ataque].

    Isso são transições, que podes por via das palavras, dizer que a organização de jogadas ofensivas previamente estudadas, também são transições na óptica de transporte de bola e como fazer em conjunto, nunca como especifico.

    Espero que tenhas entendido o meu raciocínio, pois é assim que nos colóquios e formações que tive e dei, assumo este tema.

    Abraço amigo

  9. Ai, discordamos profundamente, quando dizes que “…não passaste do sector defensivo para o ofensivo (que é ao que se refera a dita transição)”

    A transição tal como conheço, nunca referiu, nem refere pelo menos nos meus cursos e muitos apontamentos que sempre li, que tem que passar pelo sector defensivo, pois eu comporto o defender na minha equipa numa pressão alta, no meio-campo adversário onde toda a equipa sobe em bloco ao espaço defensivo adversário, e na maioria das vezes recupero a bola no meio-campo adversário, não tendo objectivamente passado pelo meu sector defensivo, mas este participou activamente no meio-campo adversário na recuperação da bola o mais rápido possível, e passando duma situação ataque-defesa,e quando ganho a bola, passo para o inverso, ou seja defesa-ataque, e a isso chama-se transição, onde se passa de defender para atacar, não tendo objectivamente que ter de passar a bola por muitos jogadores, não tendo que recuperar no meu sector defensivo, ou pelo meus jogadores de defesa, tenho é de fazer essa transição para um objectivo e como faze-lo, pois como dizes, o meu avançado ganha a bola a um defesa, por força dessa pressão da equipa,e por exemplo assume [porque ficou por exemplo isolado e é a melhor opção] a transição sozinho para a baliza, para o objectivo [golo].

    Fez uma transição singular e não conjunta, mas forçada pelo conjunto para ter essa transição aquando passou de uma situação defensiva para ataque, mas que não deixa de ser uma transição, pois passou de defesa, para uma situação de ataque.

    E de certeza que nunca ouviste em lado nenhum que uma transição, só o é se passar por muitos jogadores, ou se passou pelo nosso sector defensivo, pois designa-se transição, pelo facto de passar de uma situação de posse de bola ou sem ela, sendo que a transição da mesma não especifica o ponto, nem como se tem que fazer, pois essa depende das circunstancias do momento de jogo.

    Temos é de saber o que fazer quando perdemos logo a bola [transição de passarmos da equipa que ataca, para uma equipa que defende, e como fazer e onde essa transição * “ataque-defesa”], ou o contrário, o que fazer quando a ganhamos [defesa-ataque].

    E pode-se trabalhar essa transição, sabendo como passar a equipa duma situação com posse de bola [ataque], para uma situação sem bola [defensiva] e saber como fazer em conjunto e individual [conjuntural claro], e essa chama-se transição de uma situação de ataque-defesa ou vice-versa.

    Quando queremos organizar e preparar situações de transição defesa-ataque, não temos de treinar especificamente e só, a bola a passar pelo nosso sector defensivo ou recuperada só neste, pois podemos faze-lo de muitas maneiras e no sector ofensivo por exemplo, e quando treinados jogadas que passam pela defesa, podemos também chamar transições defesa-ataque, mas o mais correcto é organização de jogadas ofensivas, que não deixa de ser uma transição pela força de expressão, mas não tem de o ser especificamente.

    Talvez tenhas uma concepção da transição diferente da minha, e ai, tenho de respeitar a tua visão, pois a minha é diferente.

    Abraço

  10. Oi sousa,

    a transição defesa-ataque, tal como eu a concebo (e se a concebo assim, foi tb, n pq a inventei na minha mente, mas pq a li em bibliografia e me foi explicada por alguns profs) é um momento estritamente ofensivo.

    Ou seja, a nossa confusão, é q tu analisas essa transição como o momento em que a equipa deixa de estar no processo defensivo, pq recupera a bola e como tal transitou para o processo ofensivo. Mas, a transição defesa-ataque, tal como me foi apresentada, e tal como eu a apresento, não é isso.

    É o momento, e a forma como a equipa sai para o ataque (para o sector ofensivo)! Ou seja, se o teu avançado recuperar a bola, não há transição defesa-ataque (porque a bola esteve sp no meio campo ofensivo (apesar de teres passado do processo defensivo para o ofensivo!)

    Ou mm se o teu defesa central recupera a bola, ainda não houve a tal transição defesa-ataque, mas sim uma passagem do processo defensivo para o ofensivo… a partir daí, podes então (ou não, caso o adversario volte a recuperar a bola) realizar a transição defesa-ataque, que é como disse a forma como a equipa sai para o sector ofensivo!

    Ou seja, não há transição defesa-ataque sempre que recuperas a bola, porque esta diz respeito ao momento e à forma como passas do meio campo defensivo para o ofensivo, e não ao momento em q passas do processo defensivo para o ofensivo (q é qd recuperas a bola)

    espero ter conseguido expor o meu ponto de vista!

  11. Bem, eu entendi o teu ponto a muito e concordo com o que chamas de transição na condução da posse de bola da tua equipa e como a organizas [aliás muitos professores é assim que ensinam], mas discordo do raciocínio, mas se leres as minhas respostas em cima, vais perceber, que o que falas, é propriamente uma transição de jogadas organizadas na sua dinâmica e não nos momentos de jogo dessa transição, onde organizas a tua equipa numa situação defesa-ataque, mas achas que tem de passar pelo sector defensivo para ser considerada tal, e eu pergunto?!

    O que é para ti a transição ataque-defesa?!

    Sem bola como organizas essa dita transição?! Orgaganizas jogadas na sua dinamica sem bola e tem de passar essa do sector ofensivo para defensivo?!!

    Claro que não, fazes é o momento de transição quando a perdes, sabendo como te organizas, onde e como fazes pressing [alto ou baixo e/ou central ou lateral], e se ganhares a bola [transição defesa-ataque] como o fazes rapidamente ou não.

    Ora só poderás fazer posicionalmente, no melhor racionamento dos teus jogadores mal percam a possa de bola, e não tem de passar esse processo de transição, do ataque do adversário para o teu sector defensivo, pois essa transição, pode ocorrer no sector ofensivo adversário e não deixa de ser uma transição do momento de jogo.

    Assim, podes ter uma pressão alta, com transição defesa-ataque rápida mas curta quando ganhas a bola, por estar mais perto da área adversária, uma transição ataque-defesa ainda mais rápida, porque podes recuperar a bola no meio campo adversário, tendo menos posse de bola e circulação, mais um jogo de “transições puras” mal ganhas a bola, não tendo de passar pelo sector defensivo, mas sim com a colaboração deste, ou podes ter uma transição defesa-ataque alicerçada em princípios da posse de bola e circulação, descansando com ela quando em vantagem, ou pressão média-baixa, muitas vezes feita de forma basculante e não vertical, pelo que a transição defesa-ataque muda no seu conceito conforme os momentos de jogo, e podes ter uma transição ataque-defesa feita ora pressionando alto, ora, principalmente, com o recuo dos jogadores e sua recuperação posicional.

    Eu percebo onde chegas e concordo, pois a transição defesa-ataque podemos considerar como tu e muitos tem em mente, as isso são mais transições de jogo organizado com bola, mas as transições como a concebo e ensino, tem dois momentos: um com bola, outro sem bola, Defesa-ataque e ataque-defesa, e é ai que nunca se pode considerar uma transição sem bola, pois essa é a verdadeira acepção da palavra: Transição do MOMENTO OFENSIVO [com bola] para outro MOMENTO DEFENSIVO [sem bola], isto são transições de jogo, independentemente como o faças, mas quando organizamos jogadas de transição do processo defesa-ataque, também podemos considerar transições, porque o é, mas não tem objectivamente que passar pelo sector defensivo, ou por vários jogadores, pois, a transição, é o que fazer no momento que a tua equipa ganha a bola ou a perde.

    Podemos organizar a transição defesa-ataque a partir do nosso sector defensivo se ganharmos ai a bola, sim, e podemos faze-lo de varias maneiras, contra-ataque, ataque-rápido, ou organizado, depende do modelo que cada um idealiza, mas se a bola vier do teu guarda-redes, para o teu lateral, vais fazer a transição da passagem da bola do sector defensivo para o ofensivo, organizadamente [que é como dizes também uma transição], mas a transição que falo são os MOMENTOS de jogo..

    Alias para mim existem 4:

    Defesa – como defender [zona, hvh, mista]
    Ataque [organizado,CA,AR]
    Ataque-defesa [o que fazer e como te organizas quando a equipa perde a posse bola]
    Defesa-ataque [ quando em posse de bola o que fazer com ela e como]

    No fundo, podemos considerar o teu raciocínio certo no conceito de transição pura de condução de bola oragnizada, que passa pelo sector defensivo para ofensivo, mas transição, é também os momentos de jogo, em que fazes uma transição do momento de jogo, como e sem bola.

    Penso que já esclarecemos o ponto de divergência.

    Abraço

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