Porque não gosto de C. Rodriguez

white corner field line on artificial green grass of soccer field
Tal como quase toda a gente, Rodriguez entende o jogo como um conjunto de 10 duelos de 1×1. Parte da ideia de que a sua função é driblar o seu adversário directo, e como extremo que se preze (????) ir à linha de fundo cruzar.
Partindo-se de uma premissa tão errada, torna-se logo muito complicado ser-se um jogador de eleição.

Para além de limitar muitos dos contra-ataques das suas equipas, fruto dum mau posicionamento em campo (poucas são as vezes que confere largura ao mesmo, preferindo receber sempre a bola no corredor central, promovendo a concentração dos adversários), as opções tomadas com bola são demasiadas vezes erradas. Rodriguez atropela o principal princípio de jogo ofensivo, pois a progressão no terreno com bola, é feita essencialmente na direcção da bandeirola de canto, como se fosse lá o local da baliza adversária.

É claro que é vistoso ver todos aqueles dribles, mas terá nexo ir para um cantinho de terreno trocar as voltas ao adversário, quando a baliza está noutro lado? Deve-se caminhar na direcção da baliza e procurar os corredores laterais quando o central está “fechado”, para então voltar a procurar a baliza adversária ou deve-se desde logo correr na direcção dos corredores laterais, para chegar juntinho da bandeirola de canto e tirar um cruzamento? Perguntem a Kaka, a Messi ou a… Aimar.

É sempre um desperdicio ver um jogador com talento e com capacidades físicas muito interessantes, não contribuir para o sucesso da sua equipa.

P.S. – A generalidade dos adeptos e a totalidade dos jornalistas (formados em jornalismo) nunca compreenderão o quão exagerado é dar valor a um jogador “raçudo”, que corre atrás de todas as bolas perdidas, mas que fruto disso não respeita os principios de jogo defensivos e acaba por prejudicar, também nesse aspecto, a sua equipa.

P.S. – O jogador Hulk vem dar todo um novo significado à expressão “calhau com olhos”. A forma como resolveu a situação de 2×0+Gr no jogo da Sertã foi genial. Conheço mais de uma dezena de tipos com o mesmo tamanho de Hulk, que fariam o mesmo que ele… por bem menos dinheiro.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2355 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

7 comentários em Porque não gosto de C. Rodriguez

  1. O bonito da blogosesfera é podermos debater e então vamos lá:

    1- Rodriguez pode ser muita coisa mas não é um extremo, joga a extremo o que é diferente e tudo o que disse é causado por este facto. Para mim Rodriguez é um bom jogador.

    2- Hulk tem boas qualidades, desde loga a capacidade fisica e o poder de fogo, com os dois pés, mas andou sempre perdido no Japão. Com o acompanhamento certo pode vir a dar num bom jogaddor, mas claro que o preço é, no minimo exagerado.

    carlos_saraiva07@hotmail.com

  2. Bom texto. Mas, sinceramente, este Rodriguez de início de época não é o verdadeiro Rodriguez. Acho que ele gosta demasiado de participar no jogo e tem um grande defeito que é não controlar esse ímpeto. O Quaresma, muitas vezes, ficava aberto num flanco e permitia ao Porto que as transições rápidas saíssem facilmente. Rodriguez quer vir a todo o lado, quer correr. É demasiado disponível. Com bola, tem sido demasiado egoísta. Mas é um desequilibrador. E acho que pode fazer a diferença, desde que modere a sua forma de actuar. Não é assim tão diferente de um Di Maria ou mesmo do Vukcevic. São jogadores possantes, que vivem da explosão e da capacidade individual. Precisam é de enquadrar essa capacidade, que é muita, naquilo que pode beneficiar mais a equipa. Quanto ao Hulk, excelente expressão. Tem boas qualidades físicas e técnicas, mas falta qualquer coisa àquele cérebro. O Porto, este ano, tem demasiados jogadores com boas qualidades físicas e técnicas, mas perdeu qualidade na percepção do jogo. Exemplos disso são Sapunaru, Guarin, Hulk, Pelé, Rolando e Rodriguez. E coincidência ou não, a equipa está muito mais débil que a dos anos anteriores.

  3. Não concordo com algus questões abordadas, pois Rodriguez demonstrou no Benfica que sabe jogar para a equipa, para além de ajudar nas missões defensivas, mas concordo que terá que melhorar o aspecto tactico…
    Mas os treinadores servem para ajudar.

    Abraço

  4. PB, o texto está extremamente lúcido e objectivo, como já vem sido hábito neste blog.
    Sobre o conteúdo do mesmo, devo dizer que concordo com o Nuno: o Rodriguez é um desiquilibrador nato. Como mistura força e técnica em excelentes doses, é especialmente forte nos duelos individuais. Agora a questão é enquadrar esta capacidade na mecânica do colectivo e, como Rodriguez não é um jogador cerebral e inteligente para se auto-avaliar, isso é uma missão de Jesualdo. E, como disse o Nuno, a excessiva disponibilidade do Rodriguez também não ajuda o jogo ofensivo do Porto a fluir.
    Quanto ao Hulk, se tivesse neurónios, seria um avançado de excepção. Só para concluir, Nuno, devo dizer que não acho o Rolando intelectualmente fraco. Nesse aspecto, parece-me claramente superior ao Bruno Alves, por exemplo.
    Cumprimentos e continuação do bom trabalho.

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