Fica-te bem, Katso!

white corner field line on artificial green grass of soccer field

Ser capitão de equipa, é bem mais que servir de mestre de cerimónias. Envolve funções bem para lá do cumprimentar o árbitro e da escolha do campo. Sabendo que uma má opção para este cargo, acarretará, indubitavelmente consequências nefastas para a equipa, haverá critério mais traiçoeiro que o tradicional? (optar pelo jogador mais velho, mais antigo no clube ou ainda, pela “estrela” da companhia) Não me parece.

O capitão terá de ser alguém em quem o treinador sinta total confiança e ao mesmo tempo, que possua um estatuto, legitimado pela sua personalidade e indiscutível qualidade, reconhecida pelos colegas de equipa. Não creio no entanto, que o maior talento da equipa deva cumprir essa função. Aumentar ainda mais a responsabilidade a um jogador, nunca me parece o mais correcto. Ainda para mais, parece-me ser importante ter um capitão de equipa, que jogue numa posição que lhe permita ver o jogo de frente (um defesa, ou um médio centro), apesar de esse critério, tal como o da antiguidade, dever ser tido apenas como um “extra”.

Quando penso num capitão, não consigo deixar de pensar que tem de ser alguem consistente, capaz de ajudar a equipa nas várias áreas do jogo, alguém com permanente domínio em termos de concentração, compustura e confiança. Alguém capaz de desenvolver o seu jogo debaixo de pressão e nas fases cruciais das partidas, algúem que imponha uma liderança altruísta e não egoísta. Alguém que cuide de si, procurando estar sempre no máximo das suas capacidades, e claro, que compreenda o jogo como ninguém, e que tente fazer com que os seus colegas atinjam esse mesmo nível de percepção.

Não sei se Katsouranis reúne todos os requisitos. Sei que é tido pela generalidade dos colegas, e por alguns ex treinadores como um jogador extraordinário e um modelo a seguir.

Não consigo deixar de ter a sensação de que, desde Jorge Costa, que no futebol português, nunca uma braçadeira tinha encaixado tão bem, em braço algum, como no de Katsouranis (apesar de perceber que não é ele o capitão). E já agora, o feeling, de que o próximo, daqui por uns bons anos, poderá ser Rúben Amorim.

Paolo Maldini
Sobre Paolo Maldini 2348 artigos
Criador do Lateral Esquerdo, é também professor no Estádio Universitário de Lisboa. Treinador de futebol, tendo almejado diversos titulos nacionais. Experiência como coordenador de futebol formação e palestrante em diversas Faculdades de Desporto. Autor do livro "Construir uma equipa campeã" da editora PrimeBooks.

1 comentário em Fica-te bem, Katso!

  1. Estou de acordo que o capitão de equipa deve ser escolhido, não segundo o critério da antiguidade ou do talento, mas pelo perfil e pela posse de diversas características que façam do jogador um líder por natureza no seio do grupo. Basicamente tais características já foram enunciadas por ti e não importa estar a repetir, concordo no geral com o que disseste. Não me parece, no entanto, que a posição tenha importância significativa. Rejeito que seja mais adequado que o capitão seja um defesa ou médio do que um avançado.

    No caso concreto de Katsouranis, penso de forma similar. Ele é o jogador do Benfica com o perfil mais indicado para assumir as funções de capitão, muito mais que Nuno Gomes, Luisão ou Quim. De resto, dizer que uma braçadeira não encaixava tão bem num braço desde Jorge Costa é um pouco exagerado, mas que é um jogador com perfil para isso, não tenho dúvida. Além de ser um grande jogador.

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